16 de ago de 2007

"...vamos de mãos dadas..."

"Na oficina do trabalho ou no templo de tua fé, não esperarás que o chefe, o diretor, o colega, o companheiro ou o subordinado pronunciem reclamações para resolver os problemas, cuja presença reconheces, e sim desenvolverás esforço máximo para que a harmonia e a segurança permaneçam resguardadas na equipe, evitando qualquer ruptura nos mecanismos de ação. E, no giro dos passos cotidianos, seja na rua ou no ônibus, não te recusarás a estender o braço amigo ao doente ou à criança, sob o pretexto da falta de tempo; abster-se-á de tomar a atenção dos balconistas, quando o horário de trabalho esteja findo, ponderando que eles, possivelmente, estarão presos a compromissos familiares que nunca te pesaram nos ombros; pagarás tuas dívidas com o senso da exatidão, sem desprezar as contas singelas, reconhecendo que alguns cruzeiros constituem subida importância entre muitos daqueles que te honraram com pequeninos serviços; dirás 'muito obrigado' à telefonista ou à costureira que te atenderam as solicitações; agradecerás com uma boa palavra ao transeunte a quem pediste um esclarecimento e que te ajudou com gentileza, sem o dever de te auxiliar; não censurarás o moço do armazém em regime de atraso, lembrando-te que ele estará atravessando provas ocultas, que talvez não suportarias, chorando no íntimo e satisfazendo, ao mesmo tempo, os imperativos da profissão.

Diariamente, todos somos chamados à realizações de essência social. Atende à tua empresa particular, nesse sentido. Age, porém, de tal modo que o mal não venha a surgir provocando contenção. Seja onde for, tanto quanto possível, faze bem antes dele.
"
(In Encontro Marcado, por Emmanuel - psicografado por Francisco Cândido Xavier)


Obtido aqui.


Embora contidos em um livro dito "espírita", estes conselhos são de ordem moral. Doméstica. Aprende-se em casa. Ou assim deveria - infelizmente, muitos não tiveram esta sorte, a de receberem uma boa educação doméstica. Mal sabem eles que "gentileza gera gentileza". Não sabem o que fazem.



E esta aqui.


A vida, contudo, está aí não apenas para ser vivida, mas também observada, como fonte de conhecimento. É nosso dever de seres pensantes a evolução moral, espiritual, intelectual. Não foi gratuita a oferta divina da mente humana superior, da alma livre, associada aos céus. Tal dávida possui um preço (concordo, é uma metáfora mercantil em demasia para um tema de cunho moral; é contudo didática), que não nos é cobrado, apenas. Por enquanto. É o livre-arbítrio a nós concedido pelo Ser Supremo. Direito de escolha, entretanto, implica em escolha de consequência. Sábio é quem a isto vê.

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Ando muito conselheira ultimamente. Isto é porque aguardo por conselhos. É uma ação que espera reação. O que nunca funciona de fato: pessoas que muito falam como eu, em geral transmitem a mensagem de que não necessitam ouvir. Só que elas são as que mais precisam. Ouvir.

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"Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
"
(Drummond. Escute-o aqui e chore.

A propósito, agora está em link permanente na lateral do Maio os poemas declamados pelo Drummond)

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Post longo. Madrugada longa. Boa noite. Espero que sirva a alguém estas palavras, além de mim.

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