30 de jul de 2007

Felicidade
me traz poemas e flores,
e não exige razões.
A vida é boa para ser vivida
porque preenche minh'alma.



Mulher na Janela - Salvador Dali


"Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
"
(Canção Amiga - Drummond)

29 de jul de 2007

Mãe

Caiu-me ao colo a estrela,
levei-a ao peito e grudou.
Pronto.
Bastou.
Engravidou-me.



Captada aqui. Não consegui descobrir a autoria, sorry.

27 de jul de 2007

O Vendedor de Palavras

Este é um plágio descarado do que encontrei no Mão na Kumbuka da Ana Laura. Mas sou tão apaixonada por palavras que me rendi. Leiam.





O vendedor de palavras

por Fábio Reynol

Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical".

Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica.

Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs.

Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: "Histriônico - apenas R$ 0,50!". Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta curiosos parasse e perguntasse.

- O que o senhor está vendendo?
- Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta centavos como diz a placa.
- O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.
- O senhor sabe o significado de histriônico?
- Não.
- Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.
- Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.
- O senhor tem dicionário em casa?
- Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.
- O senhor estava indo à biblioteca?
- Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.
- Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real!
- Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?
- Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.
- O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras? - O senhor conhece Nélida Piñon?
- Não.
- É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.
- E por que o senhor não vende livros?
- Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.
- E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.
- A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento, se temos poucas palavras pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. são como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina, com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou, passou por aqui sorrateira,.olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade, mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa, assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga. Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão, então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.
- O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...
- Jactância.
- Pegar um livro velho...
- Alfarrábio.
- O senhor me interrompe!
- Profaço.
- Está me enrolando, não é?
- Tergiversando.
- Quanta lenga-lenga...
- Ambages.
- Ambages?
- Pode ser também evasivas.
- Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!
- Pusilânime.
- O senhor é engraçadinho, não?
- Finalmente chegamos: histriônico!
- Adeus.
- Ei! Vai embora sem pagar?
- Tome seus cinqüenta centavos.
- São três reais e cinqüenta.
- Como é?
- Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.
- Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?
- É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?
- Tem troco para cinco?

25 de jul de 2007

Filim calango...




... no meio das flores gigantes do jardim ...





Update - Sobre alimentação de Meu Filho: ama comer coentro e banana, mas também come couve, cebolinha, cenoura ralada e alface, embora este último eu evite o quanto posso (muito agrotóxico). Gosta de maçã também, e uva. Salsa eu já dei, mas ele não gostou. Essas outras plantas que você citou (agrião, orégano e alecrim) são muito chiques e meio difíceis de conseguir, mas quando tiver uma oportunidade eu tento dar...

21 de jul de 2007

Que a terra lhe seja leve?

A pergunta que me faço incessantemente desde que soube do fato é: qual será a sensação de se ter a morte, por muitos, comemorada (a premissa, logicamente, é a da vida após a morte, dahn) ? E por que ninguém mostra isso no jornal? Parabéns, mais uma vez, ao Carta Capital



Morre o coronel
por Rodrigo Martins
ACM teve insuficiência cardíaca. Bahia decreta cinco dias de luto



Influente presença no cenário político brasileiro das últimas décadas, o senador baiano Antonio Carlos Magalhães morreu na manhã desta sexta-feira, em São Paulo, vítima de insuficiência cardíaca. O parlamentar estava internado no Instituto do Coração desde 13 de junho, após passar mal no plenário do Congresso Nacional e buscar tratamento na capital paulista. O governo da Bahia decretou luto oficial de cinco dias e o corpo será velado no Palácio da Aclamação, em Salvador. Ele será sepultado no Cemitério do Campo Santo, ao lado do filho Luís Eduardo Magalhães, morto em 1998.

Sempre próximo do poder, ACM esteve ao lado de Jânio Quadros e Juscelino Kubitschek. Após o golpe de 1964, serviu com afinco aos militares. Sobreviveu ao fim da ditadura, transitando no meio de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. A sanha de agarrar-se ao governo de plantão levou o senador a ensaiar uma aproximação com o presidente Lula, mas a tentativa não resistiu ao primeiros meses da gestão petista. Durante a crise política de 2005, com as denúncias do suposto esquema do mensalão, o parlamentar tornou-se um dos mais ferrenhos opositores do governo.

ACM também exerceu um longo período de predomínio político na Bahia, onde os interesses privados do oligarca se confundem com os do Estado. Três vezes governador, ele elegeu praticamente todos os mandatários do estado nas últimas três décadas, fora dois interregnos, com as eleições de Waldir Pires, em 1986, e de Jaques Wagner, no ano passado.

Nascido em 4 de setembro de 1927, ACM fez faculdade de Medicina, mas nunca exerceu a profissão. Teve passagem pelo movimento estudantil e iniciou a vida política na extinta UDN, partido que o elegeu deputado federal por duas vezes. Em 1967, os militares o nomearam prefeito de Salvador. Com o respaldo da ditadura, assumiu o governo da Bahia em duas ocasiões (1971-75 e 1979-82), desta vez com a bandeira da Arena.

Com o fim do regime militar, filiou-se ao PDS. Durante as eleições indiretas para presidente, em 1984, rompeu com a canditatura do colega de partido Paulo Maluf e declarou apoio a Tancredo Neves. Pouco depois, arregimentou dissidentes do PDS para fundar o Partido da Frente Liberal. Assumiu o Ministério das Comunicações em 1985, durante o governo de José Sarney, onde permaneceu por cinco anos. A marca registrada de sua gestão foi a distribuição desenfreada de concessões de rádio e tevê em troca de apoio político à extensão do mandato de Sarney de 4 para 5 anos. Uma das principais favorecidas pela manobra foi a Rede Globo, que possui sócios da família do senador na Bahia.

ACM elegeu-se governador do estado em 1990, desta vez com o voto popular. Em 1995, conquistou uma vaga no Senado. Renunciou ao mandato em 2001, após ser acusado de manipular o painel eletrônico da Casa. Reconduzido ao cargo no ano seguinte, o parlamentar manteve a força do carlismo no plano regional, elegendo afilhados políticos em prefeituras e no governo baiano. O senador também é acusado de comandar um esquema para espionar telefonemas de desafetos políticos e de uma ex-amante.

No Senado, ele será substituído por ACM Filho, seu suplente. O outro integrante da família no Congresso é o deputado federal ACM Neto.

19 de jul de 2007

"É muita água, é magoa, a gente pode se afogar"

Uma coisa aprendi nos últimos meses (aprendizado para a vida inteira): chorar é um ato anti-social. Sim, correto. Triste (não chorem), mas verdadeiro. O choro subverte de tal maneira o ambiente em seu redor, mais intensamente que se fosse ele uma bomba que explodira a janela. Um grito é mais bem-vindo. Uma agressão choca, mas não oprime: gera um estampido de revolta nos que a assistem, não há terror. Uma queda é sinônimo de risos e relaxamento. O choro não. Quando alguém chora, as paredes também ficam molhadas. Todos olham ao redor como se uma grande inundação estivesse prestes a derrubar a sala, e seu reboar já se ouvisse vindo, vindo. O choro traz medo a quem o fita. Talvez seja apenas medo da lágrima pessoal, contida, a que não se verte. O choro recorda a todos que ela existe dentro de qualquer um, e poderá a qualquer momento não resistir. É angustiante em demasia tal constatação, da qual, ao menos por ora, está liberto aquele ao centro do turbilhão.





Quem chora é prisioneiro em sua própria máscara revelada. É de nudez o sentimento. O corpo porém não apresenta a verdadeira saúde que possui, há carne viva aos olhos alheios. Sim, todos vêem carne viva. A cena é dantesca.





Aquele que chora deve evitar espelhos. Deve evitar o tato e a voz humana. Apenas um bálsamo é eficiente: o ar. Respirar cura choro. Ar é água se compreendem, pois que da mesma essência são.





O choro traz paz. Transtornos também - pois transgredir a norma não é fácil - mas sobretudo paz. Não dá para pensar sempre, porém, naquilo que se deve ou não se deve fazer. Fôssemos máquinas, seria diferente. Não somos; portanto, há tempos em nossas vidas de se fazer o que é possível. Apenas. Paciência. O Super-Homem e a Mulher-Maravilha estão aí para serem os fortes que não podemos, sempre, ser.

18 de jul de 2007

A Ordem da Fênix

Sabe aqueles posts imensos que sempre escrevo quando os filmes potterianos são lançados? Aqueles, que ningué lê (admitam)? Tá , na Cozinha, um sobre HP e a Ordem da Fênix. Nem eu gostei muito dele (do post, não do filme, do filme gostei), mas enfim, tá lá. Prá não quebrar a tradição.

17 de jul de 2007

1 de jul de 2007

Domingo Fútil, graças a Deus

A lata nova agora tomou vergonha na cara. Foram quarenta e cinco dias de luta, mas, enfim, curamos o câncer.

É assim que eu te quero, bichinha.

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Hoje o Brasil joga na Copa América, né? Vixe... Nem parece...

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Um fato estranho, e raro: não tomamos café ainda. Serão onze em breve. Não somos dessa tribo não. Por isso que tô a mais ou menos uma hora sentindo gosto de sanduíche-de-sanduicheira-nova-queijo-escorrendo-pela-chapa. Assim não há regime que aguente.

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Meu Filho (para quem não se alembra, filim calango, como diz a Luci - vou adotar a expressão) também num comeu ainda. Tô muito preocupada. Igual a Dora/Denise Fraga do Auto da Compadecida: "a bichinha, num comeu nada ainda, só um cuscuzinho com leite - ai, cuscuzinho com leite (Chicó e Grilo) -, um tiquinho de papa, coisa pouca". Se Meu Filho morre, vou ter mandar rezar missa EM LATIM, sô.

Agora, falando sério, este domingo-que-não-chove-querendo-chover tá pedindo uma reprise do Auto, valendo. A segunda da semana. Tô viciando de novo?

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De férias no micro (não devia, era para estar sendo uma boa acadêmica, mas não): criei um lindo avatar no site dos Simpsons (desenho que eu não gosto, mas a Lu mandou, eu obedeço, hahahah). Com cabelos azuis e tudo (uma licença poética, digamos, e uma homenagem ao azul). Agora a burróide aqui não sabe salvar prumode o site é todo em Adobe Flash (não vale copy/paste). Vou ter esperar que esperar a Lu ler, ter pena e me ensinar, como sempre, kkkkk.

Eu queria mesmo era um desses do Backyardigans. Eu quero, eu quero, eu quero.

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A mula: fui procurar Meet the Flinstones (no subtitle - tá bom, o subtitle é móvel : "when we are with the flinstones..." Lembrou ou quer que desenhe?). A versão tradicional. Daí, duas horas depois, tá lá o arquivo. Feliz, vou escutar: piada. É uma versão disco em castelhano. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK. Muito boa! Mas de quem, eu num sei. Será a versão para Los Picapiedra do B-52 (do fundo do baú, B52!)? Viva a internet!

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Hoje está mesmo sendo um dia ótimo, altamente produtivo em termos blogais. Acabo de aprender, por exemplo, por acaso (esse mouse é muito rápido, esse micro também), o que é 'blockquote'. Errando e aprendendo, como na vida, num é uótimo?

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Antes que o post acabe (afinal, esta manhã começou eu lendo fofoca de novela) : o Edvaldo da novela das oito vai morrer, né saco? Saco, saco, saco. Pobre nem em novela pode enricar, que matam logo, vixe. E é a megera clonada quem (que? Meu Deus, e essa criatura é uma acadêmica, senhor) vai matar.

(Detalhezinho besta: o nome da foto do Edvaldo no link acima é "olavomorre.jpg. Isso é que é vilão que se preze, até o webeditor quer matar, sô).

E "por incrível que pareça, Fred e Camila se divertem muito na lua-de-mel, que acontece no Taiti"1 (loucuras de acadêmica, essa nota) . Isso já passou? Perdi a novela nos últimos dias semana. Só vi mesmo vovô morrendo (que cena de desastre ma-ra-vi-lho-sa) e rico-empresário na pré-comilança de pequena-empresária-mas-legal-porque-afinal-se-trata-da-Glória-Pires. Rico empresário tá ficando bonzinho, tão esquisito. Só não é mais (esqisito) prumode se trata do Tony Ramos...

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Eu estou pensando em deixar de ser chata por aqui. Tá bom de desgracência, "quem gosta de tristeza é o diabo". Para ver se minha meia dúzia de leitores fiéis voltam a ser fiéis. Argh. Essa foi prá se lascar. Tá bom, depois dessa, eu tenho que ir comer.