31 de out de 2011

Lembrando meu vô, no #diadrummond

A hora do cansaço


As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.

Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

Do sonho de eterno fica esse gozo acre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar. (CDA)



29 de out de 2011

Mais um

Em homenagem a Ana Laura, que nem bem eu acabara de postar o teste do livro, postou no Facebook esse do Fernando Pessoa. Aí eu não resisti...


Que poema de Fernando Pessoa você é?



Apontamento, Álvaro de Campos


A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmo, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

Que livro nacional você é?

No #DiadoLivro, faz aí: Que livro você é?

O que achei mais legal aqui foi não apenas o teste, mas o fato de haver me indicado um livro que eu nunca leria. Parabéns a quem o criou!


Eu sou...





Descolado, objetivo e realista. Cult. Você deve se sentir mais à vontade longe de shoppings, da TV e de qualquer coisa que grite “cultura de massa”. Nada de meias palavras: a elas, você prefere o silêncio. Você não vê o mundo através de lentes cor-de-rosa, muito pelo contrário. Procura ver o mundo como ele é, entendê-lo, senti-lo. Às vezes, bate até aquele sentimento de exclusão, ou de solidão. Mas é o preço que se paga por ser um pouco "marginal". Não se preocupe, pois você atrai a admiração de pessoas como você: modernas no melhor sentido da palavra.
Em "O vampiro de Curitiba" (1965), Nelsinho protagoniza uma variedade de contos, nos quais ele busca satisfazer sua obsessão sexual vagando pelas ruas de Curitiba - paralelamente, esta cidade de contrastes se revela ao leitor. A temática e a forma já denunciam: este não é um livro para qualquer um. Tem que ter cabeça aberta para enfrentar a linguagem nua e crua de Trevisan, que é reverenciado pelo leitor capaz de driblar velhos ranços burgueses.

9 de out de 2011

Dia de limpeza

Dando uma ordenada na lista de blogs amigos. Tava mais que precisando, considerando que nem lembro a quantos anos não faço isso...

Estranho como tanta gente agora só abre seu conteúdo para convidados. Me parece bem avesso ao ritmo atual do cyberespaço - a privacidade é cada vez mais uma exceção. Talvez seja até uma reação natural. Enfim, cada um com seu qual, cada macaco no seu quadrado - é assim que deve ser. De alguns gostaria de me manter assinante, mas este já é outro departamento, para outra bat-hora e outro bat-local. Quem quiser me mande convite, que atualizo a lista.

Uma sensação forte que percebo ainda é: um blogueiro de verdade dificilmente vai deixar de ser. Assim, a maior parte dos blogs que acompanho a tantos anos continua lá, firme e forte, alguns bem atualizados, outros nao. Você o abandona às vezes, mantendo-o apenas a pão e água, unicamente para que você mesmo e outros continuem a saber que ele ainda existe, ainda que ninguém te leia. Contudo, um fato do qual não resta dúvida alguma para mim hoje é: blog, quando espelho do dono, não dá para apagar, como não dá para tirar o reflexo do espelho!

Boa noite de domingo, e uma ótima semana pros passantes!

8 de out de 2011

Música é que nem borboleta

Siapaixonando por esse tal de Marcelo Jeneci.







Essa é ainda melhor.







Se não aguentar, corra.







A MPB tá salva, o cara do Youtube tá certo.

7 de out de 2011

Hope - Emily Dickinson

Ouvi no rádio - traduzida. Adorei. Para guardar.



Hope is the thing with feathers
That perches in the soul,
And sings the tune without the words,
And never stops at all,

And sweetest in the gale is heard;
And sore must be the storm
That could abash the little bird
That kept so many warm.

I've heard it in the chillest land,
And on the strangest sea;
Yet, never, in extremity,
It asked a crumb of me.


- Emily Dickinson





Esperança é a coisa com penas
Que se empoleira na alma
E canta um som sem palavras
E nunca, mas nunca, pára,

E mais doce é ouvida no vendaval;
E dura precisa ser a tempestade
Que poderia desanimar o passarinho
Que mantém aquecidos a tantos.

Já o ouvi nas terras mais geladas
E nos mares mais estranhos,
Entretanto nunca, mesmo no desespero,
Ele pediu uma migalha a mim.



Musiquinha de novela




Linda...

Muito anos 50, né?

3 de out de 2011

Selecionado...

... o poeminha abaixo no 2o TOC140 POESIA NO TWITTER.



VARANDA

O mar entrou com o céu
na sala vazia
e ficou por ali.
Não saiu nunca mais.




Feliz!