28 de set de 2006



Olhei a pouco esta face na televisão e um nó me subiu à garganta.
Porque lembrei que foram outros os olhos com que a assisti quatro anos passados, e em outros quadriênios anteriores, no tempo em que eu e tantos outros acreditavam em algo.
Não porque ele sabia, especificamente.
Porque não consigo mais extrair desses olhos uma certeza que era extrema ante o reflexo dos outros olhos que o fitavam.
Esta face me lembra outras faces.
Invadiu-me um perplexidade sem raiva, ódio, temor,
mas transbordante de uma amargura muito surda que virou lágrima.
Uma desesperança profunda quanto ao futuro, um cair os pés na terra afinal, de que a juventude acabou em mim.
Sentimento estranho, opresso, para quem reluta permanentemente a afastar-se de um furor que era meu, e parece que já não é mais.
Sentimento associado a tantas outras perdas pessoais, encantos que se foram, aguardando que a trilha de flores que se tornou deserta se torne estrada madura.
Estou ficando velha.
Finalmente a frase da canção é verdadeira e sei que é exato isto o que ocorre, aquilo que supúnhamos não seria nosso destino: “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”.
Não sei que futuro haverá para minha filha. Luto dia a dia para que exista um futuro permanentemente a sua frente, mas agora duvido demais. Queria que ela fosse por tantos anos crente como fui. Mas não sei se isto será possível.

26 de set de 2006

Ética em tudo

Lendo Dona Vera, soube da Blogagem Coletiva sobre Ética proposta por Laura em seu até então para mim desconhecido Laura Vive (parabéns pelo blog e pela iniciativa, Laura, nesses tempos de tão intenso vazio de Bem , e mais especificamente "momento depressivo" nacional no que tange a política - adorei a expressão). Não estou inscrita na blogagem e não ando disposta, como a maioria, a discutir política, mas enfim, estava escrevendo sobre algo e percebi que era sobre ética que falava.

Era esse o texto:

Vou-lhes dizer algo: tenham sempre muito cuidado com bondade excessiva. Pode parecer estranho esta fala, vinda de minha boca, pois sei ser exatamente esta a impressão que muitos tem de mim ( e vai ver por isso mesmo alguns de mim desconfiam, no caso, os menos espertos). O fato, porém, é que sou exatamente aquilo que demonstro ser - uma pomba-lesa - fazer o quê? Uma idiota em estado puro. Não, não se trata de crise de auto-estima (no máximo, um tico), porque possuo decerto uma espécie de orgulho por esse estado de pureza que, embora dificulte a vida, me fortalece tantas vezes. Mas, voltando ao começo, quero lhes dizer que duvidem. É uma tola que vos fala. Duvidem, sempre. Duvidem da pele de carneiro que reluz sobre os ombros alheios, porque raramente ela escorrega. Duvidem da prestimosidade em excesso, do zelo em excesso, da atenção em excesso. Humildade em excesso: também é mau sinal. Este é um exercício que muitos aprendem e põem em prática por inconsciente necessidade de sobrevivência, talvez. Ou não (essa minha eterna tendência a ver tudo com bons olhos me mata). Mas enfim. É uma forma cruel de lidar com os que são verdadeiramente crentes nas virtudes. Deixar-se envolver por este jogo machuca tais crenças e confunde os valores.

No fim das contas, ética não é algo segmentado, que se deva esperar dos políticos e dos administradores. Ética é um exercício contínuo e que se confunde com o ar que respiramos, e que devemos vivenciar a cada passo que damos, cada vez que olhamos alguém ao nosso lado. Incrível como somos capazes de desvirtuar, sem nos dar conta disso, as relações mais próximas que cultivamos, e fazer mal ao próximo sem disso nos aperceber. Há situações culturais tradicionalmente consideradas normais que na verdade expressam esse "atraso ético" que vivemos (péssima expressão, de fato, mas sei que vocês entenderam). É o pai e a mãe que instigam o consumismo nos filhos com promessas de mil presentes, gerando monstrinhos que apenas comprendem o verbo ter. É a moça seminua que transita na calçada vendendo sua imagem sem conteúdo, e de tal forma aquele sentimento se cristaliza nela que, realmente, ela passa a não conseguir desenvolver conteúdo algum mais, e tantos dissem: "Qual o problema em mostrar o corpo? Quanto puritanismo!". É o macho que crê poder guiar suas atitudes junto à mulher pelo que dita seus hormônios, a despeito do sentimento alheio, porque, enfim, nos dias de hoje, sexo é tudo. É o pagar aos "serviços" do flanelinha de rua que "toma conta" da sua rua, pois é ele seu dono. É o olhar por cima seus subalternos, depreciando-os sem emitir som. Enfim, poderia passar o resto da noite a enumerar situações. Resumo, porém, como a seguinte máxima: esse é o mundo construído por nós. Não pelos políticos, que são, de fato, seus maiores beneficiados. Mas eles não são senão o reflexo daquilo que permitimos que sejam. Reflexo das atitudes que temos ou que admitimos nos outros. Se cada um pensasse apenas 10 minutos por dia nisso, quem sabe teríamos um mundo melhor e seríamos mais felizes...

24 de set de 2006

Estou cansada do incessante ir e vir dos dias.
Estou cansada.
Preciso de enlace, não sou navio sem porto.
Preciso de chama, não sou vela apagada.
Curvas demais me assustam na estrada que avisto.
Quero mãos que me afaguem na eternidade dos sonhos que acalentei.
Sou um ser de faces a fitar-me, e soprei todas as tochas do caminho.
Sumiram todos.
Não sei abraçar a escuridão.

23 de set de 2006

Ora pois pois

Então, serei eu a única criatura cibernética a não ver a Dona Cica furnicando na Espanha? É graça. Pior que eu só soube hoje do dito fato, até escutei que acontecera algo a moça que andava impressionando a todos, mas não fui muito atrás, certo? Bom, YouTube tirou o vídeo do ar ("This video has been removed due to terms of use violation"). Nem percam seu tempo indo lá. Ah, esqueci, todo mundo já viu, menos eu.

Não vou ver em nenhum outro lugar. Ando paranóica com internet depois que virei vítima de hackers roubadores de senhas bancárias. Foi, virei. E o fato é que minha curiosidade era muito mais para saber até que ponto a garota chegou. A Dona Cica não tem jeito mesmo. Vá gostar de aparecer assim na China, sô.

E está aqui a chamada porque, afinal, Dona Cica já foi figurinha fácil(ops) aqui no Maio, nos bons tempos em que meu bom-humor produzia o Segunda-Fútil. Tem cadeira cativa neste blog. Ademais, sou maria-vai-com-as-outras, e dez em dez blogs publicaram sobre a brincadeirinha praieira da Cica.

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Outro dia foi a Juliana Paes. Não soube muito bem dos detalhes. Parece que a moça saiu prá balada sem calcinha e pimba! O fotógrafo pegou. Depois foi chorar, no Faustão. Parece que foi. Mas que fofo. Esse pessoal famoso não aprende que é famoso, não é? Tão bobinhos.

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Falar em YouTube, andam todos viciados nele, não estou certa? A cada três posts, a Querida fala dele. Imagem é tudo neste mundo, é certo. Por isso nem todos apreciam um blog basicamente escrevinhado como o da Vilmetes, mas deviam (citação retribuída, Vilma! Beijo!).

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Ainda não tenho candidato a Deputado Estadual. E meus brios de pessoa politizada começam a devorar-me com esta preocupação sobre votar em branco. Recifenses, colegas, indiquem uma boa candidata a Deputada Estadual (uma candidata boa, não).

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Fiquei satisfeita com tudo, de repente. Não sei porque. Ah, desculpem, eu sei.

Gostaram das abobrinhas? Melhores, né? Melhores que esta pasmaceira de letrinha de música e poeminha. Será a mudança zodiacal? Ah, sim: acho que já é hora da série "Aos Filhos".

19 de set de 2006

Que pena...



... ele não veio dormir na minha árvore hoje...

Bem-te-vis são guardiões desta cidade. Eles estão por todos os lugares; há os menores, que o povo chama sibitos (são todos bem-te-vis para mim) ; e os belos, grandes, elegantes. Este que dormia ontem no galho ao lado da varanda não era dos menores, e estava todo arrepiado de sono...

"Bem te vi, bem te vi/andar por um jardim em flor/chamando os bichos de amor..." Jardim da Fantasia.

Inscrevi-me a tempos numa lista de observadores de pássaros para me inteirar mais da prática, entretanto nunca resta tempo para isto, humpf... Fico apenas no amadorismo solitário de alguns minutos na tarde de minha árvore e alguns domingos eventuais no parque...

E você, que pássaros estão na sua árvore? Tem árvore por aí?

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Update - Ele voltou hoje à noite!

Ele dorme aí dentro... Ou quase.. Essa é a goiabeira namorada do mulungu...

Cuidado

Um blog exige um cuidado que, no momento, não estou podendo dispensar a este.

Desculpem.

Mas, sabem, de repente é até bom.

Além do mais, estou numa gripe daquelas que só se tem a cada dez anos, e num sem-fim de ocupações que estão me tirando da mente mil coisas, entre elas as idéias.

E como dizia o Belchior na voz da Elis: "viver é melhor que sonhar".

É?

Sim, é. Tem que ser.

11 de set de 2006

Retrato

Tenho essa tez leve,
branda, limpa e renovável:
a vida passa
e permaneço.
Não me tocam a flor da alma os anos com vigor ou destempero.
É alto o preço?
Saberei.
Não é perfume o acento impávido do não, contudo.
Pouco tenho, muito possuo.
Ao findar, seremos todos terra.
Eu
já sou terra.
Sei emergir de um recanto distante em mim que desconheço,
do qual não me perco mesmo nos sonhos.
E que me envolve e reaviva a face,
o brilho,
o riso,
a criança que cultivo no reflexo dos olhos que trago.
Sou teu contraposto.
Ponto.
Não teu contraponto.

Ela merece...

... um post, ainda que pequeno, só dela.




Vão vê-la, colegas.

9 de set de 2006

Discorrendo sobre temas alheios. E outras do dia

Porque afinal eu leio os blogs alheios, ainda que nem sempre...

Lidos, levantem o dedo.

-Eu tenho escolhidos também três dos cinco cargos a eleger em outubro. Não sei ainda prá presidente, porque será (meda meda meda)? Vou votar no partido do Gabeira (PV) para que ele (o partido) permaneça no congresso, pois afinal, considero importante que as minorias relativamente sérias se façam presentes. Mas basicamente por isto, se tiverem algo muito mal a falar do partido me contem (meda meda meda). Ah, e quero uma candidata (mulher!) para Deputada Estadual em Recife, mas ainda num achei uma a altura.

-Eu quero rodízio de sopa em Recife, por favore. Empresários da gastronomia recifense, leiam Maio, 26.

-Essa capa azul do Chico, tinha em vinil lá em casa. Eu não vou falar desse assunto que você falou.

Está altamente panelinha e umbigal esse post, sorry. Quem entendeu, entendeu, quem não entendeu, não vai entender nunca. Blog é coisa de gente doida, estão aqui porque querem.

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-Tia, eu vou fazer cocô (onde mesmo fica o acento?).

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Sinceramente, o sitemeter é confiável?

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Estou seca por safra potteriana.

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-Tia, eu estou fazendo cocô (Porque as crianças necessitam tanto de confirmação, Senhor?).

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Afinal, assisti A Máquina, do João Falcão, baseado em história da Adriana Falcão; filme sobre o qual falei por tanto tempo aqui. Não sei se gostei muito, precisava rever em outra época. Tenho que comentar aqui, certo? Tanto que enchi o saco com isso nos últimos anos. A peça é bem melhor. A história é muito boa, não sei se foi porém uma boa idéia transformá-la em filme. Elenco: o Paulo Autran, como sempre, não necessita de maiores comentários, bom para se lascar; a Mariana Ximenes não engoli muito bem, mas pelo menos seu sotaque não ficou dos piores. Colocaram lá o Aramis Trindade e o Lázaro Ramos meio que mais para encher linguiça, me pareceu, coisa de panelinha. Estão muito bons, mas são apenas coadjuvantes. Destaque: a Gislaine (Fabiana Karla), como a mãe do Antônio. Vamo' rir que é bom. O ator (novato?) que é o protagonista não é mau, mas enfim, seu nome é Gustavo Falcão (filho, sobrinho, o quê?). Ah, gente, 'xa prá lá. Família é tudo, eu que sei.

Tô meio ruim para apreciações de fato, ultimamente, desprezem minhas palavras.

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-Quem é britânico nasceu aonde?

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Imagem do dia:




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Ando doida para fazer testes, mandem.

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-Fez!

7 de set de 2006

Os bodes e os bodes

Deu bode na criança-carroça que fito neste dado instante... Vejam nós dois juntos, não formamos um belo par?



E deu outros bodes...

Deu uma bodada inteira por essas bandas, para ser exata.

Mas tá tudo bom, mesmo tendo falecido o faniquiteiro do homem das cobras... Rapaz, fiquei chocada... E eu que nadei em cima de um casal romântico de arraias anos atrás, vôte...

Olha, o Google não sabe o que é um bode, boto lá na busca de imagens e vem tudo, menos bode, vôte... Que bode...



Achei... O Google só sabe o que é cabra...

Falar em bode, cês já comeram carne de bode? Hummmmm....

Olhaí, o faniquiteiro...



Eu achava lindas suas botinhas... Digo, acho...

Sim, ando muito assimétrica ultimamente.

A frase em voga é: há males que vem para bem. Vejam como foi bom a carrocinha aqui pifar de vez. Ressuscitou, modisqué até que tá animadinho...



Plantão extra - O Clodovil é candidato a Deputado Federal! "Meu amorzinho", vai dar lêlê!

2 de set de 2006

Mistérios II - A fala de uma tola e crente criatura, talvez, espero que não

Há mistérios em todos o seres? Não há mistérios nos pássaros. Eles chegam em fulgor à minha árvore. Seus trinados afogam-me em paz, seus corpos são leves entre verdes e galhos. Confundo-os com folhas e borboletas, em minha humana pressa que pouco vê e nada sabe, mas busca. São livres suas asas, sem códigos, percebo. Assim é o tempo, a vida, a natureza, de que somos parte, o ser que somos. Não há códigos. Há livros abertos, basta lê-los. Saber-se pássaro, apenas, é o que nos cabe. Desvendar as amarras, dissolver as trincheiras, ver-se inteiro, sem maus presságios. Cessar o repetir-se, “assim é, assim é”. Tudo parece ser o que cremos ser - e isto ofusca, e faz esquecer: é essencialmente bom o ser, qual o beija-flor que pousa na fina rama. Somos ave. Esses pequenos que retornam ao meu chamado. Não fomos criados à imagem e semelhança do turvo. Somos água límpida, de nascente, que mana. Lembre-se, és nascente. E toda nascente mana, exala, bem que é divino, que não nos pertence, que não se pode perder - é bem de todos, do todo de que somos parte...