11 de dez de 2005

As asas na poesia



"Quando ele aparece
bonito e mudo se posta
entre moitas de murici.
Faz alto-verão no corpo,
no tempo dilatado das resinas.
Como quem treina para ver a Deus,
olho a curva do lábio, a testa,
o nariz afrontoso.
Não se despede nunca.
Quando sai não vejo,
extenuada por tamanha abundância:
seus dedos com unhas: inacreditáveis !"
(Memória Amorosa - Adélia Prado)


(A idéia na imagem - Sandra Chinelate - é pura licença poética desta que vos fala!)

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