
"No Brasil, essa retomada (da prática da contação de histórias) começou há cerca de 15 anos. Uma mescla entre teatro e literatura, o hábito de contar histórias ia perdendo força, a não ser por iniciativas individuais e excepcionais de pais e educadores.
A contadora pesquisadora, escritora e professora Regina Machado é talvez a maior responsável pela volta dessas tradições no Brasil. No começo da década de 80, ela decidiu pesquisar a narração literária e a oralidade como instrumentos pedagógicos. "Havia informações de que assim a aprendizagem da criança funcionava melhor, e quis saber o porquê", confessa.
Sem fazer propaganda alguma - só no boca-a-boca -, acabou sendo requisitada por diversas escolas, livrarias e empresas. Continuou suas pesquisas, e passou a fazer oficinas na capital e interior. Acumulou nesses 15 anos um repertório com mais de 200 histórias e ajudou a formar dezenas de grupos de contadores pelo estado."

"Nada é fácil nas histórias recontadas por Regina Machado. Elas têm sempre um enredo intrigante e um desfecho surpreendente (em vários sentidos), além daquilo que costumamos chamar de “moral da história”. Mas, graças ao vínculo estreito que mantêm com a sabedoria do mundo tradicional, parece de certo modo que elas nunca são contadas até o fim. Como matéria de reflexão sobre a condição humana — mesmo para crianças —, elas não se esgotam. Podem sempre ser ouvidas mais uma vez."
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