1 de out de 2008

Belchior / Drummond

Um sabiá
na palmeira, longe.
Estas aves cantam
um outro canto.

O céu cintila
sobre flores úmidas.
Vozes na mata,
e o maior amor.

Só, na noite,
seria feliz:
um sabiá,
na palmeira, longe.

Onde tudo é belo
e fantástico,
só, na noite,
seria feliz.
(Um sabiá,
na palmeira, longe.)

Ainda um grito de vida e
voltar
para onde tudo é belo
e fantástico:
a palmeira, o sabiá,
o longe.

(Nova canção do exílio - Drummond)


Fiquei meio besta quando vi que em minha saraivada no emule cacei algumas preciosidades de um trabalho que desconhecia, este As Várias Caras do Drummond. Digamos que eu o percebi como um sonho de consumo realizado, que contudo eu sequer me permitira sonhar existir. Foi assim mesmo o sentimento.

Mais informações no link em riba. Inclusive sobre os desenhos, todos feitos pelo próprio Belchior.





E o poema eu posto como se fosse uma imagem. Está vendo o sabiá, a palmeira e "o longe"? Que imagem fantástica não? Só Drummond mesmo, sô...

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