3 de out de 2008

Apenas divagando, por puro vício da escrita...

Ó, vício maldito...


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Num fim de tarde, no último dia útil de uma semana repleta, é macio dirigir pelas ruas mais antigas da cidade, sempre cheias de gente. Tem uma poesia incoerente nisto, eu sei. Mas é a sensação de pertencer a um lugar, de estar em casa, de saber aonde vai, o que está fazendo, que há um lar que te espera, alguém que te espera. É tão poderosamente básico isto para minha felicidade interna, que chego a temer pela possível, ainda que improvável, futura ausência de qualquer destes elementos. Paranóia? Paranóia. Está diagnosticado (este meu desejo intrigante de me descascar é que ainda não está).

A sexta-feira é e sempre será o melhor dia do mundo.


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É muito estranho perceber que alguém que observou sua dor em algum momento antigo, e que agora passa por algo assemelhado, procura seu olhar para silenciosamente dizer "olhe, estou passando por isso, o que eu faço?".

Eu ainda não aprendi a reagir corretamente nestas situações. Desconheço a medida ideal. Não há meio termo para minha sinceridade ingênua e desfocada. Por mais que tente podar-me, é inútil, e se insisto me perco. Não sou ouvinte, sou centro. Não sou alguém para os outros, sou alguém para mim mesma, o que é terrível e comprova minhas muitas lacunas: ainda volto muito para este planeta, podem crer. O monstruoso em tudo está que internamente uma voz me diz "você está certa". E estou tão plenamente convicta desta realidade de concreto armado, é o ó do borogodó...


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Estou muito confessional, concordo. Foi quanto a consulta? Como você não disse nada, pode me dar um desconto?


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Só para alegrar um pouco o ambiente, um comentário desconexo, sobre cinema brasileiro (uma das especialidades do Maio, como sabem): assisti Bezerra de Menezes e achei muito chato, o que é bem incomum para mim, uma apreciadora dos filmes brasileiros, mesmo os mais cabeça (que palavra antiquada, senhor). Para completar, eu o assisti numa noite de sábado, na sessão saideira, o que acho algo muito chato para se fazer numa noite de sábado. Quer dizer: na realidade eu a muito não fizera, e tinha uma certa curiosidade por rever a sensação. E, por fim, resumo o resultado: vai demorar muuuuuuito para que eu volte a fazer.

Mas, voltando ao filme: é muito estranho que eu não consiga aqui extrair dele nenhum elemento interessante, porque, digamos, sou uma verdadeira devota ao nosso cinema. Sempre encontro algo bom em qualquer filme brasileiro. Neste, contudo, só posso dizer uma coisa: é um filme do Carlos Vereza, interpretando... ele mesmo. Que é uma personalidade muito legal, mas que, enfim, é apenas ele mesmo. Bem que eu preferi ver HellBoy 2 (esta não é uma boa crítica, mas quero vê-lo de todo jeito), mas meu voto foi vencido... Del Toro vai ter que me esperar mais um pouco...

Outro na fila é Ensaio sobre a Cegueira (não precisa link, precisa? Tô numa preguiça...). Mas este tenho que escolher um dia muito bom para assistir, pelo que li por aí...

Tasco aqui o trailler de HellBoy II. Ai que vontade que dá!


Um comentário:

Conrado Falbo disse...

oi sweet!

1 - sexta-feira realmente é o melhor dia do mundo.

2 - adorei o primeiro hellboy e fui ver o segundo. decepcionei-me totalmente... sofrível... se vc topar a parada, espero que sua impressão seja melhor que a minha...

bjo