27 de jun. de 2006

Rapidinhas de férias

Muitos, muitos novos posts na nossa Cozinha Potteriana, o blog que eu, a Lu, a Bruna, o Marcus e a Maria. Andava meio em baixa, mas a Lu foi lá e deu uma melhorada no marasmo. Só me resta divulgar o pobrezinho... Vão lá saber a última da Dona Jo e dêem seu pitacos (eu já dei o meu...)

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Sobre a Copa: confesso que ando mais animada após as vitórias da primeira fase, em especial na última, contra o Japão. Espero que este sentimento não acabe hoje as 12:00h. Qual o seu placar? Sendo otimista, arrisco um 2x1, mas no fundo, no fundo depois do jogo Suiça X Ucrânia de ontem começo a sonhar com pênaltis, argh...

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Como se pode depreender do título do post, estou em férias, gerais. Nos dez dias seguintes a próxima quinta-feira talvez tornem-se escassos os posts aqui. Motivo: Maceió, minha sereia... Sair um pouco deste mundo e esquecer suas esquinas... Quem sabe lá anda fazendo mais sol...

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Sim, pois Recife não é mais a mesma. Chove descaradamente e faz frio. Mudanças climáticas deste nosso planeta. Ando hibernante. Fui ao interior pelas festas juninas e só queria dormir em pleno meio-dia (efeito não apenas das noitadas, mas principalmente do tempo gélido). Gosto não de estar assim.

26 de jun. de 2006

Aos Filhos de Câncer



"Caranguejo, signo da última estação
Do segundo lugar
Do primeiro desejo
Que não há
Como dissimulando se esconder no porão
Caranguejo da canceriana solidão de horizontalizar
Do canteiro de beijos que não dá
Como dissimulando se esconder no porão do ser
Caranguejo cada vez que a gente se encontrar no cio
Pode ser que não, mas eu quase adivinho
Que no coração alguém vai batucar
Caranguejo signo de quem só me chama de filho
E do meu coração, e do Gilberto Gil
Caetano é leão e sempre vai reinar (pois é)
Caranguejo símbolo da réplica fusão
Do que não caberá
Mas no primeiro ensejo brilhará
Como volatizando se ascender um balão
Caranguejo símbolo da réplica fusão
Do que não caberá
Mas no primeiro ensejo brilhará
Como volatizando se ascender um balão
Pro céu."

(Oswaldo Montenegro - do musical A Dança dos Signos)

21 de jun. de 2006

"Ah! o amor!"* ... ou o romântico, como queiram

Sofro de uma tendência irreversível de alcance e efeitos, em determinadas ocasiões, alarmentes: sou uma romântica. Entendo muito bem, portanto, este ser apaixonado, silencioso, afeito a explosões internas e raras erupções, devastadoras quando efetivadas. A lava, contudo, não queima o romântico, e ele nunca se cansa de desejar as chamas, mistura dor e prazer num não-sei-quê enlouquecido que é prato cheio aos psicanalistas da alma humana.

Sou, contudo, uma romântica cética, em lapsos de lucidez que me acometem mais vezes, acredito eu, que aos demais românticos: sei que deve haver uma justificante patologia psíquica a explicar o romântico. Deve ser o ascendente em capricórnio que leva-me a pensar assim. Também não me perguntem, astrologicamente falando, de onde vem este romantismo, visto que geminianos, salvo engano, não são essencialmente românticos – borboleteiam mais que amam. Isto não "herdei" de meu signo astral, possuo as provas (que não interessam aos senhores e senhoras conhecer). Deve haver alguma lua em vênus em meu mapa astral, imagino, pois, e um dia ainda o faço (o mapa astral), para confirmar.

O romântico é um figura datada, atemporal, para ele os séculos não se passam. Há sempre aquele ideal de beleza inatingível, algo que apenas ele compreende, nem mesmo os outros apaixonados. É um ser sozinho, portanto, sempre. Por mais amantes que possua, pois julgo eu que o amor do romântico nada tem a ver com sexo. Deve existir romântico "de tuia" atolado até o pescoço em aventuras meramente sexuais. Sexo, não esqueçam, serve em demasia como válvula para todo tipo de loucura, até mesmo desta chamada "ser romântico".

Sendo sozinho, o romântico é alguém que está sempre a espera. É um expectador. Espera um chamado, uma sombra, um vulto, uma voz, uma canção, porta que bate, telefone que toca, um olhar diverso, uma palavra numa tela. Não sabe nem o que espera, mas espera. Neste sentido, o romântico é definitivamente um bobo, pois o mundo, vocês sabem, é esta selva de pedra nossa de cada dia. Muito pouco romântico é o mundo. Por mais que as rádios não parem de tocar canções de amor, e nas novelas todo mundo se apaixone toda hora (por pessoas diferente, é certo), e todo semana uma nova comédia romântica seja lançada nos cinemas, o fato é que o "mundo moderno" (assim mesmo entre aspas, pois visto como ser único e mitológico) odeia o amor. Não há nada neste nosso mundo moderno que dê nem sequer um palito de fósforo de confiança ao amor. O amor, para este mundo, é de fato uma boa duma merda.

Ando obcecada pelo texto do Arnaldo Jabor que gerou o sucesso da Rita Lee, “Amor é prosa, sexo é poesia”. Já postei a canção duas vezes aqui. O livro encontra-se neste momento ao meu lado (tô curtindo). O Jabor concorda comigo quando fala: "O amor depende de nosso desejo, é uma construção que criamos". Sim, correto. Porém eu acrescentaria ser uma construção inconsciente. No começo. Pois é também um jogo que alimentamos e apreciamos jogar, ele nos diverte mesmo quando sofremos com ele. Tem algo de masô(quista) nisto, portanto, daí seu "quê" patológico. O romântico é um incorrigível, é o hipertenso que come sal, o diabético que come açucar. É um viciado, um caso perdido, não há jeito para o romântico. Plagiando o Jabor, quem souber o jeito, emails para maio26@gmail.com...


* O suspiro saiu daqui.


Ouvindo essa romântica (com a moça, não com os moços, por favor)...

20 de jun. de 2006

Where are you, Scooby Doo?

Cá estou em busca de inspiração. Não que não existam outras coisas a serem feitas, é que acho que o Maio anda abandonado. Sem muito assunto, mas desejando agraciar meu parco e querido grupo de meia dúzia de leitores com algumas palavras interessantes. Só me resta escutar esta aqui, gentilmente cedida pela Naomi em sua ouvateca, e aguardar que o santo baixe:

"Wuthering Heights
Kate Bush

Out on the wiley, windy moors
We'd roll and fall in green.
You had a temper like my jealousy:
Too hot, too greedy.
How could you leave me,
When I needed to possess you?
I hated you. I loved you, too.

Bad dreams in the night
You told me I was going to lose the fight,
Leave behind my wuthering, wuthering
Wuthering Heights.

Heathcliff, it's me, Cathy, I've come home. I´m so cold,
let me in-a-your window."

(O resto aqui)

Eu, em minha santa ignorância, fiquei com a interrogação na cabeça "quem diabos é Heathcliff e Cathy", e uma leve sensação de que se tratam de personagens de "O Morro dos Ventos Uivantes" ; como é que acertei, se nunca li o livro e a expressão "Wuthering Heights" não me diz nada além de "alturas" - "wuthering" não foi traduzido pelo Michaelis - é que não sei. Coisas da mente, este ser poderoso, misterioso, e que nos habita, ademais, segundo Osho (sim, para ele não somos nem nosso corpo nem nossa mente, mas nossa alma, e podemos nos separar desses dois primeiros por meio da meditação, uau). Taí, comecei sem saber o que falar, já estamos agora a cem por hora, mas eu juro que não fumei, cheirei ou tomei nada... O que Kate Bush e Osho possuem em comum não me perguntem, entretanto... Vão lá ler a Vilma que é o melhor que vocês fazem...

13 de jun. de 2006

"Que bonito é..."

Querem matar o Zagalo, meu Jesus. Sim, eu o vi no Jornal Nacional, chorando e beijando uma pequena estatueta de Santo Antônio que tirou do bolso. O que me fez recordar antes de mais nada: o dia do santo não foi ontem, é hoje, treze de junho - um engano plenamente justificável se partido de uma nordestina, já que na terrinha os santos juninos são sempre comemorados na véspera. Isto não é ilógico, acrecento, é coisa de gente que é muito trabalhadora (ao contrário do que possa parecer), mas também muito festeira, de maneira que a festa inicia na noite anterior, após a labuta, e dá para dormir direitinho para acordar cedo no dia posterior.


Foto hospedada em v-brazil

Mas voltando ao início, querem matar o Zagalo. Não há como se explicar que hajam levado um homem capaz de fazer aquilo diante das câmeras a Copa do Mundo, onde, de toda forma, a emoção será imensa, seja para o bem ou para mal. A vitória ou a derrota. E prá completar, a estréia é no dia do santo de devoção do homem. Ou não era, o homem virou devoto depois que viu a data, visto ser o número treze sua fissura. Que nada. A fissura do velho é mesmo a bolinha rolando sobre a grama verde. Paixão levada ao extremo exato, além do que.

Por coincidência, escutei de um amigo hoje o seguinte comentário, sobre o jogo de virada da Austrália sobre o Japão, nos oito minutos finais do jogo: que pesando os dois lados, o resultado deveria ter sido 1x1, porque o Japão jogara bem até perto do fim, depois a Austrália se superou, logo, houve equilíbrio. Discordei como sempre com um patada (ô, sina), com a idéia que aqui transcrevo: o meu amigo não consegue ver a beleza maior existente no futebol. Não é? Essa coisa trágica, de folhetim, que encanta, emociona, faz o povo berrar e enlouquecer: um time, em oito minutos, empurrar três gols numa equipe até então dominante. Qual o potencial inconsciente de um fato assim? Gente, a superação! A perda frustrante de um lado, a vitória exaltante do outro. Competição ferrenha: o campo gramado, local onde tudo é possível. O futebol é feito a vida. Ou como se quer a vida, não sei. Já sei: como é a vida de fato, pronto. Só que nem todo mundo consegue ver a vida como ela é de fato: possível.

Pronto, peguei o vírus. Com filosofia, não tem como não pegar.



Notinha: acabo de ler na Vera sobre o pedido de prisão pela Justiça italiana do Cafu, capitão da seleção, envolvido em um processo de falsificação de documentos. Caraca! Esse povo é mesmo louco por futebol, e a doença não é só brasileira! Concordo plenamente com a Vera e completo: estão se borrando de medo do Brasil. O que, em minha ótica, é preocupante, porque o medo é um combustível poderoso, quando consegue pegar fogo...

12 de jun. de 2006

Essa noite eu quero ir mais além

Ando tão ótima que nem tenho sentido vontade de escrever, para quem se preocupou. Nem lendo blog alheio, um horror, perceberam, né? Vou tentar me emendar. Perdi um tempão sem ler, ver filme, passear, agora, "se eu puder, eu vou me divertir". Se for com a Copa, que seja. Com festa de São João. Com quatro livros pegos de qualquer jeito na biblioteca. De qualquer jeito, vai, que estou a fim. E estou de férias, breve, completas.

Muito bem, daí que amanhã temos Brasil e Croácia. Porque todo mundo não pára de lembrar algo que todo mundo já sabe? Dez em dez propagandas lembram a Copa, e as pessoas não cansam de usar verde e amarelo, essa combinação muita feia. Além do que, que esquisita essa obsessão brasileira... Já a senti (e não nego que ela poderá voltar), estando, porém, de fora, na beira, dá para ver como é esquisita. É uma esquizofrenia, na verdade. De minha parte, já gastei os três contos devidos com uma bandeirinha para a filhota (dessas de colocar no carro, mas acho meio ridícula e não sei colocar, nem perderei tempo tentando fazê-lo). Tá de bom tamanho.

Hoje é Dia de Namorados, data com a qual nunca me liguei nem quando era namorada... digo, mesmo ainda o sendo. Sim, voltei a ser namorada, tão fofo e tão bom. Eu recomendo aos casais longamente casados, portanto, e fica tal dica como mensagem do dia dos namorados. Como chegar a tal estágio, é uma outra e longa história, que não conto: "cada um com o cada um dos outros" (como diria meu sobrinho-afilhado de cinco anos), digo, cada um com seu cada um. Mas voltando a data, sinceramente, prefiro lembrá-la como Dia de Santo Antônio. Alguém aê se recorda que este é o seu dia? Sim, é, e pensar em 12 de junho como seu dia a mim parece levar a duas vertentes bem mais interessantes que aquela única associada ao Dia dos Namorados, no caso, a comercial (dia de comprar presente e gastar dindin, inventado pelos lojistas-capitalistas, isso de ser dia de celebrar o amor é mera balela): primeiro a religiosa, porque santo é santo. Pensar em coisas de Deus é sempre bom, e os ateus que se calem. Adispois, tem a vertente cultural. Santo Antônio é festa do povo, da gente da minha terra, e prestigiar o povo, o folclore e cultura nunca é mau. Por tudo isso, vai aí a cara do santinho. Protetor dos pobres, "ajudador" na busca de objetos ou pessoas perdidas, e, de quebra, o amigo nas causas do coração.

8 de jun. de 2006

Porque buscar o mínimo, quando se tem o máximo?
De onde essa venda nos olhos que afasta da real verdade que há, positiva?
Porque desejar o que já se possui, de melhor quilate?
O desejo é uma mola irracional, potência infinita sem finalidade alguma...
Muitas vezes, é o próprio enxergar-se que está nublado, o que deriva em ingerência do querer, querer minguado, retraído, sem sincronia com o ser, que, embora não se amesquinhe, tem a visão de si próprio obscurecida... É o não amar-se que desagua em tal lodaçal. Então, deseja-se o pouco, o surdo e o mudo, o pequeno, o ensimesmado, o que tem o falso aspecto de amor. Não há concorrência entre sentimentos miúdos - como tal querer - e o amor de fato. Aos que não o conhecem, o amor de fato, não estou a altura de uma introdução. Nem sempre está aqui. Difícil defini-lo, difícil materializá-lo. Existe, porém, é fato. Não se indaga sobre as razões de tal certeza. Quem quiser conhece-lo, que o procure. Aviso que ninguém o encontra engrandecendo o próprio ego com sentimentos inúteis.

Detesto a experiência de fraqueza, porque não é de minha natureza este estar em mim. Ocorre de escorregar nela, mas não está em mim. Desejo o puro, o nobre, o franco, o forte, o vero. Sempre foi isso, de tal não me afasto. Abomino o descrente, o lasso, o que se desconhece e não se busca, o que se prende ao pobre e o que não se rende ao digno. Ao que se repete infindas vezes: "sou pequeno, sou pequeno, sou pequeno". Eu, não. Sou grande, forte e aço. Quem pretende-la, que se esforce e aprenda tal força. Não é da minha natureza também, mas se me faz bem ligar o "foda-se", eu ligo, e sigo na paz.

"A paz invadindo meu coração de repente me encheu de paz"


1 de jun. de 2006

Hello, babies

Ufa. Voltei. Andava com saudade das coisas normais da vida. O foco em um único problema é um saco que nem toda cabeça suporta. "Bom é mesmo amar em paz".

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A vida... Vou lhes dizer uma coisa: a vida é estranha. Mas é boa. Alguma razão há para todos os acontecimentos que nos cercam, ainda que, aparentemente, não. Aprender com eles talvez seja o mais importante.

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Não deu nem tempo de postar aqui, e já estão acabando com a festa da Suzaninha na tv. Que pena. Vivo querendo ir a um tribunal do júri (tenho me revelado péssima aluna), nunca tenho, porém, tempo.

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Já falei que tenho certeza de que o Brasil vai se dar mal nesta Copa? Está lançado a pergunta aos blogueiros amigos: vocês acham que o Brasil vai ou não vai pro Hexa? Eu adoro de paixão Copa do Mundo, mas não estou conseguindo me animar com esta e comprar brinco e colar verde-amarelo (argh), primeiro porque são horrorosos, segundo porque estou certa de que será perda de dinheiro.

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A Vera disse que um homem descobriu quem nasceu primeiro: foi o ovo, não a galinha. Ai, que emoção, vou correndo contar a Clarinha.

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E agora, falo de que? De mais nada, vou estudar. Tichaus.

30 de mai. de 2006

É raro...

... mas há vida sim nos emails que às vezes recebemos.

Para refletir um pouco sobre esta realidade(?) que vivenciamos neste mundo de telas e fios. Para nunca nos perdermos do verdadeiro mundo.

"Mundo virtual

Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia atribulado, para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias que a tempos não sei o que são.

Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga, uma salada e um suco de laranja, afinal de contas fome é fome, mas regime é regime né?

Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:
-Tio, dá um trocado?
-Não tenho, menino.
-Só uma moedinha para comprar um pão.
-Esta bem, compro um para você.

Para variar, minha caixa de entrada esta lotada de e-mails. Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas.

Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos.

-Tio, pede para colocar margarina e queijo também.
Percebo que o menino tinha ficado ali.
-Ok. Vou pedir, mas depois me deixe trabalhar, estou muito
ocupado, tá?

Chega a minha refeição e junto com ela meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir embora. Meus resquícios de consciência, me impedem de dizer. Digo que esta tudo bem.. Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma refeição descente para ele. Então ele sentou á minha frente e perguntou:
-Tio o que está fazendo?
-Estou lendo uns e-mails.
-O que são e-mails?
-São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet (sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de maiores questionários disse):
-É como se fosse uma carta, só que via Internet.
-Tio você tem Internet?
-Tenho sim, essencial ao mundo de hoje.
-O que é Internet ?
-É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar,aprender. Tem
de tudo no mundo virtual.
-E o que é virtual?

Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha refeição, sem culpas.
-Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar,tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.
-Legal isso.. Gostei!
-Mocinho, você entendeu que é virtual?
-Sim, também vivo neste mundo virtual.
-Você tem computador?
-Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo, eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome e eu do água para ele pensar que é sopa, minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas não entendo, pois ela sempre volta com o corpo, meu pai está na cadeia há muito tempo, mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos, de natal e eu indo ao colégio para virar medico um dia. Isso é virtual não é tio?
Fechei meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado.
Esperei que o menino terminasse de literalmente "devorar" o prato dele, paguei a conta, e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com um "Brigado tio você é legal!".
Ali, naquela instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade e fazemos de conta que não percebemos!
"

24 de mai. de 2006

Aos Filhos de Gêmeos em Maio, 26



"Curioso, dispersivo
Você sempre tem algo a dizer
Signo dos opostos
Signo dos vizinhos
Gêmeos há de ser:
Cada planeta, cada riso
Em cada esquina que houver
Cada extremo reunido
Cada homem gêmeo da mulher.
Gêmeos como a luz do dia
É vizinha do anoitecer
Gêmeos chuva, e quem diria
O sol que brilhará
Dor e prazer
Cada planeta, cada riso
Em cada esquina que houver
Cada extremo reunido
Cada homem gêmeo da mulher
"
(Oswaldo Montenegro - do musical A Dança dos Signos)



Parabéns prá você
nesta data querida
muitas felicidades
muitos anos de vida!


Este pobre blog tem a infelicidade de completar anos na mesma data de sua dona, uma criatura (do bem) que nunca tem tempo para ele em seu mais importante dia. Sim, amanhã será um dia longo, graças a Deus. Portanto, 25 de maio, para vocês, é 26 de maio, e está aqui o que deveria estar amanhã. Fazer o quê. Tó um pedaço do bolo que a Luci me deu ano que passou, congelei, e trago de volta para vocês:





Meus caros amigos, aproveito meu aniversário para agradecer a presença de todos que vem aqui ler estas abobrinhas que com amor escrevo. Hoje num tem discurso, estou meio que disposta a ser feliz amanhã.

Beijos mil.

23 de mai. de 2006

Amor revelado não é amor: é uma estrada chamada paixão, ao fim da qual abre-se o trevo que encaminha ao amor real ou a destruição. Destruição do que esteja ao alcance. Amor real que dispensa apresentação.

Amor tem hora de chegar. É como escreve o poeta, "amor é sorte". Mas não chega do nada. Constrói-se, é empenho. Plantar e colher. Nem sempre se colhe, feita a semeadura, porém. O plantar é apenas paixão. Sem a sorte, "o dedo de Deus", que escolhe os agraciados, não vinga a semente; colheita, amor, não há, restando a paixão finda em terra nua.

É longo e numeroso o dedo de Deus, muitos ele escolhe. O respirar da terra, contudo, é sabedoria só daqueles que ama as próprias mãos. Amor é ser de melindres, odeia solidão. Não entra onde já não está, na forma da luz própria irradiada do ser que se conheceu e se encontrou. Há, pois, que buscar-se, na busca pelo amor. Que amor é conhecimento; e conhecimento é tempo; e o tempo, este nunca se finda no semear renovado de cada estação. Aos apaixonados da desilusão não sobra, portanto, apenas o enervar-se nos campos desérticos do desamor, dos desejos sem freios, dos poços negros da melancolia. É paciente o criador maior com suas criaturas, incansável e amoroso. Está sempre a estender suas benesses e distribuir os presentes da sorte a seus filhos amados.


"Amor é um livro, sexo é esporte
Sexo é escolha, amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela, sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa, sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos
Amor é cristão, sexo é pagão
Amor é latifúndio, sexo é invasão
Amor é divino, sexo é animal
Amor é bossa nova, sexo é carnaval
Amor é para sempre, sexo também
Sexo é do bom, amor é do bem
Amor sem sexo é amizade
Sexo sem amor é vontade
Amor é um, sexo é dois
Sexo antes, amor depois
Sexo vem dos outros e vai embora
Amor vem de nós e demora
"
(Arnaldo Jabor/Rita Lee/Roberto Carvalho)

19 de mai. de 2006

Sexta-feira



Um dia frio, destes intensamente raros nesta cidade caldeirão. Acordar cedo, estranhamente disposta. Recusar a água. Sorver a solidão de neblina da matina de poucos seres à rua, na saída para a vida quase sossego. Sentir-se bem.

Ter prazer em atividades corriqueiras. Rir dos patos que buscam se abrigar sob o teto para homens, alheios ao belo jardim que lhes serve. Ouvir jovens palavras de conhecimento. Ser vista. Ouvir semblantes maduros a disser seus dias. Calar-se, aprendiz.

Aborrecer-se por coisas pequenas, logo passam. Pés n’água.

Chegar. Aguardar. Rever. Deixar-se estar em paz, movimento que retorna sossego no olhar do outro. Chamar. Confraternizar, ver o riso, sorver sorrisos. Ser abraçada. Ouvir e falar e ouvir e falar.

Decidir sem ilusões. Reter a breve gota de caos que se agita. Sorvê-la. Seguir.

Retornar aos seus. Paredes que serenam, aquecem. Conceder-se prazeres. Um livro, uma rede. Algumas páginas, pensamentos mansos. Um sono, um sonho.

A noite chega, sem pressa. E nada espero.

Bom final de semana para todos vocês.

18 de mai. de 2006

Vírus no Orkut?

Abro o MSN por acaso (mesmo, não tenho o hábito) e me deparo com um email do hotmail: Élida escreveu um recado. Como conheço uma Élida, vou lá ver. De repente, peralá... Não conheço esta Élida. Prá completar a moça me convida para visitar seu blog, pois ela instalou uma webcam onde poderei ver seu "corpo lindo e sensual". Eu mereço... Mas não estou aqui contando isto tudo de graça, para vocês irem procurar a Élida no Orkut. Ocorre que o link que a moça indicava apontava para outro página (colocando o mouse sobre o link, sem clicar, surge o endereço de direcionamento), o que é uma ocorrência típica do envio de vírus por email. Em geral, o link real é um poço de contaminação viral. Ou seja, a prática parece estar se disseminando também nos recados do Orkut. Fiquem atentos, usuários do Orkut interessados em corpos lindos e sensuais...

Maio não é só choro e vela, também é utilidade pública...

São Paulo

Um bom relato a ser lido, por uma paulistana que viveu tudo aquilo. Ela diz assim:

"Hoje as coisas ainda não estão normais. O que parece é que todos estão fazendo um esforço para voltar à rotina. Mas alguma coisa o paulistano perdeu nessa história. Ainda não sei o que foi. Não foi segurança, porque a cidade, como qualquer metrópole, nunca foi totalmente segura. Não foi também a calma. Mas talvez tenha sido aquele mínimo de tranqüilidade, aquela que nos leva a fazer planos simples, como onde tomar uma cerveja com os amigos no dia seguinte."
(Vilma - do blog Enfim, meu blog)
Trazer a alegria à alguém é sempre um ato que se eleva em meio à balbúrdia qualquer, sem nos retirar energia, porém. Ao contrário. Um gesto ou palavra que faz bem e, se por um instante o outro te olha e sorri, esta troca destaca-se da realidade como prêmio raro, brilha, e tudo em torno não mais possui som, cor, forma ou movimento. Incólume ao que resta abaixo, o bem que se fez é cristal agora parte de outro véu, em uma natureza próxima, não mais entretanto presente neste planeta...

""Tudo vale a pena quando a alma não é pequena."
(Fernando Pessoa)

17 de mai. de 2006

13 de mai. de 2006

Essa moça...

... se chama talento.

Uma breve amostra do que vocês podem encontrar no blog Meus Rabiscos, da Lu Farias, minha parceira querida, e uma ilustradora e desenhista porreta!






Lu, mudando só um pouquinho de assunto, não vá trocar a música pelo desenho, hein?

11 de mai. de 2006

Aos Filhos de Touro



"Topei com a estrela bailarina na rua
dançando um rock
em frente a uma vitrine, toda sexy,
vidrada num anúncio de batom no vidro,
preso com durex (dura lex - sed lex).
Um carro, um vestido e um brinco de ouro,
presente de um rico industrial do signo de touro
(dura lex - sed lex)

Quando é touro é um meio fecundo
em cada semente plantada um sorriso de gratidão.
Quando é touro é um meio fecundo
em cada semente plantada um sorriso de gratidão,
haja bom tempo ou não."

(Oswaldo Montenegro/Xico Chaves - do musical A Dança dos Signos)

Agora, Aragorn, a interpretação para Dona Lu (oia, num se nega pedido de Dona Lu, visse...). A máxima conclusão que pude extrair em gestos rápidos foi a de que, pelo jeito, o Oswaldo não gostou de nenhuma taurina...

Ah, Dona Lu, eu me lembrei da sua foto na banheira, lendo esta letra, juro por Deus, kkkkkkkkkkk...

10 de mai. de 2006

"Era uma vez um lobo mau..."

Hoje me lembrei do Lobo Bobo. Que coisa estranha compreender por meio de uma ferramenta tão pouco humana, como esta máquina que está diante de meus olhos, que não é a vida esta mera realidade que estes mesmos olhos enxergam. Este entrecruzar de energias que se completa nesta rede é uma prova disto. E energia não se vai quando se vão as pessoas que a reteram enquanto neste solo. O Lobo Bobo é a prova disto. Ele se foi e a gente nunca o viu, mas ele esteve aqui e permaneceu um pedaço dele na gente. Olha que poder nisto que ele escreveu, antes de ir embora.



"Há vezes em que a dor de existir é tão intensa, que precisamos morrer um pouco. Matar o que há dentro de nós mesmos não é tarefa banal. Disse um velho sábio americano de pseudônimo Mark Twain: "Na dúvida, diga a verdade". Lidar com a realidade por vezes é tão duro, que precisamos nos esconder dela. Há aqueles que enchem a cara, outros que se enfiam nas drogas... outros, como eu, fantasiam vidas inexistentes e as vivem como se reais fossem. Por anos, assumi uma personalidade que realmente era minha, mas vivendo em corpo algum. Muitos dos amigos que fiz desde então, tem a certeza absoluta que eu sou mesmo aquele aventureiro impulsivo, inconsequente, apaixonado e incontrolável. Talvez o seja, mas somente em minha mente. Vivi dentro de sonhos por não suportar a medíocre vida que me foi dada. Pois bem... foi duro ter que matar o Lobo. Mas ele já estava dando sinais que destruiria algo mais que eu mesmo. Começara a ser não somente a figura mítica montada na sua Harley Davidson e por opção morando no campo, refúgio seguro para seu descanso, mas tomava forma... destruidora e tátil, inescrupulosa e vil, ao se apresentar real e não virtual. Podem alguns pensar que uma mentirinha virtual é bobagem, não faz mal à ninguém, mas à mim fez. E se não sou desperto por insight fulminante, arrastaria outros ao abismo comigo. Não mais... não mais... No more lies. Por mais tediosa e desinteressante que seja a minha vida, é a única que tenho."

É mórbido falar da morte e dos mortos? Não é. A vida é aprendizado e a morte e a vida se completam. Preocupa-me que, os que me lêem e, hoje sei, gostam de mim, imaginem tragicidade em meu instante. Não é. Estou num momento especial da minha vida. Estou desfazendo um duro nó. Está sendo bom. Eu queria que todos vocês também desfizessem os nós que desatam as suas vidas, junto comigo, porque nossa energia está no ar, e é ela que mantem este mundo vivo.

9 de mai. de 2006

Conselho do dia

Quer ser feliz?
Viver bem a vida?
Destrua seus mitos
e siga para a alegria.



"Vejo, exato,
do sol que me ofusca,
o lampejo,
e que diz sem cessar,
cão maldito,
destrói de uma vez este mito.
"
(o nome do poeta não pode ser dito e não é o meu nome)