5 de nov de 2008

Coisa de gente velha

Eu fui buscar a letra dessa canção ("Lá em mauá/Teresópolis/Pirinópolis/Armação de Búzios...") que está na cachola (e por isso foi para o subtitle) e cheguei a um fórum qualquer desses da vida em que 4 criaturas conversavam sobre que música é essa.

E fiquei boba, porque "no tempo que eu era menina lá em Barbacena" (outro bordão que, breve, apenas os da minha geração entenderão, se é que já não é assim) todo mundo a conhecia.

Quando digo todo mundo significa dizer toda a população brasileira. 100% das pessoas que habitam este país, capisce? Tocava muito nas rádios, que eram então o principal veículo de divulgação musical (fora isso era a tv, e com internet nem sequer sonhávamos), e continuou tocando por muitos e muitos anos.

Só então, observando ou vivendo situações como esta, me apercebo do quanto, na verdade, vivemos em guetos não só físicos, mas também temporais, e nem sempre atentamos para isto.

Como a mudança sempre chega independentemente de nosso desejo, percepção, reação, ou seja lá o quê me ocorra dizer.

A fila simplesmente anda. Os trens correm nos trilhos. O tempo passa, só "a poupança Bamerindus continua numa boa" (ai, Meu Deus, mais um ser desconhecido, para muitos, em especial considerando que nem mesmo o Bamerindus existe mais).

Ai de quem não corre atrás dele. O tempo.

A grande estranheza para quem vive estes dias, mas viveu outros, com certeza é a rapidez com que tudo se transforma. E a grande verdade é que vai dando uma saudade... Não que não seja tão bom tudo o que nos oferece essa tal "mudernidade", longe de mim tal heresia, afinal, sou uma viciada em um de seus principais frutos, a internet! O fato, porém, é que era tão bom também! Tudo tinha um sabor novo, e experimentar a tantos intervalos uma nova música que nunca ouvira, encantar-se com um livro por estar diante dele em uma prateleira de livraria, sem jamais ter lido sobre ele, ir a um cinema só porque era o que estava passando e ao final apaixonar-se, poxa, que filme... Estar de madrugada em frente a televisão e nossa, imaginem o que passava no Corujão (kkkkkkkk)! Espantar-se com aquela notícia e falar dela por dias, descobrir o que não se sabia em uma enciclopédia, numa conversa com amigos, sem esta disponibilidade tão intensa que temos hoje em dia. No fundo, no fundo, com o tempo, isto cansa. O que me leva a concluir que não há nada de inteligente no que estamos fazendo de nós mesmos. Ou não.

Boa noite. Durma-se com tal barulho.

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