22 de mai de 2008

Amigos

Tive uma juventude maravilhosa.

Desta juventude, alguns amigos ficaram, com os quais me entendo a um simples olhar, ou, nesses tempos de internet, a um simples "oi, pode falar agora?", no MSN.

Posso passar anos sem vê-los. Contudo, é incrível como, após alguns minutos de conversa, parece que estamos sentados no chão dos corredores da escola em que nos conhecemos, naqueles tempos em que o tempo não importava, e podíamos trocar impressões sobre tudo que nos ocorresse por horas e horas, até que a noite caísse e nos chamasse a atenção - enfim, o tempo existia. Isto tampouco incomodava, porque o dia seguinte viria, e nós estaríamos ali, mas uma vez... não, desta vez estaríamos junto ao lago, ao sol. Continuando "aquela conversa/que não terminamos ontem ficou pra hoje". O fato é: controlávamos o tempo. E a distância. Como isto era bom.

Tenho muita saudade daqueles tempos. Uma saudade quase latejante, muitas e muitas vezes. Algo tão bom, tão bom em uma vida, que só por não mais existir "daquele jeitinho mesmo" dói.

Isto pode parecer cafona e chinfrim para muitos. É porém tão importante para mim, que ofendem-me os que pensam desta forma. Nem me leiam mais, eu peço, se ao iniciar este texto murmurarem "lá vem notalgia de novo". Porque não consigo compreender um mundo que despreza e ridiculariza tal tipo de sentimento, e isto é definitivo (vou morrer assim, não tem mais jeito). Fodam-se os cínicos, que certamente jamais passaram por tal experiência. Acho que prefiro ser uma pessoa triste a ser alguém desligado de tudo isso. O que eu espero um dia poder alcançar é saber controlar e entender essa tristeza. Neste dia, posso morrer, cumpri meu destino.

Não quero fazer a Ode à Nostalgia, porque ninguém melhor que eu sabe quanto isto pode fazer mal. A vida precisa seguir. Prolongar momentos de saudade é doentio. Isto quer sempre me pegar e como sou vulnerável... Mas estou sobrevivendo. Pode estar empatado o jogo, mas sobrevivo.

Até mesmo prá honrar estes amigos da juventude, que podem olhar diretamente dentro dos meus olhos e saber que sofro, ou que rio, ou que choro ou que peno e os amo.

Para vocês dois. Si e Lu. Um beijo imenso no coração.


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