5 de set de 2011

Todo poema tem sua semente no sentir ou na ideia? Não sei dizer. Mudo tanto e tão constantemente, que os ritos da palavra tornam-se nebulosos... Assim, de onde vem os poemas? Não vem dos acontecimentos, disse o poeta. Vem do momento translúcido que se vislumbra, estende-se a palma e lá brilha ele, mas tão fugaz... Como um sonho brando, tão difícil de recordar na manhã que segue... Súbito entre uma inspiração e uma expiração teu olho fixa o vazio ao longe... Ele reina tão sombrio naquela paisagem, árdua a visão estreita-se em busca... Pronto, se não o captura, passou...




Fonte



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?"
(CDA)

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