Escutando Marisa Monte. A pedidos.
"Silêncio por favor
Enquanto esqueço um pouco
a dor no peito
Não diga nada
sobre meus defeitos
E não me lembro mais
quem me deixou assim
Hoje eu quero apenas
Uma pausa de mil compassos
Para ver as meninas
E nada mais nos braços
Só este amor
assim descontraído
Quem sabe de tudo não fale
Quem não sabe nada se cale
Se for preciso eu repito
Porque hoje eu vou fazer
Ao meu jeito eu vou fazer
Um samba sobre o infinito"
(Para ver as meninas - Paulinho da Viola)
30 de nov. de 2005
Ela e eles
ELA: Aninha, Bate-bate, Birinaite, Branquinha, Cana, Cachaça, Cem Virtudes, Crua, Cura-tudo, Danada, Dindinha, Dormideira, Elixir, Friinha, Lamparina, Mangaba, Negrita, Otin(em nagô), Patrícia, Purinha, Rija (Portugal!), Tódi-de-garrafa, Traço (a que se toma de uma vez), Tubo (garrafa de bebida alcoólica)
Eles : Cachaceiro, Caneiro, Cu-de-cana, Pé-de-cana, Timbu
Eles com Ela: Alumiar as idéias, beber o mijo (oferta de trago aos amigos por ocasião do nascimento do filho ainda pagão), engolir água, puxar fogo, tomar uma, verniz (estado de embriaguez).
Direto do Dicionário Folclórico da Cachaça (Mário Souto Maior – 1920 – Ed. 1980) – Sem link: uma relíquia que não se acha no Submarino.
“Se o velho bebe cachaça
o filho bebe é branquinha
para não ficar ardosa
bota mel, faz meladinha
sai com as pernas traçando
como quem traça bainha.”
(Aderaldo Ferreira de Araújo – Cego Aderaldo)
29 de nov. de 2005
De cor e salteado
"...Tua graça caminha pela casa.
Moves-te blindada em abstrações. Como um T. Trazes
A cabeça enterrada nos ombros qual escura
Rosa sem haste. És tão profundamente
Que irrelevas as coisas mesmo de pensamento.
A cadeira é cadeira e o quadro é quadro
Porque te participam. Fora, o jardim
Modesto como tu, murcha em antúrios
A tua ausência. As folhas te outonam, a grama te
Quer. És vegetal, amiga...
Amiga! Direi baixo teu nome
Não ao rádio ou ao espelho, mas à porta
Que te emoldura fatigada, e ao
Corredor que pára
Para te andar adunca, inutilmente
Rápida. Vazia a casa
Raios, no entanto, desse olhar sobejo
Oblíquos cristalizam tua ausência.
Vejo-te em cada prisma, refletindo
Diagonalmente a múltipla esperança
E te amo, e te venero, e te idolatro
Numa perplexidade de criança."
(Conjugação do Ausente - Vinícius de Moraes)
Acordar pensando num poeta é sempre bom demais da conta. Viram já o documentário sobre ele? Está na lista.
Vai aí uma pessoa abusada?
Bosta. Eu digo "BOSTA". O papel com o post que ia estar aqui agora não chegou a seu destino. BOSTA!!!!!!!
27 de nov. de 2005
Pânico na TV, e no gramado também
Não sou e nunca fui uma sedenta por sangue; fiquei, porém, deveras decepcionada por não haver sido mostrada a cena de pugilato do Netinho no Vesgo, no Pânico, esta noite. Foi pesado assim? Ah, tá, paz é ótimo. Mas justiça e verdade também. Aguardo os acontecimentos. Espero que não seja parte de alguma espécie de acordo... Acordos são ótimos, mas sabe? Não se dá asa a cobra.
Colo aqui o post que a Rosana fez sobre o assunto em seu blog, sobre a PAZ. Tá colado. Mas continuo dissendo, PAZ é ótimo, Justiça e Verdade também.
-------------
E já que o assunto é violência, paz e afins: não sabem como fiquei triste com a derrota sofrida pelo meu time ontem. Não fui ao campo, mas estava bem perto, assistindo toda a movimentação do alto de um prédio próximo ao estádio. E claro, acompanhando tudo na telinha. Não acreditei no que vi: não só nas melecas que o meu time fez (ou melhor, nos acertos que não cometeu, perdendo dois pênaltis e deixando o Grêmio fazer o gol da vitória com três jogadores a menos em campo), ou nas que o juiz fez, mas principalmente na atitude dos jogadores do Grêmio ameaçando e atacando o juiz, impedindo por longos minutos a continuidade do jogo, cavando o chão no local em que seria colocada a bola para que fosse batido o pênalti. E esse povo ainda é vangloriado pela raça e garra com que concluiram a partida. Desculpem, sou suspeita para falar, mas o fato é que aquilo que assisti foram cenas vergonhosas.
Terrinha sem lei essa dos campos de futebol. Dá um grande desgosto ver como se transforma algo forte e poderoso que possuímos em pura titica de galinha...
E tem mais: a torcida não se alterou. Saiu em silêncio quando o segundo pênalti foi perdido. Cheguei a ver o ônibus do Grêmio ser aplaudido por alguns alvi-rubros, obviamente uma consequência à frustração pela derrota, mas ainda uma atitude louvável. Por outro lado, o time vencedor teve um de seus torcedores envolvido em uma tentativa de invasão ao campo. Depois disso, ainda preciso ouvir um comentarista esportivo imbecil, mal informado, provavelmente tendencioso, na televisão, metendo o cacete no homem que estava próximo à cena, supostamente um jornalista, que impediu o avanço do invasor. Ninguém merece...
Colo aqui o post que a Rosana fez sobre o assunto em seu blog, sobre a PAZ. Tá colado. Mas continuo dissendo, PAZ é ótimo, Justiça e Verdade também.
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E já que o assunto é violência, paz e afins: não sabem como fiquei triste com a derrota sofrida pelo meu time ontem. Não fui ao campo, mas estava bem perto, assistindo toda a movimentação do alto de um prédio próximo ao estádio. E claro, acompanhando tudo na telinha. Não acreditei no que vi: não só nas melecas que o meu time fez (ou melhor, nos acertos que não cometeu, perdendo dois pênaltis e deixando o Grêmio fazer o gol da vitória com três jogadores a menos em campo), ou nas que o juiz fez, mas principalmente na atitude dos jogadores do Grêmio ameaçando e atacando o juiz, impedindo por longos minutos a continuidade do jogo, cavando o chão no local em que seria colocada a bola para que fosse batido o pênalti. E esse povo ainda é vangloriado pela raça e garra com que concluiram a partida. Desculpem, sou suspeita para falar, mas o fato é que aquilo que assisti foram cenas vergonhosas.
Terrinha sem lei essa dos campos de futebol. Dá um grande desgosto ver como se transforma algo forte e poderoso que possuímos em pura titica de galinha...
E tem mais: a torcida não se alterou. Saiu em silêncio quando o segundo pênalti foi perdido. Cheguei a ver o ônibus do Grêmio ser aplaudido por alguns alvi-rubros, obviamente uma consequência à frustração pela derrota, mas ainda uma atitude louvável. Por outro lado, o time vencedor teve um de seus torcedores envolvido em uma tentativa de invasão ao campo. Depois disso, ainda preciso ouvir um comentarista esportivo imbecil, mal informado, provavelmente tendencioso, na televisão, metendo o cacete no homem que estava próximo à cena, supostamente um jornalista, que impediu o avanço do invasor. Ninguém merece...
26 de nov. de 2005
Duas músicas .. e mais música
Era para ser dois posts. Mas a carroça tá com tudo. Ou melhor, não tá com nada.
.
.
.
A primeira sempre considerei bem imbecil. Música de novela, daquelas que te enfiam goela abaixo, ouve ou morre (se bem que a trilha da novela nova das oito já me rendeu boas surpresas). Insuportável. Até aqui. Pois vendo a moça ao violão, tão bela e desprendida, voz tão "encantante", "enxerguei" a canção. Conclusões :
-acústico é tudo de bom;
-como a mídia consegue estragar tanto a imagem de alguém a ponto de nunca se querer conhecer seu trabalho.
A parte engraçada: eu a vi zapeando na TV e curiosamente ela cantava no encerramento de um programa da Igreja Universal, acreditem se quiser. Ela é crente, é? Se é, sabia não...
A moça. Shania Twain (nome feio, moça bonita).

A canção
----------
A segunda, uma velha conhecida. Sempre boa e mágica. Salve, Eric Clapton (você ainda lembra?).
"I must be invisible;
No one knows me.
I have crawled down dead-end streets
On my hands and knees.
I was born with a ragin' thirst,
A hunger to be free,
But I've learned through the years.
Don't encourage me.
'Cause I'm a lonely stranger here,
Well beyond my day.
And I don't know what's goin' on,
So I'll be on my way.
When I walk, stay behind;
Don't get close to me,
'Cause it's sure to end in tears,
So just let me be.
Some will say that I'm no good;
Maybe I agree.
Take a look then walk away.
That's all right with me."
(Lonely Stranger - Eric Clapton)
----------
Descobri no Orkut: site da Lucina, Música sob Encomenda. Você pede, ela faz a música. Tá lá:
"Acostumada e escolada na prática da música por encomenda para publicidade, a cantora e compositora Lucina se lança no desafio de fazer a trilha sonora de sua vida.
Nascimento de um filho, aniversário de uma pessoa querida, comemorações, datas especiais ou qualquer momento desses únicos que merecem ficar guardados para sempre. Basta dar o tema e as informações que, em um passe de mágica, Lucina transforma em uma música exclusiva para você e quem você ama.
Você também pode mandar os poemas que escreve há tanto tempo e deixa na gaveta. Lucina faz a música transforma na mais pedida na sua roda de amigos.
Encomende a sua música e dê um presente original e inesquecível. Com certeza você vai fazer sucesso.
A música pode ser entregue por e-mail nos formatos mp3 ou pps (com direito a fotos ilustrativas), ou ainda por correio em um CD gravado exclusivamente para você. "
Não é legal? Na página, tem mp3´s de alguns trabalhos da Lucina desse tipo...
.
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A primeira sempre considerei bem imbecil. Música de novela, daquelas que te enfiam goela abaixo, ouve ou morre (se bem que a trilha da novela nova das oito já me rendeu boas surpresas). Insuportável. Até aqui. Pois vendo a moça ao violão, tão bela e desprendida, voz tão "encantante", "enxerguei" a canção. Conclusões :
-acústico é tudo de bom;
-como a mídia consegue estragar tanto a imagem de alguém a ponto de nunca se querer conhecer seu trabalho.
A parte engraçada: eu a vi zapeando na TV e curiosamente ela cantava no encerramento de um programa da Igreja Universal, acreditem se quiser. Ela é crente, é? Se é, sabia não...
A moça. Shania Twain (nome feio, moça bonita).
A canção
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A segunda, uma velha conhecida. Sempre boa e mágica. Salve, Eric Clapton (você ainda lembra?).
"I must be invisible;
No one knows me.
I have crawled down dead-end streets
On my hands and knees.
I was born with a ragin' thirst,
A hunger to be free,
But I've learned through the years.
Don't encourage me.
'Cause I'm a lonely stranger here,
Well beyond my day.
And I don't know what's goin' on,
So I'll be on my way.
When I walk, stay behind;
Don't get close to me,
'Cause it's sure to end in tears,
So just let me be.
Some will say that I'm no good;
Maybe I agree.
Take a look then walk away.
That's all right with me."
(Lonely Stranger - Eric Clapton)
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Descobri no Orkut: site da Lucina, Música sob Encomenda. Você pede, ela faz a música. Tá lá:
"Acostumada e escolada na prática da música por encomenda para publicidade, a cantora e compositora Lucina se lança no desafio de fazer a trilha sonora de sua vida.
Nascimento de um filho, aniversário de uma pessoa querida, comemorações, datas especiais ou qualquer momento desses únicos que merecem ficar guardados para sempre. Basta dar o tema e as informações que, em um passe de mágica, Lucina transforma em uma música exclusiva para você e quem você ama.
Você também pode mandar os poemas que escreve há tanto tempo e deixa na gaveta. Lucina faz a música transforma na mais pedida na sua roda de amigos.
Encomende a sua música e dê um presente original e inesquecível. Com certeza você vai fazer sucesso.
A música pode ser entregue por e-mail nos formatos mp3 ou pps (com direito a fotos ilustrativas), ou ainda por correio em um CD gravado exclusivamente para você. "
Não é legal? Na página, tem mp3´s de alguns trabalhos da Lucina desse tipo...
25 de nov. de 2005
Hpzices
Estava até tudo calmo, até ver a foto aí abaixo

Súbito, deu-se o princípio daquela coceira insuportável no recanto potteriano do meu cérebro.
Não sei como aguentarei até o início da semana, quando planejo ir a um dos quinze cinemas que estão exibindo o filme - um recorde na minha cidade, estou certa). Pior que será uma semana daquelas, não faço a menor idéia se vai dar (vai ter que dar).
Aqui, Lord Voldemort em alta resolução. Fantástico.
Súbito, deu-se o princípio daquela coceira insuportável no recanto potteriano do meu cérebro.
Não sei como aguentarei até o início da semana, quando planejo ir a um dos quinze cinemas que estão exibindo o filme - um recorde na minha cidade, estou certa). Pior que será uma semana daquelas, não faço a menor idéia se vai dar (vai ter que dar).
Aqui, Lord Voldemort em alta resolução. Fantástico.
Primeiras do dia
JC - Juiz manda reduzir passagens no Grande Recife
O juiz da 7ª Vara da Fazenda Pública, José Viana Ulisses Filho, concedeu liminar, no fim da tarde desta quinta-feira, suspendendo o aumento de 9,55% das passagens de ônibus do Grande Recife, em vigor há 12 dias. Se não cumprir a determinação, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) pagará multa diária de R$ 100 mil.
A medida só será aplicada quando a empresa for notificada, o que deverá ocorrer nesta sexta. A determinação, no entanto, não deve animar os 1,8 milhão de passageiros do Grande Recife porque, em 2003 e no ano passado, a Justiça também concedeu liminares cancelando a majoração das tarifas, que depois foram derrubadas.
Como diz a reportagem, toda ano está sendo a mesma novela, essa questão do aumento das passagens. Dessa vez, porém, o bicho pegou nas ruas. Os estudantes fizeram protestos desde sexta passada. Eficientes os movimentos, conseguiram literalmente paralisar a cidade com a estratégia de fechar vias importantes do trânsito, às vezes centrais, noutras em bairros descentralizados mas importantes. Eu os vi de perto na quarta-feira. Fico um pouco pasma quando vejo-os sendo ditos baderneiros, porque no fundo os acho corajosos. A OAB se juntou a eles, eis aí um pequeno, ainda que frágil, resultado. Vamos ver como fica...
--------
Essa não é de hoje, mas vá lá. O repórter Vesgo (de quem sou fã, confesso, e que se chama Rodrigo Scarpa, acabo de descobrir) levou umas chapuletadas do Netinho, deu na Rosana (voltou!). Foi registrado B.O. na 36ª DP. Gente, onde isso vai parar? Sei não... Esse menino, aiaiai...
Ah, vai estar no Pânico, domingo...
--------
Não vou ver Harry Potter, amanhã. Jogão final da Série B...
O juiz da 7ª Vara da Fazenda Pública, José Viana Ulisses Filho, concedeu liminar, no fim da tarde desta quinta-feira, suspendendo o aumento de 9,55% das passagens de ônibus do Grande Recife, em vigor há 12 dias. Se não cumprir a determinação, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) pagará multa diária de R$ 100 mil.
A medida só será aplicada quando a empresa for notificada, o que deverá ocorrer nesta sexta. A determinação, no entanto, não deve animar os 1,8 milhão de passageiros do Grande Recife porque, em 2003 e no ano passado, a Justiça também concedeu liminares cancelando a majoração das tarifas, que depois foram derrubadas.
Como diz a reportagem, toda ano está sendo a mesma novela, essa questão do aumento das passagens. Dessa vez, porém, o bicho pegou nas ruas. Os estudantes fizeram protestos desde sexta passada. Eficientes os movimentos, conseguiram literalmente paralisar a cidade com a estratégia de fechar vias importantes do trânsito, às vezes centrais, noutras em bairros descentralizados mas importantes. Eu os vi de perto na quarta-feira. Fico um pouco pasma quando vejo-os sendo ditos baderneiros, porque no fundo os acho corajosos. A OAB se juntou a eles, eis aí um pequeno, ainda que frágil, resultado. Vamos ver como fica...
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Essa não é de hoje, mas vá lá. O repórter Vesgo (de quem sou fã, confesso, e que se chama Rodrigo Scarpa, acabo de descobrir) levou umas chapuletadas do Netinho, deu na Rosana (voltou!). Foi registrado B.O. na 36ª DP. Gente, onde isso vai parar? Sei não... Esse menino, aiaiai...
Ah, vai estar no Pânico, domingo...
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Não vou ver Harry Potter, amanhã. Jogão final da Série B...
Um post não mais perdido
"Quando chego ao último nível, procuro um bem-estar que não vem".
Madalena repetiu a frase mentalmente, debruçada sobre sua solidão. Restava-lhe pouco a realizar agora, dentro de seu ritual contínuo de dor. Desejar ser outra pessoa. Aguardar. Ouvir os sons que a cercavam, distantes. Carros, alguns. Vozes dos passantes. Crianças no quarto. Passos que correm. Televisão. Alguma música inteligível.
O desejo de ser completa por si mesma persistindo em estar. A necessidade alheia pairando sua atmosfera. Mesmo do desejo de nada ser não dispor. Necessitar estar viva, necessitar estar bem. Necessitar aguardar. Necessitar estar a postos.
Ainda ontem foi lhe dito: precisa achar como soltar os podres. Os males. Os bichos, as mágoas. Mas renega a capacidade masculina de recompor-se. Junto à mesa, às garrafas, às conversas, sempres as mesmas. Breve irá erguer-se, sonambulamente caminhar a casa, como se se tivessem apagado as luzes. Mecânica e monotóna cumprir seus ritos, dos quais se exaure.
Há dores profundíssimas porém, extensíssimas.
"Sou um barco sem rumo que navega um mar de sofrimento. Nestes longos meses, fui descascando como uma cebola, camada após camada, mudando, deixei de ser a mulher que era, minha filha me deu a oportunidade de olhar para dentro e descobrir os espaços interiores, grandes vazios escuros e estranhamente aprazíveis, que eu nunca havia explorado. São lugares sagrados e, para atingi-los, preciso percorrer um caminho estreito e cheio de obstáculos, vencer as feras da imaginação que saltam diante de mim. Quando o terror me paralisa, fecho os olhos e abandono, com a sensação de submergir em águas agitadas, por entre os golpes furiosos das ondas. Acho que estou morrendo entre instantes que, na verdade, são eternos, mas pouco a pouco percebo que continou viva apesar de tudo, porque, no torvelinho feroz, há um resquício de misericórdia que me permite respirar. Deixo-me arrastar sem opor resistência e, aos poucos, o medo retrocede. Flutuando, penetro uma gruta submarina e lá descanso por algum tempo, a salvo dos dragões das desgraças. Choro em soluçar, perdida por dentro, como talvez chorem os bichos, mas nessa altura o sol acaba de surgir e a gata se aproxima, pedindo comida." (In Paula”, Isabel Allende)
-------------
Isto está desde abril no computador, acreditam? Ê, lêlê...
Madalena repetiu a frase mentalmente, debruçada sobre sua solidão. Restava-lhe pouco a realizar agora, dentro de seu ritual contínuo de dor. Desejar ser outra pessoa. Aguardar. Ouvir os sons que a cercavam, distantes. Carros, alguns. Vozes dos passantes. Crianças no quarto. Passos que correm. Televisão. Alguma música inteligível.
O desejo de ser completa por si mesma persistindo em estar. A necessidade alheia pairando sua atmosfera. Mesmo do desejo de nada ser não dispor. Necessitar estar viva, necessitar estar bem. Necessitar aguardar. Necessitar estar a postos.
Ainda ontem foi lhe dito: precisa achar como soltar os podres. Os males. Os bichos, as mágoas. Mas renega a capacidade masculina de recompor-se. Junto à mesa, às garrafas, às conversas, sempres as mesmas. Breve irá erguer-se, sonambulamente caminhar a casa, como se se tivessem apagado as luzes. Mecânica e monotóna cumprir seus ritos, dos quais se exaure.
Há dores profundíssimas porém, extensíssimas.
"Sou um barco sem rumo que navega um mar de sofrimento. Nestes longos meses, fui descascando como uma cebola, camada após camada, mudando, deixei de ser a mulher que era, minha filha me deu a oportunidade de olhar para dentro e descobrir os espaços interiores, grandes vazios escuros e estranhamente aprazíveis, que eu nunca havia explorado. São lugares sagrados e, para atingi-los, preciso percorrer um caminho estreito e cheio de obstáculos, vencer as feras da imaginação que saltam diante de mim. Quando o terror me paralisa, fecho os olhos e abandono, com a sensação de submergir em águas agitadas, por entre os golpes furiosos das ondas. Acho que estou morrendo entre instantes que, na verdade, são eternos, mas pouco a pouco percebo que continou viva apesar de tudo, porque, no torvelinho feroz, há um resquício de misericórdia que me permite respirar. Deixo-me arrastar sem opor resistência e, aos poucos, o medo retrocede. Flutuando, penetro uma gruta submarina e lá descanso por algum tempo, a salvo dos dragões das desgraças. Choro em soluçar, perdida por dentro, como talvez chorem os bichos, mas nessa altura o sol acaba de surgir e a gata se aproxima, pedindo comida." (In Paula”, Isabel Allende)
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Isto está desde abril no computador, acreditam? Ê, lêlê...
23 de nov. de 2005
Cuidado...
... todos os blogs do Blogger.com(extensão "blogspot.com") que frequento estão direcionando para páginas altamente suspeitas quando se erra a digitação eliminando o "g" ("blospot.com"). Só descobri porque foi exatamente o que aconteceu comigo... Portanto fiquem de olho...
Aos Filhos de Sagitário
Era claro e sábio
Era manso, metade animal
E livre como ancião
Que já não teme o final
E eu amava, amava
Adormecia com gosto de sal na boca
E amava assim
Com a devoção natural
Dos deuses, dos animais
Ah! quanto tempo atrás
Ah! quantas noites passei
A galopar em você
Doce centauro, amo você
Doce centauro ...
(Oswaldo Montenegro - do musical A Dança dos Signos)
Esse (post) é para todos os sagitarianos (22/11 a 21/12), mais especialmente porém para meu queridíssimo amigo que está além-mar e é quase um capricorniano! Lula!
Sabe aquela frase em que os pacientes pensam quando estão em fila? "Se demorar eu espero". Eu diante desta carroça, aguardando a conclusão do último post e pensando em uma versão dela: "Se demorar eu me cago". (desculpem tanta escatalogia e mau-gosto, não pude resistir).
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Update - Me recuso a acreditar que postei isso, aijisus...
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Update - Me recuso a acreditar que postei isso, aijisus...
"Hoje eu sonhei contigo e caí da cama"
Sonhei com um comercial da Credicard.
No dia de seu aniversário, o pai está no metrô com o menino. A frase: "Passagem do metrô: um real e pouco".O garoto ia ganhar um presente de aniversário, tá feliz, correndo, com um cartão de crédito na mão. "Limite para o presente: tantos reais". Súbito, o menino faz algo que não devia, o pai fica sério, carrancudo, pede o cartão de volta. O menino entrega, com ar triste. Mas é só uma brincadeira. O pai faz de conta que vai guardar o cartão na carteira e de repente abre um sorriso, coloca o cartão no bolso do menino. Que sai correndo.
Numa outra cena, a câmera tem o ponto de vista do pai, do lado de fora do metrô, caminhando, acompanhando o menino, que está dentro do veículo. O metrô começa a andar e de repente o pai vê espantado dentro do metrô homens do tempo das cavernas. "Entrar dentro do sonho do seu filho: não tem preço".
------------
Achei o mote bom, mas ... o fato é que não deixava nunca minha filha seguir sozinha no metrô, nem que fosse em sonho, e não sou a única. Vão ter que mudar essa parte, penso, ;-)... E o "pequeno" detalhe de que não se compra passagem de metrô com Credicard, quáquáráquáquá...
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Frase do título: daqui.
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Porreta essa campanha da Credicard, antes que eu esqueça...
No dia de seu aniversário, o pai está no metrô com o menino. A frase: "Passagem do metrô: um real e pouco".O garoto ia ganhar um presente de aniversário, tá feliz, correndo, com um cartão de crédito na mão. "Limite para o presente: tantos reais". Súbito, o menino faz algo que não devia, o pai fica sério, carrancudo, pede o cartão de volta. O menino entrega, com ar triste. Mas é só uma brincadeira. O pai faz de conta que vai guardar o cartão na carteira e de repente abre um sorriso, coloca o cartão no bolso do menino. Que sai correndo.
Numa outra cena, a câmera tem o ponto de vista do pai, do lado de fora do metrô, caminhando, acompanhando o menino, que está dentro do veículo. O metrô começa a andar e de repente o pai vê espantado dentro do metrô homens do tempo das cavernas. "Entrar dentro do sonho do seu filho: não tem preço".
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Achei o mote bom, mas ... o fato é que não deixava nunca minha filha seguir sozinha no metrô, nem que fosse em sonho, e não sou a única. Vão ter que mudar essa parte, penso, ;-)... E o "pequeno" detalhe de que não se compra passagem de metrô com Credicard, quáquáráquáquá...
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Frase do título: daqui.
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Porreta essa campanha da Credicard, antes que eu esqueça...
20 de nov. de 2005
Vovó
"Pr'algumas pessoas
o tempo tá no seu lugar
Pr'algumas pessoas é cedo"
(O Vento Frio da Infância – Oswaldo Montenegro)
Foi a primeira coisa em que pensei hoje ao acordar.
Ela gostava de cinema.
Levava mamãe para ver bang-bangs nas matinês. Faz cinquenta anos.
Sabia costurar. Muito bem. (O que me lembra o lindo vestido que mamãe me fez um dia e que jamais esquecerei.)
Era bela, é com ela que Gabi parece.
Chamava meu pai de branco (sempre ríamos muito disso ao contarmo-nos). Faz quarenta anos.
Tinha Susana, pendurada na parede.
Era Susana que batia nas crianças, não ela, provavelmente.
Gostava de frevo, de carnaval. Isto, sei de onde veio. Gostava de dançar.
Uma vez, enlouqueceu. Foi só uma, que a gente saiba.
Um dia, ele foi embora. Ela também foi, depois. Daí, não voltou mais.
Aqui não era seu lugar - boas razões, decerto.
As dele também, talvez - não se pode saber. Nem ela pôde.
Não era para que eu soubesse muito bem o significado da palavra avó, mas sei.
Não foi ela ou outra que ensinou, mas eu sei. Estranhamente.
(Quanta besteira, sei quem ensinou.)
E sei também quem ela foi. Mal a conheci, mas é assim.
Eu a vi apenas uma vez, de plena e sã consciência.
Em criança, não conta, nada vem.
Ela me pareceu trêmula, frágil, esperançosa.
Cabelo, pele, muito brancas.
Eu me senti estranha. Não nos conectamos, nem havia como.
A sensação de perda é real, porém. Está aqui.
Que a viagem seja boa, sem trepidações. "Termina na hora de recomeçar, dobra na esquina no mesmo lugar."

"Dança na sombra da lua
por trás pula atrás do luar
como pula o peixe quando entra numa
pula pula pula no mar
Dança na sombra da lua
tua lua pula e atua
como a tua lua muda de rua
quando tua rua vai despertar
Dança na sombra da lua
que a lua assim vai dançar
na tua sombra, na sombra da lua
que a rua tirou pra dançar"
(Sombra da Lua - José Alexandre/Oswaldo Montenegro)
o tempo tá no seu lugar
Pr'algumas pessoas é cedo"
(O Vento Frio da Infância – Oswaldo Montenegro)
Foi a primeira coisa em que pensei hoje ao acordar.
Ela gostava de cinema.
Levava mamãe para ver bang-bangs nas matinês. Faz cinquenta anos.
Sabia costurar. Muito bem. (O que me lembra o lindo vestido que mamãe me fez um dia e que jamais esquecerei.)
Era bela, é com ela que Gabi parece.
Chamava meu pai de branco (sempre ríamos muito disso ao contarmo-nos). Faz quarenta anos.
Tinha Susana, pendurada na parede.
Era Susana que batia nas crianças, não ela, provavelmente.
Gostava de frevo, de carnaval. Isto, sei de onde veio. Gostava de dançar.
Uma vez, enlouqueceu. Foi só uma, que a gente saiba.
Um dia, ele foi embora. Ela também foi, depois. Daí, não voltou mais.
Aqui não era seu lugar - boas razões, decerto.
As dele também, talvez - não se pode saber. Nem ela pôde.
Não era para que eu soubesse muito bem o significado da palavra avó, mas sei.
Não foi ela ou outra que ensinou, mas eu sei. Estranhamente.
(Quanta besteira, sei quem ensinou.)
E sei também quem ela foi. Mal a conheci, mas é assim.
Eu a vi apenas uma vez, de plena e sã consciência.
Em criança, não conta, nada vem.
Ela me pareceu trêmula, frágil, esperançosa.
Cabelo, pele, muito brancas.
Eu me senti estranha. Não nos conectamos, nem havia como.
A sensação de perda é real, porém. Está aqui.
Que a viagem seja boa, sem trepidações. "Termina na hora de recomeçar, dobra na esquina no mesmo lugar."
"Dança na sombra da lua
por trás pula atrás do luar
como pula o peixe quando entra numa
pula pula pula no mar
Dança na sombra da lua
tua lua pula e atua
como a tua lua muda de rua
quando tua rua vai despertar
Dança na sombra da lua
que a lua assim vai dançar
na tua sombra, na sombra da lua
que a rua tirou pra dançar"
(Sombra da Lua - José Alexandre/Oswaldo Montenegro)
18 de nov. de 2005
I can't stand the rain
"Destination anywhere
East or West, I don’t care"
(Alguém aí já sentiu que não consegue se livrar de algo que vai, vem; vem e volta?)
(Trilha sonora : The Commitments - prá se lascar de boa). Algumas letras aqui. Ou essa aqui...

"- Ô mãe, então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmolugar.
Prepara e bota na mesa com todo o paladar
Depois, acende outro fogo, deixa tudo queimar"
(Feminina - também da Joyce)
East or West, I don’t care"
(Alguém aí já sentiu que não consegue se livrar de algo que vai, vem; vem e volta?)
(Trilha sonora : The Commitments - prá se lascar de boa). Algumas letras aqui. Ou essa aqui...
"- Ô mãe, então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmolugar.
Prepara e bota na mesa com todo o paladar
Depois, acende outro fogo, deixa tudo queimar"
(Feminina - também da Joyce)
17 de nov. de 2005
Aos Filhos de Escorpião
Vermelho é a cor do teu coração
Ferro em brasa na casa da morte
É o escorpião
A força criadora que habita o mundo
O animal da auto-regeneração
O homem que renova, signo fecundo
O fim planta o início
É a transmutação
Cabala do grande sinal
Cabala da força do ....
(Oswaldo Montenegro - do musical A Dança dos Signos)
Os amiguinhos blogueiros se habilitem e confessem sua astrologia!
Lindinho da mamãe
Eu tenho medo desses bichinhos de computador, mas foi a minha mana, que não é mais blogueira (parece) que mandou, e ele é tão bonitinho, e me lembrou tanto o Dumbledore que vou arriscar a mandar para vocês. Cliquem no link abaixo, por própria conta e risco, que nem que eu!
Aqui.
Aqui.
Tvzices
Dona Xuxa, manhã dessa, num momento inédito de bobeira meu diante da tv dia de semana: "GE-O-GRA-FiA (e aponta para o nome embaixo dela). Quando a gente fala em geografia, a gente lembra de mapas, de divisão de territórios. Mas o que a gente não deve esquecer é que quando a gente ama, não existe divisão de territórios. Haviam duas gêmeas que foram separadas...”. E tasca a contar uma historinha.
Quase esgano a televisão, fiquei besta. Isso é o que se chama deseducação, né? Ou, na melhor das hipóteses: ô textinho mal escrito, sô! Se tivesse como, eu bania Dona Xuxa da programação matinal da filhota... Aguardo dicas...
--------------
Eu soube só agora na Vera que a RedeTV tinha saído do ar. E foi por isto. Ô praga, esse João Kléber...
-------------
Folha Online - Tom e Chico Anysio fazem show juntos
"Os humoristas cearenses Chico Anysio, 74, e Tom Cavalcante, 43, estréiam o primeiro show juntos no palco do Olympia, em São Paulo.
Nos dias 26 e 27 deste mês, eles apresentam o espetáculo batizado de "Chico.Tom". Depois, vão percorrer outras grandes cidades. "
Amiguinhos de novo, hein?
Quase esgano a televisão, fiquei besta. Isso é o que se chama deseducação, né? Ou, na melhor das hipóteses: ô textinho mal escrito, sô! Se tivesse como, eu bania Dona Xuxa da programação matinal da filhota... Aguardo dicas...
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Eu soube só agora na Vera que a RedeTV tinha saído do ar. E foi por isto. Ô praga, esse João Kléber...
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Folha Online - Tom e Chico Anysio fazem show juntos
"Os humoristas cearenses Chico Anysio, 74, e Tom Cavalcante, 43, estréiam o primeiro show juntos no palco do Olympia, em São Paulo.
Nos dias 26 e 27 deste mês, eles apresentam o espetáculo batizado de "Chico.Tom". Depois, vão percorrer outras grandes cidades. "
Amiguinhos de novo, hein?
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