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1 de ago. de 2007

Sem palavras em demasia

Ando tão sem palavras. Que me sirvam as alheias. Pois que nada sou sem elas.

Algumas antigas e nunca ausentes.

"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias - no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei.

Não sei se fico ou passo.
Sei que canto.
E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:— mais nada.
"
(Motivo - Cecília Meireles)

29 de mar. de 2007

Momento Terapêutico ou TPMêutico

Peças, peças, peças. Processuais. São deliciosas, mas cansam, ai, ai, ai.

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Um basicozinho para relaxar.

Sou ácida.
Sou afável.
Me perco
entre estes dois espaços.


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O Bial declamou no paredãozão (q horror gramatical) dessa semana (não, não o vejo, mas o ouço de lá de dentro, o que me fez lembrar) aquele poema da Cecília que de tão triste não postarei aqui completo, para não atrair coisa ruim, com aquele final lindíssimo (porque eu sempre acho coisas tristes bonitas, que péssimo), que de tão lindo impossível não postar: "Eu não dei por essa mudança/tão simples, tão certa, tão fácil/Em que espelho ficou perdida a minha face?". Com isto, o Pedro-Miau-Bicho-Ruim, sabidíssimo, conseguiu amolecer milhões de corações femininos Brasil afora, só prá variar.

Prova de resistência na última prova de líder da temporada com duas mulé e um "macho dominante" (alguém leu esta teoria numa revista dessas aí? Época, eu acho.), estão querendo testar o que? Experimentos científicos ao vivo?

7 de nov. de 2006

Um chamado desses...

... e euzinha não atender?

Nem morta.

Vai, Cecília, canta teu canto, ainda que triste, porque é seu dia. Porque vou lhes contar um segredo, não é fácil encontrar um poema alegre da Cecília. A Cecília é uma poetisa da tristeza, o que não é uma pena para a arte, mas deve sim ter sido para ela. Qual não foi a minha surpresa ao encontrar isto, vejam! Uma pedra preciosa!
Quase penso eu não ser dela. Mas é, sim. Gostei tanto que vou colar numa parede lá em casa, heheheh...

A arte de ser feliz

Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.



Ops. Quase esqueço. Fui chamada para a Blogagem Coletiva pelo Lino. Agradeço a lembrança!