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31 de out. de 2011

Lembrando meu vô, no #diadrummond

A hora do cansaço


As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.

Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

Do sonho de eterno fica esse gozo acre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar. (CDA)



5 de set. de 2011

Todo poema tem sua semente no sentir ou na ideia? Não sei dizer. Mudo tanto e tão constantemente, que os ritos da palavra tornam-se nebulosos... Assim, de onde vem os poemas? Não vem dos acontecimentos, disse o poeta. Vem do momento translúcido que se vislumbra, estende-se a palma e lá brilha ele, mas tão fugaz... Como um sonho brando, tão difícil de recordar na manhã que segue... Súbito entre uma inspiração e uma expiração teu olho fixa o vazio ao longe... Ele reina tão sombrio naquela paisagem, árdua a visão estreita-se em busca... Pronto, se não o captura, passou...




Fonte



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?"
(CDA)

1 de out. de 2008

Belchior / Drummond

Um sabiá
na palmeira, longe.
Estas aves cantam
um outro canto.

O céu cintila
sobre flores úmidas.
Vozes na mata,
e o maior amor.

Só, na noite,
seria feliz:
um sabiá,
na palmeira, longe.

Onde tudo é belo
e fantástico,
só, na noite,
seria feliz.
(Um sabiá,
na palmeira, longe.)

Ainda um grito de vida e
voltar
para onde tudo é belo
e fantástico:
a palmeira, o sabiá,
o longe.

(Nova canção do exílio - Drummond)


Fiquei meio besta quando vi que em minha saraivada no emule cacei algumas preciosidades de um trabalho que desconhecia, este As Várias Caras do Drummond. Digamos que eu o percebi como um sonho de consumo realizado, que contudo eu sequer me permitira sonhar existir. Foi assim mesmo o sentimento.

Mais informações no link em riba. Inclusive sobre os desenhos, todos feitos pelo próprio Belchior.





E o poema eu posto como se fosse uma imagem. Está vendo o sabiá, a palmeira e "o longe"? Que imagem fantástica não? Só Drummond mesmo, sô...

16 de ago. de 2007

"...vamos de mãos dadas..."

"Na oficina do trabalho ou no templo de tua fé, não esperarás que o chefe, o diretor, o colega, o companheiro ou o subordinado pronunciem reclamações para resolver os problemas, cuja presença reconheces, e sim desenvolverás esforço máximo para que a harmonia e a segurança permaneçam resguardadas na equipe, evitando qualquer ruptura nos mecanismos de ação. E, no giro dos passos cotidianos, seja na rua ou no ônibus, não te recusarás a estender o braço amigo ao doente ou à criança, sob o pretexto da falta de tempo; abster-se-á de tomar a atenção dos balconistas, quando o horário de trabalho esteja findo, ponderando que eles, possivelmente, estarão presos a compromissos familiares que nunca te pesaram nos ombros; pagarás tuas dívidas com o senso da exatidão, sem desprezar as contas singelas, reconhecendo que alguns cruzeiros constituem subida importância entre muitos daqueles que te honraram com pequeninos serviços; dirás 'muito obrigado' à telefonista ou à costureira que te atenderam as solicitações; agradecerás com uma boa palavra ao transeunte a quem pediste um esclarecimento e que te ajudou com gentileza, sem o dever de te auxiliar; não censurarás o moço do armazém em regime de atraso, lembrando-te que ele estará atravessando provas ocultas, que talvez não suportarias, chorando no íntimo e satisfazendo, ao mesmo tempo, os imperativos da profissão.

Diariamente, todos somos chamados à realizações de essência social. Atende à tua empresa particular, nesse sentido. Age, porém, de tal modo que o mal não venha a surgir provocando contenção. Seja onde for, tanto quanto possível, faze bem antes dele.
"
(In Encontro Marcado, por Emmanuel - psicografado por Francisco Cândido Xavier)


Obtido aqui.


Embora contidos em um livro dito "espírita", estes conselhos são de ordem moral. Doméstica. Aprende-se em casa. Ou assim deveria - infelizmente, muitos não tiveram esta sorte, a de receberem uma boa educação doméstica. Mal sabem eles que "gentileza gera gentileza". Não sabem o que fazem.



E esta aqui.


A vida, contudo, está aí não apenas para ser vivida, mas também observada, como fonte de conhecimento. É nosso dever de seres pensantes a evolução moral, espiritual, intelectual. Não foi gratuita a oferta divina da mente humana superior, da alma livre, associada aos céus. Tal dávida possui um preço (concordo, é uma metáfora mercantil em demasia para um tema de cunho moral; é contudo didática), que não nos é cobrado, apenas. Por enquanto. É o livre-arbítrio a nós concedido pelo Ser Supremo. Direito de escolha, entretanto, implica em escolha de consequência. Sábio é quem a isto vê.

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Ando muito conselheira ultimamente. Isto é porque aguardo por conselhos. É uma ação que espera reação. O que nunca funciona de fato: pessoas que muito falam como eu, em geral transmitem a mensagem de que não necessitam ouvir. Só que elas são as que mais precisam. Ouvir.

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"Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
"
(Drummond. Escute-o aqui e chore.

A propósito, agora está em link permanente na lateral do Maio os poemas declamados pelo Drummond)

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Post longo. Madrugada longa. Boa noite. Espero que sirva a alguém estas palavras, além de mim.

30 de jul. de 2007

Felicidade
me traz poemas e flores,
e não exige razões.
A vida é boa para ser vivida
porque preenche minh'alma.



Mulher na Janela - Salvador Dali


"Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
"
(Canção Amiga - Drummond)

2 de dez. de 2006

Coisas da tela e da semana

"Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
"
(Drummond - Poema de Sete Faces)

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Sonhar com banquete faz a gente acordar empanzido. Faz sim. Ou se trata apenas de se ter comido muito antes de dormir e meramente a realidade se reflete no sonho. Talvez.

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Jung não concordaria com isto. É, comecei a pensar nesse cara depois de ver um filme em que ele está. Jornada da Alma. Recomendadíssimo, altamente. Bem falou a moça da locadora (que é, diga-se de passagem, das melhores atendentes de locadora que eu já vi): "como esse filme não passou na sua vida até aqui?". Estranho mesmo, porque não é tão novo(2002) e é bem certo que foi um filme com que me entendi, mas nunca tinha pensado em pegar nem mesmo havido ouvido falar. Completando, estou apaixonada pela atriz que interpreta a protagonista, Sabina Spielrein. Que mulher fascinante, senhores, e que atriz (Emília Fox, não conhecia...). Bravo.





Na foto, a cena, em minha opinião, mais comovente do filme.

O link do Adoro Cinema, só para não quebrar o hábito.

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Mercy! Está passando Uma Linda Mulher (precisa de link? Seria subestimar os leitores...) na tv aberta. Que milagre, o filme é legendado.

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O Opera, o browser, cá entre nós, merece um parênteses aqui. Teria perdido este post à pouco não fosse ele. Cliquei no link do Jung no editor do blogger, mas, ao voltar, o post estava inteirinho, cabeça, troncos e membros. Ó céus, o inferno do blogueiro é perder um post, vocês sabem.

18 de nov. de 2006

Todo mundo espera alguma coisa
(sábado à noite)

Palavras, essas coisinhas que coçam.

(Faz dias tá na cabeça, humpf)

"Bom dia: eu dizia à moça
que de longe me sorria.
Bom dia: mas da distância
ela nem me respondia.
"
(Drummond)

T'aqui completo, achado num blog tão lindo, tão lindo, pena que aparentemente a moça não escreve mais lá.

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Juntas à música, palavras são um desengano.

(Outra, que começou agora)

"Hoje o tempo está mais firme, abre mais meu apetite
Cura e seca minha bronquite algumas folhas de hortelã
Vamos circular na praça, prenda bem esse cansaço
'Inda vou passar no Estácio, o Estácio pode me querer
"

Seu Melodia.

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Porém, definitivamente, a música do fimde foi essa, não foi, amore?

"Chatterton, suicidou
Kurt Cobain, suicidou
Getúlio Vargas, suicidou
Nietzsche, enloqueceu
E eu, não vou nada bem

Chatterton, suicidou
Cléopatra, suicidou
Isócrates, suicidou
Goya, enloqueceu
E eu, não vou nada nada bem

Chatterton, suicidou
Marc-Antoine, suicidou
Cleópatra, suicidou
Schumann, enloqueceu
E eu, puta que pariu, não vou nada nada bem
"

"Vôte, eu, hein", dirão os leitores... "A criatura pirou de vez.". Não, não, eu tô quase ótima. E a música também é ótima.

Chatterton é esse aqui, prá quem não sabia, como eu.

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Mudando de pau prá cacete: não tem um santo ou santa aí assinante da Veja que mande para mim (no maio26@gmail.com) a reportagem sobre blogs que saiu dia desses? Sim, acho que foi na Veja. É, quero ler. Auto-conhecimento é tudo, vocês não sabiam?


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Ah, antes que eu esqueça: eis um trauma vencido. Alvirubras (lindo nome, não?) saudações. Agora vou aos sonhos, que o dia foi longo. B'as noites.