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9 de mai. de 2007

Minha nova "ídala"



Recomendo aos pequenos. Ótimo também aos maiores que tenham o estranho hábito masoquista de só escolher médicos que tenham o estranho hábito sádico de deixar seus pacientes por duas, três horas esperando. Não, eu não tenho nenhum, mesmo que leve, retardo mental - diagnosticado, pelo menos, não! - eu juro.

18 de abr. de 2007

Senhoras

Comediante não deveria morrer. Não só no Brasil, concordo, Conde. Sim, precisamos de alegria. Principalmente num dia em que morrem 22 em tiroteios no Rio, trinta e poucos em uma faculdade americana. Dirão que todos os dias há crimes de morte, carnificinas, maldade e terror, mas eu pretendo continuar a sofrer e indignar-me com isso. Melhor ter que mudar de canal para que o dia termine bem, que assistir sem sentir. Sim, melhor seria fazer algo, mas ainda não tenho tal ferramenta.

Voltando a Dona Nair (ah, essa minha mania de me perder): ok, ok. Compreendo que São Pedro e os anjinhos também queiram rir. Vai com Deus, Dona Nair.



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Atrizes idosas são em geral seres maravilhosos mesmo (aliás, minto: seres idosos são assim. Isto rende outro post, porém, e o dever me aguarda). Ontem foi dia de novela. Primeiro porque à tarde, na recepção do consultório, vi a face da Nair na da tarde. Não pude ouvi-la (atendente de consultório sempre deixa baixinho o som para não incomodar ninguém, principalmente o médico), salvo a sua gargalhada. Também pudera.

À noite, "O Profeta". Laura Cardoso interpretando uma avó prestes a surrar o neto delinquente, dentro da delegacia. Um esplendor. Sou louca por ela desde a reprise de "Chocolate com Pimenta" (ah, férias que te quero), a vovózinha da Ana Francisca.

4 de abr. de 2007

Abril

Desejosa de escutar aquela do Toquinho :"As cores de abril, os ares de anil, o mundo se abriu em flor". Abril. Ufa. Por que "ufa"? Simplesmente porque sim, simples assim.

Desejosa de palavras. Depois de secar a mente e o corpo, secar a alma.

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O garoto magrinho na cadeira à frente, do outro lado da recepção do consultório, olhou-me e começou, como se o fizesse para si mesmo, mas eu soube imediatamente pelo seu olhar que não:

- A gente veio antes mas a médica mandou vir de novo, a gente tem que ficar parado na máquina, e pererei, pererei, pererei...

Não resisti, tive que responder: magrinho, bonitinho, moreninho (inho, inho, inho). Cara de jogador de futebol. Roupa bem usada e maior que o corpo (o que me lembrou Harry dentro das largas calças e camisas do Duda). Do irmão.

O irmão veio no faro. Grande, gorducho, moreno, espaçoso, esfuziante. Inegavelmente afeminado. O velho esbelto, jeans e camisa clara de algodão, compenetradamente debruçado sobre seu palmtop, canetinha em punho, espichou para gente o olho esquerdo em uma fração de segundo. Afinal a tarde estava ficando divertida.

- Ele falou primeiro com a senhora ou a senhora falou primeiro com ele?

"Hummm, temos problemas", meu sexto sentido sussurou. Irmãos são bichos esquisitos, às vezes. Não pretendo ser cagueta* de ninguém, ora pois, pois.

- Eu não lembro mais, quem falou primeiro, fui eu ou você?

O menininho ergueu olhos sinceros para o alto.

-Fui eu.

O irmão aboletou-se na cadeira ao meu lado, falante e à vontade. "Olha, a gente vai entrar numa máquina para testar a *cabeça*" (um gesto amplo e deslumbrado sobre o cocoruto perfeitamente arredondado, semi-raspado). E pererei, pererei, pererei. Quando perguntei se ele gostava de conversar (adultos são mesmo idiotas), ele tomou o celular da minha mão.

-Olha! É igual ao de fulano! - e avançou no palmtop.

Com isso, a mãe apareceu, de verde, um enorme vestido verde, da cor do zoiudinho. Mandou sentar ao seu lado ou apanhava. Ele sentou. Seguiu-se aquela conversinha básica de mãe, ao pé do ouvido, eu admirando a moça sem constrangimento. Tive pena do garoto, mas durou pouco, porque em cinco minutos ele já estava ao lado do velho a espiar algo que este apontava na tela miúda com a caneta prateada, um ar tranquilo de avô acostumado. Filhos e mães às vezes se entendem, é um fato.

-Se ele falar apanha - a mãe avisou, puxando conversa. Ressonância magnética para os garotos. Não tive coragem de perguntar porquê, lógico.

O menino calado, ao lado do velho. Isso sim é mãe, o resto é bagaço, pensei.

- Eu pedi a médica para dar anestesia para ele, mas ela disse que não pode.

Que pena. Pena tripla. Da mãe, da moça que ia fazer a ressonância, e de terem me chamado para o exame. Quando saí, só restou mesmo um papo monótono, sobre crianças hiper-ativas e doenças da tiróide, com uma senhora de cabelos crespos que quando fui embora me desejou felicidades. Muito boazinha, mas os garotos haveriam prolongado este post. Agradeçam a ela!


*(Alcagüete, delator - no linguajar nordestinense)

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Ouço lá dentro os Backyardigans e suas cantilenas atravessadas. Fofos, vejam. Deus sabe que o mero ruído de desenho animado quase sempre me deixa enjoada (que exagero), mas estes papagaiozinhos são mesmo uma graça...



"A-ha!". Adorei esse episódio, confesso.