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2 de set. de 2007

Palavra


Um sabor de sonho em sua boca me chama:
LOUCA.
Uma tinta clara em seu olhar me diz:
AZUL.
A gota de orvalho, verdinha em folha, tremula:
ÁGUA.
Silêncio no peito, reluz a chama, esse denso amor:
PALAVRA.

(A palavra tem toda cor.)






27 de jul. de 2007

O Vendedor de Palavras

Este é um plágio descarado do que encontrei no Mão na Kumbuka da Ana Laura. Mas sou tão apaixonada por palavras que me rendi. Leiam.





O vendedor de palavras

por Fábio Reynol

Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical".

Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica.

Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs.

Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: "Histriônico - apenas R$ 0,50!". Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta curiosos parasse e perguntasse.

- O que o senhor está vendendo?
- Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta centavos como diz a placa.
- O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.
- O senhor sabe o significado de histriônico?
- Não.
- Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.
- Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.
- O senhor tem dicionário em casa?
- Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.
- O senhor estava indo à biblioteca?
- Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.
- Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real!
- Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?
- Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.
- O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras? - O senhor conhece Nélida Piñon?
- Não.
- É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.
- E por que o senhor não vende livros?
- Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.
- E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.
- A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento, se temos poucas palavras pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. são como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina, com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou, passou por aqui sorrateira,.olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade, mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa, assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga. Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão, então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.
- O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...
- Jactância.
- Pegar um livro velho...
- Alfarrábio.
- O senhor me interrompe!
- Profaço.
- Está me enrolando, não é?
- Tergiversando.
- Quanta lenga-lenga...
- Ambages.
- Ambages?
- Pode ser também evasivas.
- Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!
- Pusilânime.
- O senhor é engraçadinho, não?
- Finalmente chegamos: histriônico!
- Adeus.
- Ei! Vai embora sem pagar?
- Tome seus cinqüenta centavos.
- São três reais e cinqüenta.
- Como é?
- Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.
- Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?
- É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?
- Tem troco para cinco?

9 de fev. de 2007

Curtas

Ainda estou decidindo se gostei ou não do novo blogger. Afinal, parece-me que ele e o Opera não se entendem muito bem, e eu ando preguiçosa com coisas assim: abrir aqui, não funcionar, ter que abrir lá. Ok, ok, é uma versão beta. E só não ter mais aquelas odiosas e lentas republicações já foi muito bom. Também gostei das listas, só não ando paciente para atualizar nada.

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Um blog que reúne boa seleção de crônicas: Entrelaços. Leiam a de 06/02/2007, sobre o Big Brother. Eles só não tem links diretos para os posts (como se chama mesmo?) por lá.

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Sempre achei graça na expressão "pensando na morte da bezerra". Assim, aprendi a dizer a muito tempo: "está pensando na morte da bezerra?". E com o tempo surgiram variações: "e a bezerra, morreu de quê?". De onde surgem tais expressões? Sou curiosa sobre coisas desse tipo. Hoje em dia, sabendo como sei perfeitamente o que significa a frase, já não a digo automaticamente: ou melhor, digo, porém no segundo posterior percebo exatamente aquilo que compreendi sobre a criatura que está ali a pensar sobre o óbito do pobre animal. A isto chamo aprendizado ou amadurecimento, como queiram. Eu sei que não demonstro que aconteça isto comigo mas, enfim, ocorre, vez ou outra.

Entenderam? Não? Paciência.

Esta não foi tão curta.

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Curto porém foi o post. Os posts - é sabido, contudo (kkkk) - como os poemas, tem vida própria: sabe lá o postador o que virá nele quando escreve a primeira palavra!

4 de dez. de 2006

Dicionário de Pessoas

amiga - Si
branquinha - Brí
carnaval - Con
Copa - Jôka
Dércio - Ci
escrota - Vi
Europa - Lu
irmã - Gabi
mangá - Lu
mocinha - Qué
pequena - Nil
ruivinha - Vilmetes
sapato - Gil
vaquinha -

16 de out. de 2006

Cadê a blogueira que tava aqui?



O gato comeu.

(Sim, conheço o ditado correto, mas sou contra roedores e recuso-me a postar fotos desses seres imprestáveis aqui no Maio. Ademais, Deus me livre de ser comida por um.)