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27 de nov. de 2013

Porque a poesia renasce todo dia






FELIZ, INSUPORTAVELMENTE


Para Mario Benedetti, hermano


Aos poucos a luz perde o resplendor.
O rio sabe a sangue, e ninguém sabe.
É a derradeira chance de me ver
pela primeira vez inteiro: cara a cara.
Simplificar prefiro. Por que hesito
em revelar as águas escuras
que me percorrem, essas onde moram
peixes cinzentos, surdos, que me sabem?
Dizer me basta que não cometi
o pecado pior do homem:
o de não ser feliz (O juízo é de Borges,
que era cego, mas descobriu a rosa
escondida no coração da moça.)
Vi o fundo de um lago de esmeraldas.
Eu fui feliz, insuportavelmente.
As desgraças que duras me feriram
nada foram (contando a de existir)
ao lado dos milagres que vivi,
dos mágicos momentos que inventei.
Não é preciso ir longe. Numa noite
de ardente primavera eu viajei,
abraçado aos cabelos desvairados
que me ensinavam o cântico dos cânticos,
pelo mar dos espaços siderais.
Voltei intacto. Parece que passaram
eternidades.
Sozinho agora sou: perante mim,
ou entre mim e a noite que me chama,
espaço em que mal cabe o que escondi.
E mais de meio século de festa,
de lágrimas, de assombro, de ternura,
inútil se resume na fagulha
fugaz do tempo em que meu ser total,
resíduo de memórias, já se adere
— imperceptível —
ao silêncio noturno da floresta.


(THIAGO DE MELLO)

31 de out. de 2011

Lembrando meu vô, no #diadrummond

A hora do cansaço


As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.

Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

Do sonho de eterno fica esse gozo acre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar. (CDA)



29 de out. de 2011

Mais um

Em homenagem a Ana Laura, que nem bem eu acabara de postar o teste do livro, postou no Facebook esse do Fernando Pessoa. Aí eu não resisti...


Que poema de Fernando Pessoa você é?



Apontamento, Álvaro de Campos


“A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmo, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

7 de out. de 2011

Hope - Emily Dickinson

Ouvi no rádio - traduzida. Adorei. Para guardar.



Hope is the thing with feathers
That perches in the soul,
And sings the tune without the words,
And never stops at all,

And sweetest in the gale is heard;
And sore must be the storm
That could abash the little bird
That kept so many warm.

I've heard it in the chillest land,
And on the strangest sea;
Yet, never, in extremity,
It asked a crumb of me.


- Emily Dickinson





Esperança é a coisa com penas
Que se empoleira na alma
E canta um som sem palavras
E nunca, mas nunca, pára,

E mais doce é ouvida no vendaval;
E dura precisa ser a tempestade
Que poderia desanimar o passarinho
Que mantém aquecidos a tantos.

Já o ouvi nas terras mais geladas
E nos mares mais estranhos,
Entretanto nunca, mesmo no desespero,
Ele pediu uma migalha a mim.



3 de out. de 2011

Selecionado...

... o poeminha abaixo no 2o TOC140 POESIA NO TWITTER.



VARANDA

O mar entrou com o céu
na sala vazia
e ficou por ali.
Não saiu nunca mais.




Feliz!

5 de set. de 2011

Todo poema tem sua semente no sentir ou na ideia? Não sei dizer. Mudo tanto e tão constantemente, que os ritos da palavra tornam-se nebulosos... Assim, de onde vem os poemas? Não vem dos acontecimentos, disse o poeta. Vem do momento translúcido que se vislumbra, estende-se a palma e lá brilha ele, mas tão fugaz... Como um sonho brando, tão difícil de recordar na manhã que segue... Súbito entre uma inspiração e uma expiração teu olho fixa o vazio ao longe... Ele reina tão sombrio naquela paisagem, árdua a visão estreita-se em busca... Pronto, se não o captura, passou...




Fonte



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?"
(CDA)

15 de jul. de 2011

Da noite

O olhar abaixo, chão.
O olhar acima: canção.

23 de jan. de 2011

5 de ago. de 2010

Quando o espelho já não é mais seu conhecido, é quando você sabe: chegou a hora de abandonar quem fui.

Choque brutal. O que houve, que ocorreu, quem é este? Onde "seu frescor e seu riso, tonta alegria do teu dorso no cio" ?

Quando tudo anda tão rasteiro quanto a porta da cozinha de tinta opaca, os esmaltes em suas unhas já não enganam ninguém, o tempo caminha em sua direção, e você apenas agoniza a sua espera.

Apenas teu pulso reage...








Um poema de um tempo tão antigo, que nem sei mais que estação era aquela...




O Armário


Desejo tonto de tua mão na nuca,
dores em continência, bem ao meu alcance,
estes cristais, a prateleira,
o vôo do pássaro quando abro a gaveta,
o graveto em seu bico:
estas inutilidades todas que os sentimentos ditam,
acúmulo de afeto, tesouros e pardais.
Recomeçar o poema. Vem de novo a roda, a vida,
o primeiro beijo,
eu gosto deste teu terno,
às sete no ponto de ônibus,
guardo tantos papéis, quanto(s) seria(m) necessário(s) ?
Desejo tonto de tua nuca no dorso,
um emblema antigo, eu ainda era menina,
eu ainda sou menina,
adormeço sobre o tremor de meus pensamentos,
busco saber em que canto do armário a tenho perdida,
seu frescor e seu riso,
tonta alegria do teu dorso no cio.

14 de abr. de 2010

Neruda, a pedidos da Palpi

Do livro que eu reencontrei,





querido desde 97






perdido a alguns anos, um poeminha amado.







"NÃO TE TOQUE a noite nem o ar nem a aurora,
só a terra, a virtude dos cachos,
as maçãs que crescem ouvindo a água pura,
o barro e as resinas de teu país fragrante.

Desde Quinchamalí onde fizeram teus olhos
aos teus pés criados para mim na Fronteira
és a greda escura que conheço:
em teus quadris toco de novo todo o trigo.

Talvez tu não saibas, araucana,
que quando antes de amar-te me esqueci de teus beijos
meu coração ficou recordando tua boca

e fui como um ferido pelas ruas
até que compreendi que havia encontrado
amor, meu território de beijos e vulcões."
(Pablo Neruda)



1 de jul. de 2009

Prá não dizer que não escrevo...

O Bom dia IX já foi..

Então vamos ao VIII.









Bom dia VIII


A festa do canto
não aguarda a manhã que se aproxima.
Duelo, dança, diálogo?
Os pássaros se sabem.
Não são homens,
estes seres que apenas interrogam.
Encorpa-se o azul com os pingos gordos e lentos,
que a luz entorna no manto.


9 de mai. de 2009

Sujeição

O fato
é que estamos sujeitos a cataclismas,
arrepios e pensões.
A condição humana, que regurgita todo tempo.
O fato é que pode ser que sim,
pode ser que não,
pode ser apenas isto mesmo que estás a ver,
um rito simplório que se espalha pela casa.
Acomoda-te e aproveita, seja como for.
A razão
não encontrarás neste longo trovão que esperas conclua-se.




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Minha vizinha é poeta. Tem livros, prêmios e blogs. Inspirou-me.

Tábua de Marés

17 de fev. de 2009

Sendo carnaval, o poema é de natal

Se perguntamos, porque não aos poetas?





Não interessa se é carnaval, Vinícius é Vinícius e o belo irresistível.

Sobre o filme , eu só digo: assistam...


"Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
"



Tão simples...

Agora danou-se, vou lê-lo até enjoar, apaixonada uma vez mais...



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UPDATE - A propósito, Diler, bem que busquei algo de Vinícius sobre carnaval, mas a despeito deste aqui que encontrei, acho que ele não gostava muito dessa festa... Ao contrário de mim, que gosto muito. Estranho, porque Vinícius combina com carnaval, SMJ. Claro que é uma conclusão ilógica considerando que Vinícius criou Orfeu...

1 de out. de 2008

Belchior / Drummond

Um sabiá
na palmeira, longe.
Estas aves cantam
um outro canto.

O céu cintila
sobre flores úmidas.
Vozes na mata,
e o maior amor.

Só, na noite,
seria feliz:
um sabiá,
na palmeira, longe.

Onde tudo é belo
e fantástico,
só, na noite,
seria feliz.
(Um sabiá,
na palmeira, longe.)

Ainda um grito de vida e
voltar
para onde tudo é belo
e fantástico:
a palmeira, o sabiá,
o longe.

(Nova canção do exílio - Drummond)


Fiquei meio besta quando vi que em minha saraivada no emule cacei algumas preciosidades de um trabalho que desconhecia, este As Várias Caras do Drummond. Digamos que eu o percebi como um sonho de consumo realizado, que contudo eu sequer me permitira sonhar existir. Foi assim mesmo o sentimento.

Mais informações no link em riba. Inclusive sobre os desenhos, todos feitos pelo próprio Belchior.





E o poema eu posto como se fosse uma imagem. Está vendo o sabiá, a palmeira e "o longe"? Que imagem fantástica não? Só Drummond mesmo, sô...

4 de set. de 2008

Exercício Gramatical

Transpor.
Transcender.
Emergir.
Desligar.
Em todas as conjugações há verbos de não alcançar.



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"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.
"
(Olavo Bilac)

21 de fev. de 2008

Poeminha

Meu amigo "Dan Stulbach" mandou-me, olha que belo. Flor Bela Espanca. Que seria de nós sem os amigos verdadeiros?


"Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha que cais!

Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quirneras irreais,
Não valem o prazer duma saudade!

Tu chamas ao meu seio, negra prisão!
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbres o brilho do luar!...

Não 'stendas tuas asas para o longe..
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela,a soluçar..."

7 de out. de 2007

Casamento





"Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como 'este foi difícil'
'prateou no ar dando rabanadas'
e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
"
(Adélia Prado, para meu amor)

2 de set. de 2007

Palavra


Um sabor de sonho em sua boca me chama:
LOUCA.
Uma tinta clara em seu olhar me diz:
AZUL.
A gota de orvalho, verdinha em folha, tremula:
ÁGUA.
Silêncio no peito, reluz a chama, esse denso amor:
PALAVRA.

(A palavra tem toda cor.)






22 de ago. de 2007

Genipapo Absoluto





Há dias
em que embebeda-me a poesia.
Alheia.
Ou minha, ou sua, ou nossa.
Poesia que emana de quem passa,
de árvore que sonho,
canção que principia,
uma lembrança de fala.
De um desejo de fruta que não sei nem me sabe.
À fruta,
versos em uma pauta,
que à ela se prendeu
e dela esqueceu
como o mais na existência:
instante que se estende
permanente na alma.




"Como será pois se ardiam fogueiras
Com olhos de areia quem viu
Praias, paixões fevereiras
Não dizem o que junhos de fumaça e frio
Onde e quando é genipapo absoluto
Meu pai, seu tanino, seu mel
Prensa, esperança, sofrer, prazeria
Promessa, poesia, Mabel

Cantar é mais do que lembrar
É mais do que ter tido aquilo então
Mais do que viver do que sonhar
É ter o coração daquilo

Tudo são trechos que escuto – vêm dela
Pois minha mãe é minha voz
Como será que isso era este som
Que hoje sim, gera sóis, dói em dós
"Aquele que considera"
A saudade de uma mera contraluz que vem
Do que deixou pra trás
Não, esse só desfaz o signo
E a 'rosa também' "

(Genipapo Absoluto - Caetano Veloso)

16 de ago. de 2007

"...vamos de mãos dadas..."

"Na oficina do trabalho ou no templo de tua fé, não esperarás que o chefe, o diretor, o colega, o companheiro ou o subordinado pronunciem reclamações para resolver os problemas, cuja presença reconheces, e sim desenvolverás esforço máximo para que a harmonia e a segurança permaneçam resguardadas na equipe, evitando qualquer ruptura nos mecanismos de ação. E, no giro dos passos cotidianos, seja na rua ou no ônibus, não te recusarás a estender o braço amigo ao doente ou à criança, sob o pretexto da falta de tempo; abster-se-á de tomar a atenção dos balconistas, quando o horário de trabalho esteja findo, ponderando que eles, possivelmente, estarão presos a compromissos familiares que nunca te pesaram nos ombros; pagarás tuas dívidas com o senso da exatidão, sem desprezar as contas singelas, reconhecendo que alguns cruzeiros constituem subida importância entre muitos daqueles que te honraram com pequeninos serviços; dirás 'muito obrigado' à telefonista ou à costureira que te atenderam as solicitações; agradecerás com uma boa palavra ao transeunte a quem pediste um esclarecimento e que te ajudou com gentileza, sem o dever de te auxiliar; não censurarás o moço do armazém em regime de atraso, lembrando-te que ele estará atravessando provas ocultas, que talvez não suportarias, chorando no íntimo e satisfazendo, ao mesmo tempo, os imperativos da profissão.

Diariamente, todos somos chamados à realizações de essência social. Atende à tua empresa particular, nesse sentido. Age, porém, de tal modo que o mal não venha a surgir provocando contenção. Seja onde for, tanto quanto possível, faze bem antes dele.
"
(In Encontro Marcado, por Emmanuel - psicografado por Francisco Cândido Xavier)


Obtido aqui.


Embora contidos em um livro dito "espírita", estes conselhos são de ordem moral. Doméstica. Aprende-se em casa. Ou assim deveria - infelizmente, muitos não tiveram esta sorte, a de receberem uma boa educação doméstica. Mal sabem eles que "gentileza gera gentileza". Não sabem o que fazem.



E esta aqui.


A vida, contudo, está aí não apenas para ser vivida, mas também observada, como fonte de conhecimento. É nosso dever de seres pensantes a evolução moral, espiritual, intelectual. Não foi gratuita a oferta divina da mente humana superior, da alma livre, associada aos céus. Tal dávida possui um preço (concordo, é uma metáfora mercantil em demasia para um tema de cunho moral; é contudo didática), que não nos é cobrado, apenas. Por enquanto. É o livre-arbítrio a nós concedido pelo Ser Supremo. Direito de escolha, entretanto, implica em escolha de consequência. Sábio é quem a isto vê.

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Ando muito conselheira ultimamente. Isto é porque aguardo por conselhos. É uma ação que espera reação. O que nunca funciona de fato: pessoas que muito falam como eu, em geral transmitem a mensagem de que não necessitam ouvir. Só que elas são as que mais precisam. Ouvir.

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"Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
"
(Drummond. Escute-o aqui e chore.

A propósito, agora está em link permanente na lateral do Maio os poemas declamados pelo Drummond)

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Post longo. Madrugada longa. Boa noite. Espero que sirva a alguém estas palavras, além de mim.