O fim do amor
O que se perde não tornará.
Apenas saudade rota.
Depois, nem saudade mais.
Inexistiu.
Nunca houve.
Cinza apagada do cigarro que não se fumou,
e mesmo assim veio o vento … levou …
O que fica?
Não fica nada.
Apenas a moldura à espera do retrato novo.
Mostrando postagens com marcador palavra minha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador palavra minha. Mostrar todas as postagens
6 de ago. de 2014
28 de nov. de 2013
Resíduo
... e parte o tempo que restara,
desfaz-se a relutante cinza,
e fica a sombra do sorriso que nossa face não conteve,
que vira voz e verso breve,
redemoinho de canção que passa
e segue...
...e que porque não principia não se finda...
...e mesmo a areia esquece...
3 de out. de 2011
Selecionado...
... o poeminha abaixo no 2o TOC140 POESIA NO TWITTER.
VARANDA
O mar entrou com o céu
na sala vazia
e ficou por ali.
Não saiu nunca mais.
Feliz!
VARANDA
O mar entrou com o céu
na sala vazia
e ficou por ali.
Não saiu nunca mais.
Feliz!
5 de set. de 2011
Todo poema tem sua semente no sentir ou na ideia? Não sei dizer. Mudo tanto e tão constantemente, que os ritos da palavra tornam-se nebulosos... Assim, de onde vem os poemas? Não vem dos acontecimentos, disse o poeta. Vem do momento translúcido que se vislumbra, estende-se a palma e lá brilha ele, mas tão fugaz... Como um sonho brando, tão difícil de recordar na manhã que segue... Súbito entre uma inspiração e uma expiração teu olho fixa o vazio ao longe... Ele reina tão sombrio naquela paisagem, árdua a visão estreita-se em busca... Pronto, se não o captura, passou...

Fonte
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?"
(CDA)
Fonte
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?"
(CDA)
23 de jul. de 2011
Agora não dá mais tempo
É tempo de ganhar tempo. Pouco não, só serve bastante. E a qualquer tempo.
Tomemos um exemplo antigo. Um conselho materno esquecido, mas às vezes recordado, de formas de combate da insônia quase matinal: o leite morno. Você está na cozinha, a xícara já em sua sua mão, olha para o armário onde se encontra a chaleira, olha para o fogão, olha para o micro-ondas. Existe alguma dúvida a ser solvida?
Você não necessita ficar em pé diante da máquina para aguardar seu leitinho. Ela vai apitar para você, e você a escutará onde quer que esteja dentro de casa, às vezes fora. Sim, concordo, há chaleiras que apitam, mas senhores, estamos em tempos instantâneos, tudo aqui é instantâneo, inclusive o leite de soja em pó que é, agora, o único possível de consumo a seu organismo intolerante (porque o corpo fala, e este conceito é velho e antiquado, mas deixemos isto para outras linhas, se der tempo).
Você decide, contudo, num impulso nostálgico, recordar sua mãe. Lá vai ao armário, apanha a chaleira, cinza, cinza, coitada, abandonada pela empregada – bem diferente do micro-ondas branquinho - e espera. E espera. E espera. “Será que o gás está muto baixo”, você pensa, e examina a chama azul.
Até que surge a primeira bolha minúscula na superfície plácida de alumínio. É necessário ainda aguardar mais um pouco até... até que você recorda, o leite é morno! Felicidade intensa. Ainda dá tempo de escrever um pouco.
Mas foi só uma pequena vitória, acredite.
O tempo é um senhor muito hábil. Um competidor invencível, eis um fato, ainda que noite alta. Sem dúvida alguma, uma de suas melhores armas é a capacidade de ser um exagerado anfitrião, o melhor. Neste item, ele nunca perdoa. Sempre vai te servir os convidados mais interessantes, os drinks mais coloridos nos mais altos copos, os acepipes mais luxuriantes. Esqueça em definitivo a remota possibilidade de que, num lapso caridoso, o tempo resolva te ajudar a vencê-lo. Isso não vai acontecer. Não pondere contra ele, é seu melhor adversário.
Por essas e outras, a única medida que resta providenciar nestas horas é esquecer coisas como aquela próxima mini-crônica, ocorrida na mente enquanto você pensava em leitinho, gás e micro-ondas. Aquela, que você ia começar assim: o tempo é o pai da tecnologia. Pois bem, agora não dá mais tempo, fica pra próxima noitada. Aliás uma boa dica para ela, sabe qual é? Usar o micro-ondas. Com hífen, assim mesmo.
Tomemos um exemplo antigo. Um conselho materno esquecido, mas às vezes recordado, de formas de combate da insônia quase matinal: o leite morno. Você está na cozinha, a xícara já em sua sua mão, olha para o armário onde se encontra a chaleira, olha para o fogão, olha para o micro-ondas. Existe alguma dúvida a ser solvida?
Você não necessita ficar em pé diante da máquina para aguardar seu leitinho. Ela vai apitar para você, e você a escutará onde quer que esteja dentro de casa, às vezes fora. Sim, concordo, há chaleiras que apitam, mas senhores, estamos em tempos instantâneos, tudo aqui é instantâneo, inclusive o leite de soja em pó que é, agora, o único possível de consumo a seu organismo intolerante (porque o corpo fala, e este conceito é velho e antiquado, mas deixemos isto para outras linhas, se der tempo).
Você decide, contudo, num impulso nostálgico, recordar sua mãe. Lá vai ao armário, apanha a chaleira, cinza, cinza, coitada, abandonada pela empregada – bem diferente do micro-ondas branquinho - e espera. E espera. E espera. “Será que o gás está muto baixo”, você pensa, e examina a chama azul.
Até que surge a primeira bolha minúscula na superfície plácida de alumínio. É necessário ainda aguardar mais um pouco até... até que você recorda, o leite é morno! Felicidade intensa. Ainda dá tempo de escrever um pouco.
Mas foi só uma pequena vitória, acredite.
O tempo é um senhor muito hábil. Um competidor invencível, eis um fato, ainda que noite alta. Sem dúvida alguma, uma de suas melhores armas é a capacidade de ser um exagerado anfitrião, o melhor. Neste item, ele nunca perdoa. Sempre vai te servir os convidados mais interessantes, os drinks mais coloridos nos mais altos copos, os acepipes mais luxuriantes. Esqueça em definitivo a remota possibilidade de que, num lapso caridoso, o tempo resolva te ajudar a vencê-lo. Isso não vai acontecer. Não pondere contra ele, é seu melhor adversário.
Por essas e outras, a única medida que resta providenciar nestas horas é esquecer coisas como aquela próxima mini-crônica, ocorrida na mente enquanto você pensava em leitinho, gás e micro-ondas. Aquela, que você ia começar assim: o tempo é o pai da tecnologia. Pois bem, agora não dá mais tempo, fica pra próxima noitada. Aliás uma boa dica para ela, sabe qual é? Usar o micro-ondas. Com hífen, assim mesmo.
15 de jul. de 2011
6 de jun. de 2011
Da manhã que nasceu...
... saiu um dia um poeminha.
O poema insone
A noite estanque silencia: dorme.
Mas a alma não esquece
e o poema cisma até a manhãzinha.
O poema insone
A noite estanque silencia: dorme.
Mas a alma não esquece
e o poema cisma até a manhãzinha.
3 de fev. de 2010
O twitter, este sorrateiro
Dos vícios internáuticos, o twitter é o crack.
Você nunca mais será o mesmo depois dele. Por isso, se puder, nem chegue perto. Salvo se todo tempo do mundo estiver a seu dispor, então, pode preparar o dicionário de asneiras e digitar as letrinhas mágicas t-w-...
Porque tem a velocidade do pensamento, para os bipolares retraídos representa o êxtase. Imagine, poder expressar-se sem olhar nos olhos, falar com todos e com ninguém? Supremo.
O twitter me faz recordar também um imenso chat. Lembra o chat? Pois o twitter é um chatão, só que mais fácil. Qualquer alusão ao adjetivo contudo é mera coincidência, pois de chato o twitter nada tem, muitíssimo pelo contrário. Twitter, diversão é teu nome. Já viu alguma droga chata? Não tem.
Para não dizer que apenas há bobagens no twitter, informo-lhes que há também informação, mas representa, digamos, 10% em um universo composto por 90% de coisinhas engraçadas, malucas, safadas e sem sentido também. Obviamente terás que procurar, como em tudo na internet.
Enfim, já me alonguei demais por aqui. Este blog é passado, mas eu volto. 190 new tweets me esperam, que fazer... Acompanhem. Me segue, que eu te sigo (mentira, não é esta a política desta casa).
Você nunca mais será o mesmo depois dele. Por isso, se puder, nem chegue perto. Salvo se todo tempo do mundo estiver a seu dispor, então, pode preparar o dicionário de asneiras e digitar as letrinhas mágicas t-w-...
Porque tem a velocidade do pensamento, para os bipolares retraídos representa o êxtase. Imagine, poder expressar-se sem olhar nos olhos, falar com todos e com ninguém? Supremo.
O twitter me faz recordar também um imenso chat. Lembra o chat? Pois o twitter é um chatão, só que mais fácil. Qualquer alusão ao adjetivo contudo é mera coincidência, pois de chato o twitter nada tem, muitíssimo pelo contrário. Twitter, diversão é teu nome. Já viu alguma droga chata? Não tem.
Para não dizer que apenas há bobagens no twitter, informo-lhes que há também informação, mas representa, digamos, 10% em um universo composto por 90% de coisinhas engraçadas, malucas, safadas e sem sentido também. Obviamente terás que procurar, como em tudo na internet.
Enfim, já me alonguei demais por aqui. Este blog é passado, mas eu volto. 190 new tweets me esperam, que fazer... Acompanhem. Me segue, que eu te sigo (mentira, não é esta a política desta casa).
29 de out. de 2009
Downzinha
"vai à missa, vai à praça!
deixa a tristeza passar!"
Passa nada.
Só passa mesmo a banda e a uva-passa.

Do Frango Albino
--------------------------------
UPDATE - Prá que, hein?
É mesmo que fazer gol contra, pelamordedeus...
E quem tem um amigo como tu num precisa disso não...
Marcadores:
falando sozinha,
música,
palavra minha,
solidão é lava que cobre tudo,
youtube
21 de set. de 2009
1 de jul. de 2009
Prá não dizer que não escrevo...
O Bom dia IX já foi..
Então vamos ao VIII.

Bom dia VIII
A festa do canto
não aguarda a manhã que se aproxima.
Duelo, dança, diálogo?
Os pássaros se sabem.
Não são homens,
estes seres que apenas interrogam.
Encorpa-se o azul com os pingos gordos e lentos,
que a luz entorna no manto.
Então vamos ao VIII.
Bom dia VIII
A festa do canto
não aguarda a manhã que se aproxima.
Duelo, dança, diálogo?
Os pássaros se sabem.
Não são homens,
estes seres que apenas interrogam.
Encorpa-se o azul com os pingos gordos e lentos,
que a luz entorna no manto.
9 de mai. de 2009
À minha mãezinha, ...
à sua mãezinha, a mim que sou mãezinha, a você que é mãezinha...
Mãe

Caiu-me ao colo a estrela,
levei-a ao peito e grudou.
Pronto.
Bastou.
Engravidou-me.
Publicado em 29/07/2007.
Mãe

Caiu-me ao colo a estrela,
levei-a ao peito e grudou.
Pronto.
Bastou.
Engravidou-me.
Publicado em 29/07/2007.
Sujeição
O fato
é que estamos sujeitos a cataclismas,
arrepios e pensões.
A condição humana, que regurgita todo tempo.
O fato é que pode ser que sim,
pode ser que não,
pode ser apenas isto mesmo que estás a ver,
um rito simplório que se espalha pela casa.
Acomoda-te e aproveita, seja como for.
A razão
não encontrarás neste longo trovão que esperas conclua-se.
--------------------------
Minha vizinha é poeta. Tem livros, prêmios e blogs. Inspirou-me.
Tábua de Marés
é que estamos sujeitos a cataclismas,
arrepios e pensões.
A condição humana, que regurgita todo tempo.
O fato é que pode ser que sim,
pode ser que não,
pode ser apenas isto mesmo que estás a ver,
um rito simplório que se espalha pela casa.
Acomoda-te e aproveita, seja como for.
A razão
não encontrarás neste longo trovão que esperas conclua-se.
--------------------------
Minha vizinha é poeta. Tem livros, prêmios e blogs. Inspirou-me.
Tábua de Marés
28 de abr. de 2009
Bom dia X, X dias depois
Fonte.
Bom dia X
Tão cedo
e vem a manhã
três e madrugada.
Inda nem foi o ébrio e desesperado último da festa.
A luz desliga o som,
a brisa insone cala a noite e o sonho do poeta.
Agora tributário. Nada poético, claro.
15 de abr. de 2009
Bom dia XI
Como ando, conforme já informado, bastantemente focada em alguns projetos, para não deletarem o blog(!), vou postar por aqui os meus poemas "Bom dia".
E já estou no décimo primeiro, kcilda!
Bom, espero que gostem deles como gosto de escrevê-los. São poemas da madrugada, de quando acordo muito cedo e vejo o dia da minha varanda.
Vou começar de trás para frente. Este foi de anteontem.

Fonte.
Bom dia XI
Sob a chuva e o céu azul
às cinco horas do dia
até os prédios não são cinza.
Refletem-se na sarjeta e no brilho das folhas,
como as luzes que restam e o fusca vermelho.
Os fios aos postes: são colares que se desfazem,
gotas lentas, aborrecidas,
que correm até secarem ao chão.
E já estou no décimo primeiro, kcilda!
Bom, espero que gostem deles como gosto de escrevê-los. São poemas da madrugada, de quando acordo muito cedo e vejo o dia da minha varanda.
Vou começar de trás para frente. Este foi de anteontem.

Fonte.
Bom dia XI
Sob a chuva e o céu azul
às cinco horas do dia
até os prédios não são cinza.
Refletem-se na sarjeta e no brilho das folhas,
como as luzes que restam e o fusca vermelho.
Os fios aos postes: são colares que se desfazem,
gotas lentas, aborrecidas,
que correm até secarem ao chão.
30 de jul. de 2008
Tipos 2 – A Abandonada
A sala de espera do consultório é pequena. Sete mulheres nos exatos sete lugares dos dois sofás existentes. Ela surgiu algumas vezes na porta de vidro, sorriu ou exclamou rapidamente para a atendente loura e sisuda. "Vou dar uma volta, é tão grande o hospital". "A senhora pode se sentar, eu não vou entrar agora". Os cigarros se sucedem.
Entra e senta afinal, cruza as pernas brancas e flácidas, de quem perdeu e ganhou peso várias vezes. Camiseta clara, composta, saia jeans. Alta, magra. Cabelos descuidados cortados à altura dos ombros. Olheiras. Uma face perfeitamente esquecível. Mas fala muito, o que chama atenção.
"Como está frio o dia".
"Mas como essa moça – e aponta a revista que tem nas mãos - está gorda, não é?”
Em algum momento incerto a narrativa de sua história se inicia.
O marido trabalha em outra capital. E ela não sabe muito bem por quê, um dia, após trinta anos de casada, ele disse "Olhe, eu não quero mais morar com você".
O porquê, contudo, tem grossos cabelos, um corpo pequeno e moreno, "realmente", enlouquecedor - e segura as própria ancas e seios para demonstrar. "Uma coisa é verdade, ela nunca me incomodou. Esta mulher nunca me telefonou".
E, apesar de tudo, não, ele não saiu de casa. Retorna nos finais de semana, deitam-se juntos na cama e não se tocam. "E nos feriados, também. Natal, ano novo, ele sempre está em casa". Mas a filha casou, e ela está muito só. "Já faz quatro anos". "Não, nunca fui à Fortaleza".
Não sorri em momento algum. Tampouco esboça lágrimas ou pesar.
"Sim, eu vou ao psicólogo. A doutora é ótima".
Relata suas doenças, seus achaques. Diz onde mora. Não, nunca trabalhou. Fala da sogra. "Como ela me detesta". Mas foi ela quem a salvou quando teve seu enfarte, parece que esqueceu!
"Uma coisa é verdade, em minha casa nunca faltou nada".
Outro dia o marido chegou de Fortaleza reclamando "Que dor no pescoço" – e ela mostra onde doeu, mão espalmada. Foram ao médico. "Estou precisando de sapatos", ele diz. Ela o leva ao shopping.
Quando ela entra no consultório, eu a vejo à janela do prédio em que mora, entre espirais de fumaça do cigarro.
Quando sai, está sorrindo.
"Boa sorte."
"Para você também, querida".
Entra e senta afinal, cruza as pernas brancas e flácidas, de quem perdeu e ganhou peso várias vezes. Camiseta clara, composta, saia jeans. Alta, magra. Cabelos descuidados cortados à altura dos ombros. Olheiras. Uma face perfeitamente esquecível. Mas fala muito, o que chama atenção.
"Como está frio o dia".
"Mas como essa moça – e aponta a revista que tem nas mãos - está gorda, não é?”
Em algum momento incerto a narrativa de sua história se inicia.
O marido trabalha em outra capital. E ela não sabe muito bem por quê, um dia, após trinta anos de casada, ele disse "Olhe, eu não quero mais morar com você".
O porquê, contudo, tem grossos cabelos, um corpo pequeno e moreno, "realmente", enlouquecedor - e segura as própria ancas e seios para demonstrar. "Uma coisa é verdade, ela nunca me incomodou. Esta mulher nunca me telefonou".
E, apesar de tudo, não, ele não saiu de casa. Retorna nos finais de semana, deitam-se juntos na cama e não se tocam. "E nos feriados, também. Natal, ano novo, ele sempre está em casa". Mas a filha casou, e ela está muito só. "Já faz quatro anos". "Não, nunca fui à Fortaleza".
Não sorri em momento algum. Tampouco esboça lágrimas ou pesar.
"Sim, eu vou ao psicólogo. A doutora é ótima".
Relata suas doenças, seus achaques. Diz onde mora. Não, nunca trabalhou. Fala da sogra. "Como ela me detesta". Mas foi ela quem a salvou quando teve seu enfarte, parece que esqueceu!
"Uma coisa é verdade, em minha casa nunca faltou nada".
Outro dia o marido chegou de Fortaleza reclamando "Que dor no pescoço" – e ela mostra onde doeu, mão espalmada. Foram ao médico. "Estou precisando de sapatos", ele diz. Ela o leva ao shopping.
Quando ela entra no consultório, eu a vejo à janela do prédio em que mora, entre espirais de fumaça do cigarro.
Quando sai, está sorrindo.
"Boa sorte."
"Para você também, querida".
22 de mai. de 2008
Amigos
Tive uma juventude maravilhosa.
Desta juventude, alguns amigos ficaram, com os quais me entendo a um simples olhar, ou, nesses tempos de internet, a um simples "oi, pode falar agora?", no MSN.
Posso passar anos sem vê-los. Contudo, é incrível como, após alguns minutos de conversa, parece que estamos sentados no chão dos corredores da escola em que nos conhecemos, naqueles tempos em que o tempo não importava, e podíamos trocar impressões sobre tudo que nos ocorresse por horas e horas, até que a noite caísse e nos chamasse a atenção - enfim, o tempo existia. Isto tampouco incomodava, porque o dia seguinte viria, e nós estaríamos ali, mas uma vez... não, desta vez estaríamos junto ao lago, ao sol. Continuando "aquela conversa/que não terminamos ontem ficou pra hoje". O fato é: controlávamos o tempo. E a distância. Como isto era bom.
Tenho muita saudade daqueles tempos. Uma saudade quase latejante, muitas e muitas vezes. Algo tão bom, tão bom em uma vida, que só por não mais existir "daquele jeitinho mesmo" dói.
Isto pode parecer cafona e chinfrim para muitos. É porém tão importante para mim, que ofendem-me os que pensam desta forma. Nem me leiam mais, eu peço, se ao iniciar este texto murmurarem "lá vem notalgia de novo". Porque não consigo compreender um mundo que despreza e ridiculariza tal tipo de sentimento, e isto é definitivo (vou morrer assim, não tem mais jeito). Fodam-se os cínicos, que certamente jamais passaram por tal experiência. Acho que prefiro ser uma pessoa triste a ser alguém desligado de tudo isso. O que eu espero um dia poder alcançar é saber controlar e entender essa tristeza. Neste dia, posso morrer, cumpri meu destino.
Não quero fazer a Ode à Nostalgia, porque ninguém melhor que eu sabe quanto isto pode fazer mal. A vida precisa seguir. Prolongar momentos de saudade é doentio. Isto quer sempre me pegar e como sou vulnerável... Mas estou sobrevivendo. Pode estar empatado o jogo, mas sobrevivo.
Até mesmo prá honrar estes amigos da juventude, que podem olhar diretamente dentro dos meus olhos e saber que sofro, ou que rio, ou que choro ou que peno e os amo.
Para vocês dois. Si e Lu. Um beijo imenso no coração.
Desta juventude, alguns amigos ficaram, com os quais me entendo a um simples olhar, ou, nesses tempos de internet, a um simples "oi, pode falar agora?", no MSN.
Posso passar anos sem vê-los. Contudo, é incrível como, após alguns minutos de conversa, parece que estamos sentados no chão dos corredores da escola em que nos conhecemos, naqueles tempos em que o tempo não importava, e podíamos trocar impressões sobre tudo que nos ocorresse por horas e horas, até que a noite caísse e nos chamasse a atenção - enfim, o tempo existia. Isto tampouco incomodava, porque o dia seguinte viria, e nós estaríamos ali, mas uma vez... não, desta vez estaríamos junto ao lago, ao sol. Continuando "aquela conversa/que não terminamos ontem ficou pra hoje". O fato é: controlávamos o tempo. E a distância. Como isto era bom.
Tenho muita saudade daqueles tempos. Uma saudade quase latejante, muitas e muitas vezes. Algo tão bom, tão bom em uma vida, que só por não mais existir "daquele jeitinho mesmo" dói.
Isto pode parecer cafona e chinfrim para muitos. É porém tão importante para mim, que ofendem-me os que pensam desta forma. Nem me leiam mais, eu peço, se ao iniciar este texto murmurarem "lá vem notalgia de novo". Porque não consigo compreender um mundo que despreza e ridiculariza tal tipo de sentimento, e isto é definitivo (vou morrer assim, não tem mais jeito). Fodam-se os cínicos, que certamente jamais passaram por tal experiência. Acho que prefiro ser uma pessoa triste a ser alguém desligado de tudo isso. O que eu espero um dia poder alcançar é saber controlar e entender essa tristeza. Neste dia, posso morrer, cumpri meu destino.
Não quero fazer a Ode à Nostalgia, porque ninguém melhor que eu sabe quanto isto pode fazer mal. A vida precisa seguir. Prolongar momentos de saudade é doentio. Isto quer sempre me pegar e como sou vulnerável... Mas estou sobrevivendo. Pode estar empatado o jogo, mas sobrevivo.
Até mesmo prá honrar estes amigos da juventude, que podem olhar diretamente dentro dos meus olhos e saber que sofro, ou que rio, ou que choro ou que peno e os amo.
Para vocês dois. Si e Lu. Um beijo imenso no coração.
11 de mar. de 2008
Birthdays
Apesar de todo inferno.
Todo calor.
Meninos de rua jogando malabares nos sinais. Sorrindo ou não de rostos grudados nos vidros do carros.
Trânsito caótico.
Violência.
Crescimento desordenado, com tudo que pode surgir de bom e mau em uma cidade que literalmente explode.
Apesar de tudo, Recife é linda e inesquecível. Entra no sangue da gente de um jeito que fica muito difícil de sair.
Vou sentir saudades quando daqui me for. Principalmente destas ruas que foram um dia amenas, da região em que vivo: Aflitos, Rosarinho, Espinheiro. Parque da Jaqueira. O rio. Tá bom, vou me lascar de saudades. Mas ainda falta um pouco, infelizmente, contudo (é um sentimento dúbio). De qualquer maneira, eu sempre soube mesmo que não ia ficar para sempre.

Parque da Jaqueira - captada aqui.
Ai, eu ia esquecendo a razão de tudo isso.
FELIZ ANIVERSÁRIO, cidade linda!
Presentinho:
Como certos bichos,
necessito caminhar estas ruas,
espalhar meu odor e reconhecê-lo entre seus quintais.
As pedras percebem meus passos,
amoldam-se ao peso do corpo.
Os muros são livres
e vagam comigo ao que percorrem meu sussurro.
É leve o sol,a brisa, as faces
que tocam minha pele com olhos serenos
por estes caminhos perpetuamente cravados na memória. .
Reflito-os e transcendo-os.
São seus jardim meus corredores,
minha cama suas esquinas,
sua praça minha mesa farta.
Jamais estarei distante deste lugar.
-----------
O outro aniversariante do período é Meu Filho. Completou um ano de casa hoje (Recife completará 471 amanhã, 12 de março). Quem diria... Só não cresceu muito, coitado, embora aparente boa saúde.
Todo calor.
Meninos de rua jogando malabares nos sinais. Sorrindo ou não de rostos grudados nos vidros do carros.
Trânsito caótico.
Violência.
Crescimento desordenado, com tudo que pode surgir de bom e mau em uma cidade que literalmente explode.
Apesar de tudo, Recife é linda e inesquecível. Entra no sangue da gente de um jeito que fica muito difícil de sair.
Vou sentir saudades quando daqui me for. Principalmente destas ruas que foram um dia amenas, da região em que vivo: Aflitos, Rosarinho, Espinheiro. Parque da Jaqueira. O rio. Tá bom, vou me lascar de saudades. Mas ainda falta um pouco, infelizmente, contudo (é um sentimento dúbio). De qualquer maneira, eu sempre soube mesmo que não ia ficar para sempre.
Parque da Jaqueira - captada aqui.
Ai, eu ia esquecendo a razão de tudo isso.
FELIZ ANIVERSÁRIO, cidade linda!
Presentinho:
Como certos bichos,
necessito caminhar estas ruas,
espalhar meu odor e reconhecê-lo entre seus quintais.
As pedras percebem meus passos,
amoldam-se ao peso do corpo.
Os muros são livres
e vagam comigo ao que percorrem meu sussurro.
É leve o sol,a brisa, as faces
que tocam minha pele com olhos serenos
por estes caminhos perpetuamente cravados na memória. .
Reflito-os e transcendo-os.
São seus jardim meus corredores,
minha cama suas esquinas,
sua praça minha mesa farta.
Jamais estarei distante deste lugar.
-----------
O outro aniversariante do período é Meu Filho. Completou um ano de casa hoje (Recife completará 471 amanhã, 12 de março). Quem diria... Só não cresceu muito, coitado, embora aparente boa saúde.
14 de fev. de 2008
Diga
Onde eu seco esse oceano?
Onde espremo esse limão?
Onde abrigo esta louca?
Esta noite, quando acaba?
Este frio, um dia passa?
Ou vira tudo
palavra,
insônia,
desproteção?
Onde espremo esse limão?
Onde abrigo esta louca?
Esta noite, quando acaba?
Este frio, um dia passa?
Ou vira tudo
palavra,
insônia,
desproteção?
25 de jan. de 2008
Emergindo...
... desse mar ...

e desse sol...

Completamente fora de tempo...
UPDATE:
A única produção das férias:
Adormeço.
Apenas as tensas cajaranas observam.
Atrás delas o azul,
mais nada.
Silêncio de sol e vento.
As únicas conclusões das férias: findo HP7 e metade do livro do Norton Juster. O infantil.
NEW UPDATE: Con, Praia de Paripueira - AL.
e desse sol...
Completamente fora de tempo...
UPDATE:
A única produção das férias:
Adormeço.
Apenas as tensas cajaranas observam.
Atrás delas o azul,
mais nada.
Silêncio de sol e vento.
As únicas conclusões das férias: findo HP7 e metade do livro do Norton Juster. O infantil.
NEW UPDATE: Con, Praia de Paripueira - AL.
Assinar:
Postagens (Atom)
