18 de ago. de 2007

Sabores da Terra, Sabores na Tela





Nunca imaginei que postaria aqui "merchan" de salgadinho (algo que abomino em termos de nutrição), mas enfim, para tudo há sempre uma primeira vez.

Encontrei na padaria da esquina essas novidadezinhas da Elma Chips: inhame e macaxeira fritas. Muito bom o primeiro, da próxima experimento o segundo. Como não poderia deixar de ser diferente, adorei a idéia de substituição das batatinhas fritas por um produto "da terra".

Falar em comida, levei filhota para ver Ratatouille, adorei, como sempre acontece com os filmes da Pixar e com filmes onde o assunto é cozinhar. Cozinhas sempre rendem lindas cenas na telona, e fico babando com elas. Mesmo quando quem as protagoniza é um rato (o único ser vivo que desprezo, de fato). Curioso, haviam mais adultos que crianças na sala de cinema.

Cheguei em casa com desejo de cozinhar, algo que não sei fazer, mas um dia saberei...

Hum, adorei a Colette. Mas que do Rémi, o mini-chef, contudo, vale dizer: a animação do rato é perfeita, o gestual é uma verdadeira preciosidade.

Ratatoiulle é um prato tradicional francês. Bem saudável, vista a composição. O nome significa "comida" (ulalá).

O prato. Bonito, né? Apenas não mais que o de Rémi, o rato. Pena que não achei a foto.




A Receita. Fácil!



RATATOUILLE

INGREDIENTES:
1 Berinjela grande
1 Pimentão vermelho e/ou amarelo
2 Cebolas médias
2 dentes de alho esmagado
2 Abobrinhas
2 a 3 Tomates
Tomilho
Sal e pimenta


MODO DE PREPARO:

Corte os legumes grosseiramente e refogue-os em fogo alto, até que dourem, tempere moderadamente. Em seguida reúna todos numa panela e deixe cozinhar em fogo brando, com o tomilho até que estejam macios e acerte o tempero caso necessite.

DICAS:
Você pode refogar cada legume separadamente ou todos juntos, mas atenção para começar pelo mais firme (siga a ordem dos ingredientes dada) e junte o tomilho desde o começo. Caso precise, junte um pouco de água (ou um caldo) ao cozinhar.
O ultimo cozimento pode ser feito na panela, 10 minutos, ou no forno a 180°C, pelo menos 40 minutos conforme a textura desejada: legumes crocantes, macios ou em compota. Ajuste o tempo de cozimento e o tamanho de corte dos legumes conforme seu gosto : legumes em pedaços pequenos cozinham mais rapidamente.

17 de ago. de 2007

Sobre o "apagão aéreo"(?), sobre a manipulação da opinião pública pela mídia,...

... e ainda uma reflexão coerente sobre as crises do Governo Lula.

Excelente texto sobre tudo isso aí. Longo, mas válido, confiem na Sweet.

A invenção da Crise.

Marilena Chauí, afinal.

Sou sua fã derna os tempos de O que é ideologia ... Que por sinal, não se encontra mais aqui, onde está meu exemplar? Argh...

Este é meu momento relax entre um parágrafo e outro da monografia, aproveitem...



Sra. Chauí

16 de ago. de 2007

Hufflepuff! Humpf!


The sorting hat says that I belong in Hufflepuff!



Said Hufflepuff, "I'll teach the lot, and treat them just the same."


Hufflepuff students are friendly, fair-minded, modest, and hard-working. A well-known member was Cedric Digory, who represented Hogwarts in the most recent Triwizard Tournament.



 



Take the most scientific Harry Potter
Quiz
ever created.


Get Sorted Now!


"...vamos de mãos dadas..."

"Na oficina do trabalho ou no templo de tua fé, não esperarás que o chefe, o diretor, o colega, o companheiro ou o subordinado pronunciem reclamações para resolver os problemas, cuja presença reconheces, e sim desenvolverás esforço máximo para que a harmonia e a segurança permaneçam resguardadas na equipe, evitando qualquer ruptura nos mecanismos de ação. E, no giro dos passos cotidianos, seja na rua ou no ônibus, não te recusarás a estender o braço amigo ao doente ou à criança, sob o pretexto da falta de tempo; abster-se-á de tomar a atenção dos balconistas, quando o horário de trabalho esteja findo, ponderando que eles, possivelmente, estarão presos a compromissos familiares que nunca te pesaram nos ombros; pagarás tuas dívidas com o senso da exatidão, sem desprezar as contas singelas, reconhecendo que alguns cruzeiros constituem subida importância entre muitos daqueles que te honraram com pequeninos serviços; dirás 'muito obrigado' à telefonista ou à costureira que te atenderam as solicitações; agradecerás com uma boa palavra ao transeunte a quem pediste um esclarecimento e que te ajudou com gentileza, sem o dever de te auxiliar; não censurarás o moço do armazém em regime de atraso, lembrando-te que ele estará atravessando provas ocultas, que talvez não suportarias, chorando no íntimo e satisfazendo, ao mesmo tempo, os imperativos da profissão.

Diariamente, todos somos chamados à realizações de essência social. Atende à tua empresa particular, nesse sentido. Age, porém, de tal modo que o mal não venha a surgir provocando contenção. Seja onde for, tanto quanto possível, faze bem antes dele.
"
(In Encontro Marcado, por Emmanuel - psicografado por Francisco Cândido Xavier)


Obtido aqui.


Embora contidos em um livro dito "espírita", estes conselhos são de ordem moral. Doméstica. Aprende-se em casa. Ou assim deveria - infelizmente, muitos não tiveram esta sorte, a de receberem uma boa educação doméstica. Mal sabem eles que "gentileza gera gentileza". Não sabem o que fazem.



E esta aqui.


A vida, contudo, está aí não apenas para ser vivida, mas também observada, como fonte de conhecimento. É nosso dever de seres pensantes a evolução moral, espiritual, intelectual. Não foi gratuita a oferta divina da mente humana superior, da alma livre, associada aos céus. Tal dávida possui um preço (concordo, é uma metáfora mercantil em demasia para um tema de cunho moral; é contudo didática), que não nos é cobrado, apenas. Por enquanto. É o livre-arbítrio a nós concedido pelo Ser Supremo. Direito de escolha, entretanto, implica em escolha de consequência. Sábio é quem a isto vê.

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Ando muito conselheira ultimamente. Isto é porque aguardo por conselhos. É uma ação que espera reação. O que nunca funciona de fato: pessoas que muito falam como eu, em geral transmitem a mensagem de que não necessitam ouvir. Só que elas são as que mais precisam. Ouvir.

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"Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
"
(Drummond. Escute-o aqui e chore.

A propósito, agora está em link permanente na lateral do Maio os poemas declamados pelo Drummond)

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Post longo. Madrugada longa. Boa noite. Espero que sirva a alguém estas palavras, além de mim.

11 de ago. de 2007

Para alguns, a paternidade é uma oportunidade para reaver valores esquecidos ao longo da estrada. Há crianças que são verdadeiramente anjos caídos na vida de pessoas que delas necessitam, para acender uma luz na escuridão, abrir uma fenda na muralha, erguer uma ponte sobre o rio caudaloso.

Pense nisto.

Feliz dia dos pais aos passantes e ficantes.



9 de ago. de 2007

Meu Maracatu pesa 1 Tonelada!

Tava zapeando ontem na televisão quando parei no Later with Holland, um programa que gosto de assistir por conta das atrações musicais que lá estão. Em geral só gente boa, célebre, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Bom, estava tendo uma entrevista com Paul Simon, fiquei vendo como ele está velhinho, esperando que tocasse, mas creio que isto já havia acontecido. Qual não foi a primeira surpresa contudo, quando, logo em seguida, o inglesão desajeitado anunciou 'Nason Zombi'.

Para nós, Nação Zumbi.

Fiquei realmente encantada e muito orgulhosa. Minha terra tem palmeiras onde canta o uirapuru. É estranho, por outro lado, esse sentimento de estranheza quando deparo-me com o seguinte pensamento: como somos bons! Haja sentimento de inferioridade de terceiro mundo, argh!

O programa é muito bem produzido. O cenário tem dois ou mais palcos, onde as atrações se apresentam. Não fizeram feio, os meninos do Nação, apresentando-se ao lado de nomes como David Gilmour, Crosby and Nash e Elvis Costello. Uhu!


O vídeo do YouTube.

Aqui, detalhes sobre o programa completo. Que curiosamente foi gravado em 26 de maio de 2006. Ou seja, foi uma espécie de presente de aniversário recebido a posteriori. Gostei.

8 de ago. de 2007

Pérola, da Risqué

-Mãe.
-Oi.
-Você compra um esmalte para mim?
-Compro. Mas é melhor comprar quando você for comigo para escolher a cor, né?
-Não, mãe, não precisa, eu já sei o que eu quero, compra o Pérola, da Risqué, porque é bem bonito, cintilante, pererei-pererei-pererei...

Pausa. Um 'hein' bem dado sopra fundo em minh’alma. Desde quando filhota de 9 anos sabe nome de esmalte?

-Quando foi que você viu esse esmalte?
-Numa loja do shopping.

Desde quando ela fica olhando nome de esmalte em loja do shopping? Eu não sei nome de esmalte! Quem é essa estranha?

Içami Tiba falava no domingão do gordão que, na atualidade, as gerações se renovam a cada 5 anos. O que significa dizer que entre mim e ela há o abismo de 5 gerações. E um pedacinho d’outra. Argh.

Ok, ok. Tinha esquecido. Crises histéricas assim por conta de um simples esmaltezinho são típicos de mãe. Ressalve-se: mães de gerações anteriores à geração-tudo-pela-estética.

Eis o culpado. Até que é bonitinho...




E eu ainda fazendo merchan para esse povo!

5 de ago. de 2007

Ui

O blog do Branco Leone sempre me meteu medo. É sério. Eu pensava: meu Deus, esta criatura me mete medo, não sei muito bem prumode. Ou melhor, eu sei: ele é muito bravo. Mas o blog do Branco Leone, minha gente... quando crescer quero ter um igual. (Vixe... E agora, o que ele dirá vendo que o elogio, será que vai achar que estou só enchendo linguiça? Ok, ok, todos aqui já sabem o prato de papa que eu sou, dêem o devido desconto).

Mas partindo para o que interessa.

O Branco Leone lançou um desafio que veramente me deixou incapacitada para o silêncio. Disse ele, olhem só: "se você acha que a Literatura (independente ou não, tanto faz) merece cuidado, fale disso no seu blog, levante discussões sobre a lei do direito autoral, pergunte — a quem puder responder — por que um livro tem que custar 20% de um salário mínimo, por que uma distribuidora ganha quatro vezes mais que um autor, por que no Brasil há mais editoras que livrarias. "

E respondi-lhe, via comment: "Terei eu tal competência?".

Concluindo na sequência (que louca) "claro que posso até ter, mas neste exato momento de indignação que me sufoca o silêncio, só me resta o seguinte recurso: divulgar seu post, caro Branco". Por que é um post que merece ser multiplicado. Divulgado, repassado, "coisado" (essa palavra maravilhosa que significa tudo ao mesmo tempo - mas, aqui, apenas boas ações). Vai que minha meia dúzia de leitores fiéis lêem, isso já me deixa feliz. Espero que o deixe também!

Intés.

3 de ago. de 2007

Cópias descaradas (mais) e bonecas

Eu demoro a me render a blogs "cults" (digamos). Não sei porque (será inveja? Penso que não, sinceramente, e quem me conhece sabe que sou - sincera. Como diria a Palpi, modéstia as favas). Foi assim com o Pensar Enlouquece, mas juro que é só por causa dos longos textos (eu os escrevo às vezes mas sou preguiçosa para lê-los, confesso).

Voltando: agora foi com a Alê, do Licor de Marula com Flocos de Milho Açucarados, esse blog de lindo título que conheci desde o meu início em blogs (mais de 3 anos, sô!). Comecei a querer copiar MUITA coisa que a Alê pôs por lá e percebi que é um blog altamente viciante, ó céus!

Ok, tudo isso porque quero copiá-la descaradamente.

Sabes reconhecer bonecas e moçoilas? Clica aqui e descubra (porque elas estão cobertas).

Vamos colar uma mocinha apenas para chamar-lhes a atenção, desamantes das letras (estranho, súbito meu desejo de ser lida exacerbou-se, ui). Uma que enganou-me.




E a vocês?

2 de ago. de 2007

Haicais, enfim

Palavras podem ser mínimas e existirem por si mesmas.
Que bom!


Primeiro

À rua silente
A sombra da samambaia
Na porta de vidro.



"O haicai sempre exprime um momento vivenciado no presente. Sendo baseado na natureza, obrigatoriamente fala de coisas concretas, com existência física. E ao falar do presente através de coisas concretas, necessariamente alude à temporalidade, ao provisório e ao efêmero, marcas do mundo terreno. Em outras palavras, o haicai é um veículo para a expressão da transitoriedade. (...)

Ao exprimir um momento do presente, baseado na realidade física, o haicai se aproxima da fotografia. Sempre que olhamos para uma foto, aquela impressão visual se reaviva e se torna presente para nós. O haicai faz o mesmo, através da descrição objetiva de uma sensação física, que além de visual, pode ser também auditiva, tátil , olfativa ou de paladar. Esta sensação pode disparar uma lembrança ou um sentimento, o que pode ser expresso no poema. O contrário não é permitido. A sensação psicológica sempre nasce depois da sensação física.

Dizemos que o haicai pode ser comparado a uma fotografia, que é completamente diferente de um filme. O minúsculo tamanho do haicai não comporta cenários dramáticos, amplos movimentos ou planos em seqüência. Também não se trata de suprimir todos os elementos sintáticos como num telegrama, visando comprimir o máximo de palavras dentro de 17 sílabas. A descrição simples e sem artifícios estilísticos de uma sensação, deixando grande espaço para a sugestão, é a regra a ser seguida.

'Haikai não é síntese, no sentido de dizer o máximo com o mínimo de palavras. É antes a arte de, com o mínimo, obter o suficiente'. - Paulo Franchetti
"



Veio daqui.

Taí, gostei.

Nunca compreendera muito bem esse afã pelos haicais que a gente vê pela rede. Vamos ser sinceros: nunca vi muita graça. Um ou outro me encantava, era só. Sou leitora antiga de poesia e ainda me atrevo muitas vezes a domá-la, a tolinha aqui. Haicais, contudo, não estavam no meu roteiro de palavras.

Há coisas na vida, contudo, que a gente precisa entender para apreciar, creio (nunca pensara sobre isso mas é verdade). É um lento exercício. É assim com o haicai. A inspiração para ele poderá até me cair da da lua, mas em todo caso precisarei trabalhar, e isto exige disciplina. Ah, a disciplina, esta amiga que me encara com olhos frios que escondem sua bondade...

Haicais para ler. Por sorteio.

1 de ago. de 2007

How Addicted to Blogging Are You?

Testes. Fazia tempo não tínhamos um nesta casa. Encontrado aqui.

Quão viciado em blogs és?

60%How Addicted to Blogging Are You?

Vancouver Singles from Mingle2



Pensei que tava pior, de fato.

Sem palavras em demasia

Ando tão sem palavras. Que me sirvam as alheias. Pois que nada sou sem elas.

Algumas antigas e nunca ausentes.

"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias - no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei.

Não sei se fico ou passo.
Sei que canto.
E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:— mais nada.
"
(Motivo - Cecília Meireles)

30 de jul. de 2007

Felicidade
me traz poemas e flores,
e não exige razões.
A vida é boa para ser vivida
porque preenche minh'alma.



Mulher na Janela - Salvador Dali


"Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
"
(Canção Amiga - Drummond)

29 de jul. de 2007

Mãe

Caiu-me ao colo a estrela,
levei-a ao peito e grudou.
Pronto.
Bastou.
Engravidou-me.



Captada aqui. Não consegui descobrir a autoria, sorry.

27 de jul. de 2007

O Vendedor de Palavras

Este é um plágio descarado do que encontrei no Mão na Kumbuka da Ana Laura. Mas sou tão apaixonada por palavras que me rendi. Leiam.





O vendedor de palavras

por Fábio Reynol

Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical".

Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica.

Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs.

Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: "Histriônico - apenas R$ 0,50!". Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta curiosos parasse e perguntasse.

- O que o senhor está vendendo?
- Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta centavos como diz a placa.
- O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.
- O senhor sabe o significado de histriônico?
- Não.
- Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.
- Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.
- O senhor tem dicionário em casa?
- Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.
- O senhor estava indo à biblioteca?
- Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.
- Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real!
- Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?
- Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.
- O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras? - O senhor conhece Nélida Piñon?
- Não.
- É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.
- E por que o senhor não vende livros?
- Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.
- E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.
- A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento, se temos poucas palavras pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. são como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina, com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou, passou por aqui sorrateira,.olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade, mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa, assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga. Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão, então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.
- O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...
- Jactância.
- Pegar um livro velho...
- Alfarrábio.
- O senhor me interrompe!
- Profaço.
- Está me enrolando, não é?
- Tergiversando.
- Quanta lenga-lenga...
- Ambages.
- Ambages?
- Pode ser também evasivas.
- Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!
- Pusilânime.
- O senhor é engraçadinho, não?
- Finalmente chegamos: histriônico!
- Adeus.
- Ei! Vai embora sem pagar?
- Tome seus cinqüenta centavos.
- São três reais e cinqüenta.
- Como é?
- Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.
- Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?
- É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?
- Tem troco para cinco?

25 de jul. de 2007

Filim calango...




... no meio das flores gigantes do jardim ...





Update - Sobre alimentação de Meu Filho: ama comer coentro e banana, mas também come couve, cebolinha, cenoura ralada e alface, embora este último eu evite o quanto posso (muito agrotóxico). Gosta de maçã também, e uva. Salsa eu já dei, mas ele não gostou. Essas outras plantas que você citou (agrião, orégano e alecrim) são muito chiques e meio difíceis de conseguir, mas quando tiver uma oportunidade eu tento dar...

21 de jul. de 2007

Que a terra lhe seja leve?

A pergunta que me faço incessantemente desde que soube do fato é: qual será a sensação de se ter a morte, por muitos, comemorada (a premissa, logicamente, é a da vida após a morte, dahn) ? E por que ninguém mostra isso no jornal? Parabéns, mais uma vez, ao Carta Capital



Morre o coronel
por Rodrigo Martins
ACM teve insuficiência cardíaca. Bahia decreta cinco dias de luto



Influente presença no cenário político brasileiro das últimas décadas, o senador baiano Antonio Carlos Magalhães morreu na manhã desta sexta-feira, em São Paulo, vítima de insuficiência cardíaca. O parlamentar estava internado no Instituto do Coração desde 13 de junho, após passar mal no plenário do Congresso Nacional e buscar tratamento na capital paulista. O governo da Bahia decretou luto oficial de cinco dias e o corpo será velado no Palácio da Aclamação, em Salvador. Ele será sepultado no Cemitério do Campo Santo, ao lado do filho Luís Eduardo Magalhães, morto em 1998.

Sempre próximo do poder, ACM esteve ao lado de Jânio Quadros e Juscelino Kubitschek. Após o golpe de 1964, serviu com afinco aos militares. Sobreviveu ao fim da ditadura, transitando no meio de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. A sanha de agarrar-se ao governo de plantão levou o senador a ensaiar uma aproximação com o presidente Lula, mas a tentativa não resistiu ao primeiros meses da gestão petista. Durante a crise política de 2005, com as denúncias do suposto esquema do mensalão, o parlamentar tornou-se um dos mais ferrenhos opositores do governo.

ACM também exerceu um longo período de predomínio político na Bahia, onde os interesses privados do oligarca se confundem com os do Estado. Três vezes governador, ele elegeu praticamente todos os mandatários do estado nas últimas três décadas, fora dois interregnos, com as eleições de Waldir Pires, em 1986, e de Jaques Wagner, no ano passado.

Nascido em 4 de setembro de 1927, ACM fez faculdade de Medicina, mas nunca exerceu a profissão. Teve passagem pelo movimento estudantil e iniciou a vida política na extinta UDN, partido que o elegeu deputado federal por duas vezes. Em 1967, os militares o nomearam prefeito de Salvador. Com o respaldo da ditadura, assumiu o governo da Bahia em duas ocasiões (1971-75 e 1979-82), desta vez com a bandeira da Arena.

Com o fim do regime militar, filiou-se ao PDS. Durante as eleições indiretas para presidente, em 1984, rompeu com a canditatura do colega de partido Paulo Maluf e declarou apoio a Tancredo Neves. Pouco depois, arregimentou dissidentes do PDS para fundar o Partido da Frente Liberal. Assumiu o Ministério das Comunicações em 1985, durante o governo de José Sarney, onde permaneceu por cinco anos. A marca registrada de sua gestão foi a distribuição desenfreada de concessões de rádio e tevê em troca de apoio político à extensão do mandato de Sarney de 4 para 5 anos. Uma das principais favorecidas pela manobra foi a Rede Globo, que possui sócios da família do senador na Bahia.

ACM elegeu-se governador do estado em 1990, desta vez com o voto popular. Em 1995, conquistou uma vaga no Senado. Renunciou ao mandato em 2001, após ser acusado de manipular o painel eletrônico da Casa. Reconduzido ao cargo no ano seguinte, o parlamentar manteve a força do carlismo no plano regional, elegendo afilhados políticos em prefeituras e no governo baiano. O senador também é acusado de comandar um esquema para espionar telefonemas de desafetos políticos e de uma ex-amante.

No Senado, ele será substituído por ACM Filho, seu suplente. O outro integrante da família no Congresso é o deputado federal ACM Neto.

19 de jul. de 2007

"É muita água, é magoa, a gente pode se afogar"

Uma coisa aprendi nos últimos meses (aprendizado para a vida inteira): chorar é um ato anti-social. Sim, correto. Triste (não chorem), mas verdadeiro. O choro subverte de tal maneira o ambiente em seu redor, mais intensamente que se fosse ele uma bomba que explodira a janela. Um grito é mais bem-vindo. Uma agressão choca, mas não oprime: gera um estampido de revolta nos que a assistem, não há terror. Uma queda é sinônimo de risos e relaxamento. O choro não. Quando alguém chora, as paredes também ficam molhadas. Todos olham ao redor como se uma grande inundação estivesse prestes a derrubar a sala, e seu reboar já se ouvisse vindo, vindo. O choro traz medo a quem o fita. Talvez seja apenas medo da lágrima pessoal, contida, a que não se verte. O choro recorda a todos que ela existe dentro de qualquer um, e poderá a qualquer momento não resistir. É angustiante em demasia tal constatação, da qual, ao menos por ora, está liberto aquele ao centro do turbilhão.





Quem chora é prisioneiro em sua própria máscara revelada. É de nudez o sentimento. O corpo porém não apresenta a verdadeira saúde que possui, há carne viva aos olhos alheios. Sim, todos vêem carne viva. A cena é dantesca.





Aquele que chora deve evitar espelhos. Deve evitar o tato e a voz humana. Apenas um bálsamo é eficiente: o ar. Respirar cura choro. Ar é água se compreendem, pois que da mesma essência são.





O choro traz paz. Transtornos também - pois transgredir a norma não é fácil - mas sobretudo paz. Não dá para pensar sempre, porém, naquilo que se deve ou não se deve fazer. Fôssemos máquinas, seria diferente. Não somos; portanto, há tempos em nossas vidas de se fazer o que é possível. Apenas. Paciência. O Super-Homem e a Mulher-Maravilha estão aí para serem os fortes que não podemos, sempre, ser.

18 de jul. de 2007

A Ordem da Fênix

Sabe aqueles posts imensos que sempre escrevo quando os filmes potterianos são lançados? Aqueles, que ningué lê (admitam)? Tá , na Cozinha, um sobre HP e a Ordem da Fênix. Nem eu gostei muito dele (do post, não do filme, do filme gostei), mas enfim, tá lá. Prá não quebrar a tradição.

17 de jul. de 2007

Voltei!



Não parece, mas é verdade.

1 de jul. de 2007

Domingo Fútil, graças a Deus

A lata nova agora tomou vergonha na cara. Foram quarenta e cinco dias de luta, mas, enfim, curamos o câncer.

É assim que eu te quero, bichinha.

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Hoje o Brasil joga na Copa América, né? Vixe... Nem parece...

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Um fato estranho, e raro: não tomamos café ainda. Serão onze em breve. Não somos dessa tribo não. Por isso que tô a mais ou menos uma hora sentindo gosto de sanduíche-de-sanduicheira-nova-queijo-escorrendo-pela-chapa. Assim não há regime que aguente.

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Meu Filho (para quem não se alembra, filim calango, como diz a Luci - vou adotar a expressão) também num comeu ainda. Tô muito preocupada. Igual a Dora/Denise Fraga do Auto da Compadecida: "a bichinha, num comeu nada ainda, só um cuscuzinho com leite - ai, cuscuzinho com leite (Chicó e Grilo) -, um tiquinho de papa, coisa pouca". Se Meu Filho morre, vou ter mandar rezar missa EM LATIM, sô.

Agora, falando sério, este domingo-que-não-chove-querendo-chover tá pedindo uma reprise do Auto, valendo. A segunda da semana. Tô viciando de novo?

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De férias no micro (não devia, era para estar sendo uma boa acadêmica, mas não): criei um lindo avatar no site dos Simpsons (desenho que eu não gosto, mas a Lu mandou, eu obedeço, hahahah). Com cabelos azuis e tudo (uma licença poética, digamos, e uma homenagem ao azul). Agora a burróide aqui não sabe salvar prumode o site é todo em Adobe Flash (não vale copy/paste). Vou ter esperar que esperar a Lu ler, ter pena e me ensinar, como sempre, kkkkk.

Eu queria mesmo era um desses do Backyardigans. Eu quero, eu quero, eu quero.

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A mula: fui procurar Meet the Flinstones (no subtitle - tá bom, o subtitle é móvel : "when we are with the flinstones..." Lembrou ou quer que desenhe?). A versão tradicional. Daí, duas horas depois, tá lá o arquivo. Feliz, vou escutar: piada. É uma versão disco em castelhano. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK. Muito boa! Mas de quem, eu num sei. Será a versão para Los Picapiedra do B-52 (do fundo do baú, B52!)? Viva a internet!

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Hoje está mesmo sendo um dia ótimo, altamente produtivo em termos blogais. Acabo de aprender, por exemplo, por acaso (esse mouse é muito rápido, esse micro também), o que é 'blockquote'. Errando e aprendendo, como na vida, num é uótimo?

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Antes que o post acabe (afinal, esta manhã começou eu lendo fofoca de novela) : o Edvaldo da novela das oito vai morrer, né saco? Saco, saco, saco. Pobre nem em novela pode enricar, que matam logo, vixe. E é a megera clonada quem (que? Meu Deus, e essa criatura é uma acadêmica, senhor) vai matar.

(Detalhezinho besta: o nome da foto do Edvaldo no link acima é "olavomorre.jpg. Isso é que é vilão que se preze, até o webeditor quer matar, sô).

E "por incrível que pareça, Fred e Camila se divertem muito na lua-de-mel, que acontece no Taiti"1 (loucuras de acadêmica, essa nota) . Isso já passou? Perdi a novela nos últimos dias semana. Só vi mesmo vovô morrendo (que cena de desastre ma-ra-vi-lho-sa) e rico-empresário na pré-comilança de pequena-empresária-mas-legal-porque-afinal-se-trata-da-Glória-Pires. Rico empresário tá ficando bonzinho, tão esquisito. Só não é mais (esqisito) prumode se trata do Tony Ramos...

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Eu estou pensando em deixar de ser chata por aqui. Tá bom de desgracência, "quem gosta de tristeza é o diabo". Para ver se minha meia dúzia de leitores fiéis voltam a ser fiéis. Argh. Essa foi prá se lascar. Tá bom, depois dessa, eu tenho que ir comer.

25 de jun. de 2007

Degaldina

"A casa renascia de suas cinzas e eu navegava no amor de Degaldina com uma intensidade e uma felicidade que jamais conheci em minha vida anterior. Graças a ela enfrentei pela primeira vez meu ser natural enquanto transcorriam meus noventa anos. Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minha cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do zodíaco"

Já que me faltam palavras (dez dias sem blog, estou enferrujada), uso as do Garcia Márquez (salve, salve!), que têm me encantado nos últimos dias.

15 de jun. de 2007

Prá adoçar o azedume do dia...

... sorrisos, coisas fáceis...


Porque rir nem sempre é o melhor remédio, muitas vezes é o único ...




Sorriso comestível ou sorriso-comercial-de-escova-de-dente ou "o sorriso perfeito", como queiram.




Sorriso gato 1.




Sorriso gato 2, ulalá.




Sorriso cruz-credo. Credo em cruz, vixe...




Sorriso gat(inho) 3. Fofo.




Sorriso aparentemente lindo, mas no fundo no fundo enigmático. Observem a expressão de dor de barriga da linda criança. Observem o detalhe da rosinha escondendo a caquinha que tá escorrendo. Eca.




O sorriso da cabrita. Que linda, adorei. Pena que o meu filho-calango é lindo, mas não sorri. Será que se eu insistir bastante um dia aprende, tal como aprendeu a atender ao meu assobio?



E tu, já deu um sorriso hoje? Eu não. Tô começando agora.





E é?
Só não sorria alto demais, que isto muito irrita os mal-humorados, daí eles levam uma pá de horas para soltarem o primeiro sorriso...

10 de jun. de 2007

"Dançar, ora não dançar"

Santa Rita de Sampa pregou. Sou sua discípula obediente:

"Dance, dance, dance
Faça como Isadora
Que ficou na história
Por dançar como bem quisesse
"

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Ela quer faixas para as madeixas, recém cortadas. Dêem-lhe faixas. Ela está tão bela, o tempo passou e nem percebi. O "fruto que eu colherei" floresce.

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Perceberam o selo ao lado? O novo? Não comento a barra lateral, em geral, mas esta inclusão é merecedora: trata-se do blog PEBodyCount, organizado por jornalistas pernambucanos para tratar especificamente do problema da violência na terrinha amada e castigada. O PEBodyCount se apresenta assim:


"O PEbodycount nasce da inquietação. Surge para transformar a perplexidade passiva, de um Estado de vidas abreviadas à bala, em sentimento de que é possível construir saídas coletivas. Acreditamos que não basta indignação. Os caminhos existem e descobri-los é uma missão difícil. Mas possível. É preciso iniciar o percurso. O PEbodycount apresenta-se como uma ferramenta para ajudar a trilhar estes caminhos. Não queremos apenas contar cadáveres. Queremos também contar histórias e ajudar a mudar realidades. O blog é uma organização apartidária e sem fins lucrativos. O PEbodycount é um ponto de confluência de análises, críticas, denúncias e sugestões para implementação de políticas de segurança pública. O espaço aberto funciona, terminantemente, como um centro irradiador de cobrança diante do quadro de alarme. Cada morte registrada no contador alimenta a cobrança e, especialmente, a busca por saídas coletivas. A necessidade de utilizar o nome em inglês num Estado culturalmente tão forte se impõe ao fato de que o site une-se ao Riobodycount e Iraqbodycount, locais onde os mortos já começaram a ser contabilizados e divulgados diariamente na internet."


Eu gostei. Por isso, divulgo.

Pode parecer mórbida a idéia do contador de homicídios, mas é impactante, funcional e, creio, conscientizadora. No meio da semana eu a espiei (como tenho feito quase diariamente) e, recordo, o contador estava em 384. Hoje, está em 411. Guerra civil, senhores. Silenciosa demais, pior de tudo. Quando eclodir ferozmente teremos favelas sitiadas como no Rio?

Esta foi a faixa que vi na Av. João de Barros, ali pela altura do conservatório, manhã dessas. E que me chamou a atenção para o blog e a campanha:



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Preciso parar urgentemente com a mula, ou pelo menos de procurar o Zé por lá, se quiser que essa monografia saia. Apresento-lhes O Pó da Estrada no sub-title.

6 de jun. de 2007

De noite

Sonho de consumo:


Fonte: MSN.

Não é de hoje que sonho com isso. Nos últimos vinte anos, com certeza.

No teu coração paredes são aquários
e tudo em torno vive
quando parece dormir.
No teu coração estás só em teu aquário
e os peixes velam por ti e teu fascínio
de florestas e ninfas,
castelos, corais.


Faz uma data, cidadão... Não ponho o resto aqui, é teen em demasia.

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O Ariano me tirou o sono ontem. Ia dormir quando o encontrei no Jô: imperdível. O Jô é apaixonado pelo Ariano, todos sabem. Eu também. Não me canso de ouvir suas besteiras (audácia!), desde o dia distante em que o vi falando numa colação de grau de uma amiga. De lá prá cá, tive a sorte de o ver ao vivo em outra ocasião, ao lado do mesmo Jô. Estou aqui já me coçando para ver A Pedra do Reino (não tem página na Globo.com ainda, não sei porque).

.

Pena que capotei no terceiro bloco.

O livro, eu já tive na mãos, mas impossibilitada de ler. Dia 12 de junho na noitada estréia, pois, A Pedra do Reino.




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Falar em livros, presentinhos gostados demais. De pai e madrasta boa.





Fofos.

5 de jun. de 2007

Da matina, apenas para relaxar

Verdade do dia: na monografia, quase tudo se copia, se combina. Triste, mas verídico. Veteranas e veteranas, aceito conselhos.

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Conforme já dizia o Sérgio Reis, "panela velha é que faz comida boa". A lata véia é atacada, a bichinha, anda me dando momentos de aborrecimento, maiores que o da véia lata lerda. Isto porque estou necessitada como nunca de uma lata, seja ela como estiver, justo. Não estou podendo dispensar. Vou ter que aguentar suas crises de TPM sem esbofeteá-la até 16 de junho, rezem por mim. Aqui só quem pode ter sou eu.

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O Emule é uma mula só por conta da minha conexão discada "plano-minutos-da- Telemar-navegue-sem-limites" (isto vai acabar, tem que acabar)? Tipo, encontra tudo e não baixa nada? Porque encontra, se não baixa? Não encontre, por favor, expectativa é o fim da picada. Detestável.

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Depois de tantas poucas e boas, só mesmo o Zé Rodrix para me fazer rir. E eu ainda falo mal da mula. Detalhe: o único local no Google que me indicou a letra dessa música foi o sempre bom blog Sounds of Silence. Das antigas. Eu nem ia postar a letra, para não encher a telinha de vocês demais, mas, em homenagem ao Zé...

"Eu me perdi muito tempo
Dizendo bobagens, fazendo bobagem também
Eu gritava tão alto
E não pintava ninguém... Ninguém...

Mas como toda laranja cortada no meio
É feita de duas metades
Eu tinha certeza que um dia
Eu ia encontrar alguém

Enquanto isso eu fumava e bebia
E quebrava a cabeça
Batendo a cabeça nos muros
Eu deixei tantos furos
Que já nem dá prá entender

Mas você veio de longe
Pisando mansinho
Dizendo uma poucas verdades
Que eu hoje em dia só tenho olhos prá você

E você é o meu exército da salvação
Meu guarda- chuva
O Melhoral prá essa dor de cabeça
Minha estrada pro paraíso

Meu salva- vidas...
O meu juízo final...
Minha ressurreição
Meu exército da salvação
"
(Exército da Salvação - Zé Rodrix/mais alguém?)

2 de jun. de 2007

Corra, Lola, Corra

Sinceramente, já ouvira falar tudo de bom sobre este filme e nunca conseguira ver completo, o que me impedia de compreender do que se tratava (quem já o assistiu entende o que digo). Porém sempre que via aquelas cenas da moça de tatuagem na barriga e calça verde em corrida desabalada, pensava: que filme chato deve ser. Pura ignorância. Não é, é na verdade excepcional. Não falarei mais nada sobre ele, porque não é um filme muito fácil de ser comentado, muito menos no momento para mim (repleta, atolada em ocupações, até a tampa, nem perguntem o que estou fazendo aqui, o que fiz a pouco assistindo-o, enfim. Sou uma irresponsável). Recomendo fortemente.



Lola, em um raro momento de repouso.


Estranho. Só agora percebo a mensagem. No filme, Lola corre muito - mas, ao final, foi tudo desnecessário. Hum. Significativo?

Desculpem o spoiler. De qualquer maneira, esse filme já está tão batido que acho que todos já viram, portanto me sinto devidamente perdoada.

30 de mai. de 2007

Na Cachola

Zé e josé eram amigos de fé e sentimentos
Se ajudavam nos momentos difíceis, sorriam juntos

na felicidade
Os pés no chão, o tempo a favor
Namoro com as moças bonitas, noites e luas no interior
Ser feliz incomoda aos que são amargos
Alguns pais carrancudos lhes chamavam vagabundos
Sejam como nós diziam eles
Pela primeira vez Zé e José se embriagaram
Não entenderam a culpa agora instalada nos seus corações
Aprisionados foram aos compromissos apenas os domingos
programados para serem livres
Livres pra pensarem na segunda feira quando estariam
atrás dos balcões
Cabeças treinadas pra competir, sementes de toda ambição
José, José progrediu calculista e frio sorriso plástico
Freqüentava a câmara e o senado, enganava o povo, não
tinha amigos
Fez um pacto com o diabo e se perdeu na escuridão
E o Zé? Zé não se deu bem no comércio
Se apaixonou por uma viola que ganhou de um "véio" bêbado
Que lhe contou uma história sobre a cor dos sete mares
E de tesouros escondidos no peito do próprio homem
Lhe disse também:
- Cante ao mundo o que vier do fundo do seu coração
E a luz se fez

(Zé e José - Zé Geraldo/Marcão Lima)

29 de mai. de 2007

O Dia do Cachorro Louco





"Eu não alimento nada duvidoso"


Todo mundo tem seu dia de cão raivoso.


"Eu não morro de raiva
Eu não mordo no nervo dormente
"


Você já teve o seu?


"Eu posso até não achar o seu coração
E talvez esquecer o porquê da missão"



Claro que teve.


"E se a minha balada na hora h
Atirar para o alvo cegamente
Ela é pontiaguda
Ela tem direção
Ela fere rente"



E o que você faz nesses dias?


"Ela é surda, ela é muda
A minha bala, ela fere rente"



Saber o que fazer é importante; mais ainda, porém, saber o que não fazer.


"Eu não sou como o meu semelhante
Eu não quero entender
Não preciso entender sua mente"




Não portar uma arma é a primeira lição.


"Sou somente uma alma em tentação
Em rota de colisão
Deslocada, estranha e aqui presente"




Porque, depois, negar, não adianta.



Porque "Cada policial é o responsável por sua arma e por sua munição".



E finalmente, porque "ela é cega, ela é burra, ela é explosão, ela fere rente, ela vai, ela fica, a minha bala ela fere rente".



(A Balada do Cachorro Louco - Lenine, Lula Queiroga E Chico Neves)

28 de mai. de 2007

Ao que Chegou (porque a vida sempre chega)



O ovo

Oculta-se no ovo
a quentura do novo,
o avesso do frio,
o encanto macio
do sol fazendo "piu".
Entre a gema e a clara
A finura do fio
Da vida que não se viu.

Essa é minha e dela, ninguém tasca.

22 de mai. de 2007

Etel Frota

Tinha uma fita guardada no meu armário.
No meio de coisas de mulher.
Caixinhas. Fitas (de papel, de tecido). Sabonetes de maracujá recebidos num aniversário distante.
Tarrachas de brincos. Brincos. Pingentes perdidos.
Alguns papéis, poucos (coisas pelas quais tenho apreço).
Uma fita, cassete, aguardando um leitor, por muitos anos.
O leitor chegou, vai fazer um ano.
Eu esqueci a fita, confesso.
Minto, não esqueci, estava guardada para o dia certo de ouvir.
O dia chegou. Me deixando abestada com tanta boniteza.

Ela, Etel, já esteve aqui, em setembro.

O download de Lyricas - A Construção da Canção pode ser feito aqui.



E a canção no subtitle é dela (letra). Por esta sou totalmente apaixonada.


Degas - Bailarinas subiendo las escaleras. 1886-90

"Movimento,
Sapatilha
Toda esta aflição
Palco escuro
Sobe o pano
Bate o coração
Pra tontear no peito o sofrimento
Fazer-me músculo, tensão
Rodopiar assim
Perder de mim
O rastro
Só prá seguir então
Atônita
Pés pelas mãos e esta paixão
Que me incendeia
Fogueira
Braseiro

Tão sozinha
Andarilha
Assoalho e pó
De repente
Nesta ilha
Não ficar mais só
Poder dançar envolta nesta luz
Buscar então todos azuis
E mergulhar no azul
Estar no azul
Inteira
Depois ficar assim
Tão cálida
Maravilhar num pas-de-deux
Me transformar no azul
Tocar no azul
Coa mão

Bailarina
Andarilha
Dança o coração..."
(Bailarina - Etel Frota/Lydio Roberto) - Ouça no link.

21 de mai. de 2007

Amenas

Estou com Oswaldo Montenegro por tudo que é lado, circulando. Derna o dia que o vi ao vivo e a cores, depois de o quê? Bem uma década. Uma foto, do show que assisti, não no dia que assisti.



Fofoca: Paloma Duarte quer que o Oswaldo faça um menino nela. Ou seja, não, Gabi, eles não separaram, eu que sonhei (nada contra Paloma, eu só tive mesmo a impressão que tinha lido sobre isso).

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O clã dos ACM, mais uma vez, com manguinhas de fora. Ô raça.

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A lata nova chegou, e é ótima. Mas de vez em quando dá umas reinicializadas sem razão. Nada é perfeito, tem jeito não. Certa pessoa me diria que "é a condição humana". Ai, meus sais.

20 de mai. de 2007

O Cristo e o Chicletão

Já votou no Cristo? Não? Vote! Custa nada, gente. Confesso, porém, que fiquei me coçando para não votar nas Estátuas da Ilha de Páscoa. Ó céus, esta minha língua, que me impede de ser uma boa cabo eleitoral para o que ou quem quer que seja, humpf... Depois vou lá votar com outro email (sim, fica registrado um email no voto, humpf.)



O Cristo.


O Moai.

A foto me fez lembrar deste aqui . "Afinal, cadê meu chicletão?",

Sobre gordos : uma breve teoria

Jôka escreveu um comment sobre gordos ao qual respondi, e depois fiquei pensando: muita gente não se diz gorda porque não sente que é gorda. Sente que está gorda, mas não que é gorda. Eu pelo menos sou assim (isso porque não sou gorda, "estou gordinha", kkkkkk, ;-P).

Sério.

Mas obviamente há os que são e os que estão. Essa gordona aí que você falou é outra conversa. E realmente, parando para pensar, normalmente elas dissem que comem pouco. Porque será? Negação, né? E talvez tão arraigada que nem percebem, ou não lidam bem com o problema e preferem não acreditar em médico. E muitas tem mesmo problema endócrino, não sejamos também tão malvados assim.

Agora, não falando dos obesos, mas dos que estão com sobrepeso (linguajar de médico...), há a história do parâmetro.

A história do parâmetro é assim. Cada pessoa possui um parâmetro sobre o que significa ser gordo. Isto vem de muito tempo, e em geral cada geração tem seu parâmetro, ou seja, o parâmetro pessoal está associado ao parâmetro da geração. Na minha geração (dos que tem entre 30 e 40), o parâmetro não era tão restritivo quanto para as gerações mais jovens, ou seja, você não se sentia gordo se estava só um pouco acima daquilo que chama a medicina "estar com sobrepeso". E na da geração de meus pais e, na sequência, dos meus avós, menos restritivo ainda. Tanto é assim, que não se ouvia falar em doenças como bulimia e anorexia, salvo numa modelo ou outra. Aí entra o dedo da ciência e medicina, pois como a gente sabe muito mudou no que estas duas descobriram sobre o corpo humano e como mantê-lo jovem por mais tempo, o que passa indiscutivelmente na questão do peso. Todo mundo sabe que sobrepeso é fator de menor saúde.

Fora o parâmetro das gerações tem o parâmetro pessoal que, em minha opinião, é muito marcado pelo que a família trasmitiu. Numa família de gordinhos ninguém se sente muito gordo, salvo quando sai do "seio familiar" (kkkkkk). O que de fato não considero de todo mal, já que a pressão do mundo de hoje é muito excessiva nessa cobrança do ser magro. Este mecanismo protege um pouco as crianças contra essa ditadura (o que, notoriamente, nem sempre está associado à saúde, mas muito mais à estética). Por outro lado, tudo demais não presta, a gente sabe. E a família ensinar que ser gordo é bom só para proteger contra o mundo, tenha santa paciência, isso não serve...

16 de mai. de 2007

22:11

"Tudo pode ser resolvido na conversa, menos a morte".

Foi o que disse o Ricardo Valois, presidente do Náutico, semana passada, sobre a celeuma em torno do programa Todos com a Nota (programa do governo Dudu Campos - cada R$ 100,00 em notas fiscais o cidadão troca por um ingresso para os jogos da Série A - Brasileirão). "O clube estava contestando o percentual de ingressos que teria de reservar para o Governo do Estado, no programa Todos com a Nota, que trocará cupons fiscais por entradas nos jogos. O Timbu argumentou que não poderia oferecer 50% dos ingressos (ou seja, dez mil lugares) para o programa, pois ficaria sem receitas para pagar o elenco. O governo pretende pagar R$ 9 por ingresso trocado".

Pois não é que resolveram? Não sei se com "conversa", mas aparentemente se resolveu. O Estádio dos Aflitos consta como posto de troca do Todos com a Nota, conforme reza o PE360.

Sabedoria de presidente de clube de futebol é sentença.

Sem gracinhas, Kênia, senão te bloqueio o comment, kkkk.

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O papa chegou, não beijou o chão, passou (e como!), rezou missa, mandou recado, e o Maio não se pronunciou, até então. Mas foi que fiquei com excesso de papa naqueles cinco dias, verdadeiramente empapada, como boa parte dos brasileiros, aliás, provavelmente. O papa provou que é pop, pelo menos no Brasil. E viva a Globo. Quanto a mim, fiquei desconfiadíssima com aquilo do papa não ter sotaque algum. Muito esquisito. Mas gostei da missa em Aparecida, que tirou até a F1 do ar. Um papa mesmo sem sotaque é melhor que o Galvão Bueno tendo como fundo o "zzzziiimmm" "zzzziiimmm" dos carrinhos de corrida. Detesto.

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Estou em fase de despedida. Ainda não acredito que me livrarei da lata véia. Ó nós. Pensando bem, não terei saudades, mas nostalgia sim, é certo. Mas, coleguinha, vai com Deus. Porque na vida tudo é passageiro, mesmo que dure. Ou melhor, menos cobrador e passageiro.

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Não vi, mas a coleguinha da filhota foi ao Faustão no domingo, no quadro Boquinha Livre, e a filhota veio contar que Faustão a chamou de gorda. Mas que imbeciloso, pensei imediatamente. Isso deve ser complexo de gordo, não? Bom pro pai e prá mãe, que pagam o mico de ir na onda da filha, que se dana para o Projac, prumode ser chamada de gorda.

A historinha me lembrou frase lida ind'outro dia : "Pior que uma magra, só mesmo uma ex-gordinha". Coisa de gente malvada, claro. Eita povo ruim, sô. Olha, que doentes.

13 de mai. de 2007

Dona Judite

Dona Judite, venha cá. Bom dia, mãe. Espere. Não levante ainda, só porque chamei. Esqueceu? Não tenho mais cinco anos, até eu já parei de atender sua neta tão prontamente, e ela já vai fazer nove. Está frio ainda. São cinco e trinta da manhã. Não gostamos muito de dormir, você sabe (a genética é implacável).

Não levante ainda. Primeiro, faça suas orações, meditações e alongamentos no leito. Tem muitos por quem rezar, só não esqueça de si própria, ok? Sempre é tempo de se acostumar com isso. Tem pressa não, tá tão bom aqui. Aí tá? Adivinhe? Lembra aquele disco que você tinha? Viva Vanusa? Lembrei dele inteiro esta semana. Ah, como eu o ouvia, e a culpa é sua que eu goste de Vanusa. Mãe, pelamordedeus, uma criatura em pleno século XXI gostar de Vanusa? Que mico. Culpa sua. Como de muitas outras coisas. O Gaiarsa está certo!

Lá vem você, arrastando chinelos. Há anos não a vejo descalça, porque será? Por causa do quintal. Você não pode cair de novo, não esqueça. De que coisas gosto por culpa sua? Roberto Carlos, por exemplo. Acordar de manhã e adorar ouvir na cozinha o radinho de pilha afirmando: "não me canso/de falar/que te amo/não vou ser triste/nem vou chorar/por mais ninguém". Ó, dó! Felizmente, escapei das antigas, você também não gosta mais. É culpa sua eu saber todas as letras antigas do Rei.

Ah, um minuto. Mãe, estão soltando fogos! Mãe, como você está importante! São para você, você sabe. 102 anos da coisa, coisa nenhuma!

Agora, estou ouvindo da Vanusa aquela famosíssima, deixa eu cantar para você. Será que você gosta dela? É a sua cara.

"Eu quero sair/Eu quero falar/Eu quero ensinar o vizinho a cantar/Nas manhãs de setembro" (Manhãs de Setembro - Vanusa e Mário Campanha)

Revista Cláudia. Lembrei. Outra coisa que gosto por culpa sua. Mãe, que foi aquilo? Revista Cláudia me educou! Ok, ok, Revista Cláudia é uma boa revista. Ensina a ser mulher (kkk). E esse jeito de ser tão boazinha com todos ao ponto de me darem este apelido Sweet por aqui? Quem me ensinou? Você! Está vendo, tudo culpa sua.

A culpa é das massagens nos pés que você me fazia quando estava doente. E de só sair do quarto depois que eu dormisse. E havia ocasiões em que acordei com você ali ainda.

Mãe. Hoje acordei com alguém entrando no quarto. Sua Estrela. Entrou, deu aqueles abraços que nos derretem, sentada na cama e inclinando-se sobre meu peito como se fosse dormir ali mesmo. Depois saiu. Que coisa boa, linda, maravilhosa. É por isso que você me ama tanto, agora eu sei. A história se repete.

Já já eu chego. Fica com Deus, até lá. Feliz Dia das Mães, todos os dias. Ah, você não sabe o que é isso, mas tem musiquinha no sub-title para você, ok?





Para todas vocês também.

10 de mai. de 2007

Baracho, Lia, ciranda e povo

Acordei e assisti no telejornal da manhã a típica notícia que me agrada: hoje, Baracho completaria 100 anos, se vivo fosse. Baracho é conhecido como o Rei da Ciranda. Compositor, poeta popular, autor da famossíssima "Ciranda de Lia" (de Itamaracá). Sobre a canção, a triste história:

"A mais conhecida música de Baracho é Ciranda de Lia, feita para a cirandeira Lia de Itamaracá, e foi por muitos anos tida como de autoria de Teca Calazans, inclusive pela própria Lia. Mas Teca, que há anos mora na França, nega que tenha algo a ver com a feitura da música, diz que apenas a gravou, num pot-pourri de cirandas, em 1967, pela Rozenblit: 'Eu aprendi a música quando passei um tempo em Itamaracá, com Lia, nos anos 60', afirma Teca Calazans. 'A gente só recebeu dinheiro de pai por esta música, mesmo assim, quando Lia de Itamaracá gravou. Recebemos umas três vezes, depois não veio mais nada', conta Severina Baracho, ou Bia, 54 anos, que veio criança com Antônio Baracho, para Abreu e Lima." (Do mesmo JC)

Medonho.

Mas voltemos à alegria. Eis a bela Lia de Itamaracá. Pena não haver achado uma foto dela como a vi pela manhã, com longas tranças:





Sobre ciranda: cê não tem idéia do que é? Ó, que peninha: tentarei explicar. Não, não falo simplesmente sobre pessoas dançando em roda, sejam adultos ou crianças. Falo do sentimento que a ciranda traz ao coração. A música tem um ritmo seguro, o pé é atraído ao centro da roda, em dança, no momento em que o surdo(?) realiza a marcação. Tem jeito de onda do mar batendo com força na pedra mesmo, apenas de forma um tanto mais acelerada que o natural. O corpo se alegra, e todos sorriem. É MUITO bom. Os gringos no carnaval enlouquecem com ela. Se puder, um dia experimente.



Márcio Melo - Imagem captada aqui.


Isso tudo me traz uma lembrança antiga, de ver essa cena numa praia não tão repleta de pessoas, numa noite que não poderia esquecer. Relembro de chegar, criança, com pai e irmãs, naquele afã que a gente só tem mesmo na infância, de viver coisas nvas e boas, sem receio algum. Com certeza deve ter acontecido. É muito real o recordado.



O Velho Baracho - Rei da Ciranda


Tenho orgulho do orgulho do povo pernambucano por sua terra e por seu jeito de ser. Creio ser este um privilégio de que nem todos os conjuntos humanos usufruem com o vigor que nos caracteriza: possuir uma cultura forte, bem demarcada, sadia, e, mais importante de tudo, viva, ilesa não, mas resistente, permanente, lutadora, presente. Dá uma sensação boa de "pertencimento" (não creio que tal palavra exista, mas vá lá) na gente viver em meio a tudo isso. Sentir que do centro da pobreza, da miséria, do desengano e da desesperança, é possível erguer-se um gigante que não se deixa abater por pouco, compreendem? Porque não se trata de um mero Davi (sem querer desmerecer - e já desmerecendo - o herói). É um Golias mesmo, mas do bem. Pode até encolher-se muitas vezes, mas em sua essência é um gigante.

Esses pensamentos me trazem uma aroma danado de fevereiro. E ainda é maio, ó céus.

9 de mai. de 2007

Minha nova "ídala"



Recomendo aos pequenos. Ótimo também aos maiores que tenham o estranho hábito masoquista de só escolher médicos que tenham o estranho hábito sádico de deixar seus pacientes por duas, três horas esperando. Não, eu não tenho nenhum, mesmo que leve, retardo mental - diagnosticado, pelo menos, não! - eu juro.